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Madeira com nova vida na XXVII edição do Mercado à Moda Antiga

Homem idoso a trabalhar entalhando madeira numa praça com outros homens e bancas ao fundo.

A velha camélia do quintal teve de ser abatida por necessidade. Tudo indicava que acabaria em lenha ou simplesmente esquecida. No entanto, pelas mãos experientes de José Rocha, a madeira ganhou outro destino: passou a servir de base a peças únicas - pássaros de linhas delicadas, formas próprias e cores que hoje se destacam entre as dezenas de bancas da XXVII edição do Mercado à Moda Antiga, que abriu na manhã deste sábado e continua até domingo.

No meio do burburinho do público, da música tradicional e dos aromas da gastronomia de outros tempos, José Rocha foi mostrando as suas criações. O artesão faz parte do grupo que aceitou o convite lançado pela autarquia para integrar aquele que já é um dos acontecimentos mais marcantes do concelho.

José Rocha no Mercado à Moda Antiga

Como acontece com muitas das peças expostas, também aqui existe um enredo por trás. José Rocha tornou-se artesão por insistência da filha, que lhe pediu que esculpisse um pássaro em madeira para oferecer ao neto. A esse empurrão juntou a experiência acumulada ao longo dos anos no restauro, no comércio de velharias e no contacto próximo com outros artesãos.

Ligado ao restauro há vários anos e com formação na Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, em Lisboa, reconhece que esta nova paixão apareceu de forma inesperada. "Isto apareceu pela responsabilidade da minha filha. Agora só espero não andar aqui a fazer passarinhos toda a vida", afirmou, entre sorrisos.

Com o mesmo entusiasmo com que fala das peças, acompanha também a evolução do evento. "Este ano está mais organizado, há espaços abertos, tem uma organização muito interessante este ano", avaliou.

"A qualidade das barracas está diferente, melhor, e a qualidade do mercado tem vindo a aumentar", reforçou. Ainda assim, deixa um repto para as próximas edições: "Podia haver mais gente, artesãos, a trabalhar na rua."

Gastronomia local

Se os artesãos atraem atenções e alimentam a curiosidade, as associações locais - com os seus produtos típicos - mantêm-se como paragem praticamente obrigatória.

Na banca do Grupo Cultural e Recreativo de Ossela, a broa de milho, o bolo de canela, a broa de mel e o queijo assumem-se como ex-líbris gastronómicos e vão conquistando quem passa.

"É uma forma de divulgação dos produtos da nossa freguesia e de ajudar o nosso grupo de futsal", explicam. A participação já vem de trás e cria hábitos: "Estamos aqui há muitos anos e já há pessoas que aqui vêm de propósito", garante o diretor, Pedro Silva.

Entre os visitantes que voltam ano após ano está Florinda Freira, da freguesia de Ul, que desta vez se fez acompanhar por José Costa e Carla Guerreiro. "Este bolinho de Ossela é mesmo muito bom", assegura Florinda.

Não muito distante, Adelaide Costa e António Costa atravessam momentos de verdadeira azáfama, atentos aos tachos onde fervem os vistosos e afamados rojões.

Convidado a colaborar com a Associação de Pais do Jardim de Infância do Cruzeiro, em Santiago de Riba-Ul, o casal dá a provar uma tradição antiga, passada de geração em geração.

Quanto ao segredo, a receita apresenta-se sem complicações, mas pede mão experiente. "São cozidos apenas com pingue. Não levam água nem mais nada, a não ser sal, flor de sal."

Recriação do passado e animação no recinto

Pelas ruas, figurantes vestidos a rigor, associações, artesãos e coletividades assumem a missão de recriar, ao pormenor, modos de vida e costumes de outros tempos.

Com mais de uma centena de associações e artesãos envolvidos, o Mercado à Moda Antiga volta a transformar o espaço num verdadeiro retrato vivo do passado. Pelo recinto multiplicam-se tendas de produtos agrícolas, artesanato, oficinas, antiguidades e espaços gastronómicos tradicionais, acompanhados por música popular, concertinas, ranchos folclóricos, cantares, danças e animação de rua contínua.

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