Audiência em Miami após deportação
O ex-ministro venezuelano e empresário colombiano Alex Saab foi apresentado na segunda-feira a um tribunal federal de Miami, onde passou a responder a acusações de branqueamento de capitais, na sequência da sua deportação da Venezuela, ocorrida no sábado.
Saab, de 54 anos, já tinha sido alvo de acusação criminal nos Estados Unidos. Na segunda-feira, o Distrito Sul da Florida formalizou as imputações de branqueamento de capitais e conspiração para realizar transações financeiras, bem como por ocultação e dissimulação da origem dos fundos.
Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, o arguido compareceu perante o tribunal envergando um fato-macaco castanho.
Acusações de corrupção ligadas a programa de assistência alimentar
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o processo que envolve Saab centra-se em corrupção e na exploração de um programa de assistência social venezuelano criado para fornecer alimentos à população mais vulnerável do país.
O empresário é ainda acusado de incumprimento de contratos e de "empregar secretamente empresas de fachada, faturas fraudulentas, registos de embarque falsificados e outros documentos fabricados", além de subornar responsáveis venezuelanos com o objetivo de desviar dinheiro.
O Departamento de Justiça sublinhou também que "De 2019 até, pelo menos, janeiro de 2026, a conspiração expandiu-se à medida que as sanções económicas dos EUA prejudicaram as exportações venezuelanas, especialmente de petróleo". Caso seja condenado, Saab poderá enfrentar uma pena máxima de 20 anos de prisão federal.
Alegada proximidade a Maduro e acusações anteriores
Considerado um aliado próximo de Nicolás Maduro, Saab já tinha sido acusado nos Estados Unidos de enriquecimento ilícito através de contratos com o Estado e de atuar como testa-de-ferro do líder chavista.
Reações das autoridades venezuelanas e base legal da deportação
Na segunda-feira, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez - que, em 2023, celebrou o regresso de Saab como uma vitória do Governo venezuelano - sustentou que a deportação de Alex Saab para os Estados Unidos aconteceu em defesa dos interesses do país.
Antes disso, o ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, tinha afirmado que Saab cometeu "todo o tipo de fraudes" e frisou que a deportação para os Estados Unidos se deveu ao facto de o empresário não ser cidadão venezuelano.
Entretanto, o Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME) da Venezuela comunicou que a deportação foi executada no sábado "em conformidade com a lei de imigração venezuelana".
Detenção em Cabo Verde, extradição e acordo de libertação
Alex Saab foi detido em Cabo Verde em junho de 2020, após um pedido dos Estados Unidos, que o acusaram de alegada lavagem de dinheiro.
Naquele momento, o então diplomata seguia para o Irão para cumprir uma missão humanitária ao serviço do Governo venezuelano, tendo sido extraditado para os Estados Unidos em outubro de 2021.
Caracas reclamou repetidamente a libertação de Saab, denunciando aquilo que considerava ser uma violação da sua imunidade diplomática e classificando a detenção como um "rapto".
Depois de mais de três anos, os Estados Unidos aceitaram libertar Saab no âmbito de um acordo com o Governo do presidente Nicolás Maduro, que incluiu igualmente a libertação de dez cidadãos norte-americanos detidos na Venezuela. Em outubro de 2024, Maduro nomeou Saab como ministro da Indústria e Produção Nacional.
Desde janeiro de 2024, o ex-diplomata liderava também o Centro Internacional de Investimento Produtivo, cargo do qual foi afastado pela própria Rodríguez poucas semanas após a detenção de Maduro pelos EUA.
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