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Arsenal sagra-se campeão inglês pela 14.ª vez na Premier League, pela primeira vez desde 2004

Jogador do Arsenal a erguer o troféu da Premier League em celebração no estádio com equipa e adeptos.

Como o Arsenal fechou a Premier League com o título

O Arsenal garantiu esta terça-feira o título de campeão inglês de futebol, voltando a vencer a Premier League pela primeira vez desde 2004 e somando o 14.º campeonato no seu historial. A confirmação chegou graças ao empate do Manchester City no terreno do Bournemouth, na 37.ª e penúltima jornada.

O 1-1 do City - com golos de Junior Kroupi, aos 39 minutos, e de Erling Haaland, aos 90+5 - abriu caminho para que a equipa treinada pelo espanhol Mikel Arteta selasse a conquista antes da derradeira ronda. Na véspera, na segunda-feira, os londrinos tinham batido por 1-0 o já despromovido Burnley.

Com o título já assegurado, o Arsenal chega à última jornada, marcada para domingo - na qual visita o Crystal Palace - sem depender de terceiros. Na classificação, a equipa soma 82 pontos, mais quatro do que o Manchester City, segundo classificado, sucedendo ao Liverpool no palmarés da prova.

Além do campeonato, o emblema do norte de Londres tem outro grande desafio pela frente: no dia 30 de maio disputa a final da Liga dos Campeões frente aos franceses do Paris Saint-Germain.

Os londrinos juntam assim o 14.º título de campeão inglês ao seu palmarés, um registo apenas superado por Liverpool e Manchester United, ambos com 20 troféus.

O segredo dos "gunners"

À quarta tentativa, o Arsenal de Mikel Arteta conseguiu finalmente chegar ao topo. Depois de, nas três épocas anteriores, ter ficado com o amargo estatuto de vice-campeão inglês de futebol, desta vez confirmou a conquista.

Sem uma constelação de vedetas indiscutíveis, o histórico clube impôs-se sobretudo pelo coletivo, com vários momentos de futebol de elevado nível. A consistência defensiva, a eficácia nas bolas paradas e a sintonia entre jogadores que se entendem de forma quase automática ajudaram a explicar o sucesso.

Estabilidade, disciplina e bolas paradas

Nos tempos modernos, a palavra-chave no Arsenal tem sido a estabilidade - uma marca das últimas três décadas, período em que o clube teve apenas treinadores estrangeiros.

Primeiro surgiu o carismático francês Arsène Wenger; depois, por apenas uma temporada, o espanhol Unai Emery (atualmente no Aston Villa); e, agora, o também espanhol Arteta, que tudo indica poder deixar uma assinatura histórica nos "gunners", à imagem da longevidade de Wenger.

A campanha desta época chegou a parecer em risco: uma liderança que dava sinais de segurança acabou por ser posta em causa quando o Manchester City entrou na discussão e chegou mesmo a assumir o comando.

No entanto, alguns "tiros no pé" da equipa de Guardiola permitiram ao Arsenal terminar em crescendo, juntando o quarto título da Premier League à presença na final da Liga dos Campeões, no dia 30, onde tentará superar o Paris Saint-Germain.

O cenário contrasta com a "tremedeira" de março e abril, fase em que os londrinos entregaram a liderança ao City, foram afastados da Taça da Liga pelo mesmo adversário e acabaram eliminados da Taça de Inglaterra pelo Southampton.

Arteta, basco de 44 anos e antigo jogador do Arsenal entre 2011 e 2016, vive o ponto mais alto da sua carreira - e, seguindo o ADN do clube, poderá ainda elevar mais o nível.

Depois de terminar a carreira de jogador, trabalhou como adjunto do já lendário Pep Guardiola no City e, desde 2019, é o treinador do grande clube de Londres. Com tempo e uma construção clara, montou uma equipa vencedora, competente com bola e "limpa" na forma como compete.

O Arsenal é, de resto, a equipa da Premier League com menos cartões amarelos e vermelhos (nem um tem), um retrato fiel da forma como tem abordado os jogos, raramente recorrendo ao jogo duro.

Referências em campo

Num grupo com vários jogadores de grande qualidade, a baliza tem "dono": o espanhol David Raya. É o guarda-redes menos batido e soma uma impressionante sequência de 19 jogos sem sofrer golos, o que lhe vale, sem surpresa, o prémio Golden Glove pelo terceiro ano consecutivo. A tranquilidade que transmite tem sido determinante também para a construção e para a saída de bola.

No setor recuado, destaca-se o brasileiro Gabriel Magalhães, um dos eleitos para a seleção canarinha que vai ao Mundial. O francês William Saliba e o neerlandês Jurrien Timber têm sido igualmente peças fundamentais no quarteto defensivo.

No meio-campo, a equipa ganha corpo com Declan Rice - especialista em bolas paradas e a contratação mais cara de sempre do Arsenal -, com o capitão norueguês Martin Odegaard, e ainda com Eberechi Eze e o espanhol Martin Zubinmendi, nomes de referência na 'locomotiva' do conjunto.

Na frente, o melhor marcador do Arsenal - ainda assim longe de liderar a lista da Premier League - é o sueco Viktor Gyokeres, campeão nas duas épocas anteriores pelo Sporting.

Já o brasileiro Gabriel Martinelli, também ele com presença no Mundial, teve nesta temporada um impacto abaixo do habitual. Ainda assim, o ataque tem vivido muito do talento individual de Bukayo Saka e do belga Leandro Trossard, entre outros.

Depois de três ocasiões em que ficou à beira do título, o Arsenal confirma-se como uma das equipas mais consistentes da década, lado a lado com o Manchester City, em claro contraste com o eclipse total do até agora campeão Liverpool.

A espera foi longa - mais do que seria de supor -, já que o último triunfo tinha sido em 2003/2004, ainda com Wenger. E a época pode mesmo transformar-se na melhor de sempre para o clube do canhão, caso vença a Liga dos Campeões, competição em que nunca passou do estatuto de finalista vencido, há exatamente 20 anos.

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