OMS convoca comité de emergência sobre o surto de ébola
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reúne esta terça-feira o seu comité de emergência para analisar o surto de ébola na República Democrática do Congo, que já soma 131 mortes e 513 casos suspeitos.
O diretor-geral da OMS afirmou hoje estar "profundamente preocupado com a escala e a velocidade" com que a epidemia está a evoluir na República Democrática do Congo.
No segundo dia da assembleia anual dos Estados-membros da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus indicou: "Vamos convocar hoje o comité de emergência para nos aconselhar sobre recomendações temporárias".
No domingo, a OMS classificou o surto como uma emergência de saúde pública de âmbito internacional (PHEIC, na sigla em inglês), depois de terem sido contabilizados mais de 300 casos suspeitos e 118 mortes nas províncias de Ituri e Kivu do Norte, na República Democrática do Congo (RDC), além de dois outros óbitos no vizinho Uganda.
Transmissão do vírus Ébola e taxa de mortalidade
O vírus ébola propaga-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e pode causar febre hemorrágica grave, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
De acordo com a OMS, a taxa de mortalidade associada ao vírus varia entre 25% e 90%.
RDCongo: pelo menos 131 mortos e 513 casos suspeitos
O ministro da Saúde congolês declarou, na noite de segunda-feira, na televisão nacional, que o surto do vírus Ébola terá provocado a morte de pelo menos 131 pessoas na RDCongo, existindo 513 casos suspeitos.
"Registámos cerca de 131 casos de morte" no total e "temos cerca de 513 casos suspeitos", afirmou o ministro da Saúde, Samuel Roger Kamba.
O governante sublinhou: "As mortes que estamos a reportar são todas aquelas que identificámos na comunidade, sem necessariamente afirmar que todas estão ligadas ao ébola".
Até ao momento, foram analisadas poucas amostras em laboratório, pelo que os dados assentam sobretudo em casos suspeitos. No relatório anterior do Ministério da Saúde congolês eram apontadas 91 mortes e 350 casos suspeitos.
O epicentro do surto situa-se em Ituri, província no nordeste do Congo, junto às fronteiras com o Uganda e o Sudão do Sul. Trata-se de uma zona rica em ouro, onde se registam todos os dias movimentos populacionais intensos ligados à atividade mineira.
Segundo Samuel Roger Kamba - sem adiantar detalhes - já foram assinalados casos suspeitos fora de Ituri e mesmo além da RDCongo. O ministro referiu ocorrências em Butembo, um centro comercial na província vizinha de Kivu do Norte, a cerca de 200 quilómetros do epicentro. Foi também comunicado um caso em Goma, cidade relevante no leste do Congo, controlada pelo grupo armado rebelde M23 e capital da província de Kivu do Norte.
"Infelizmente, o alerta foi tardio na comunidade porque havia a crença de que se tratava de uma doença mística e, por isso, os doentes não foram levados para o hospital", acrescentou Kamba.
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