Caso confirmado após o cruzeiro Hondius e voo de repatriamento
A Direção-Geral da Saúde (DGS) informou este domingo que o cidadão canadiano com infeção por hantavírus, que tinha viajado no cruzeiro Hondius, regressou ao Canadá num voo operado por uma aeronave com tripulação portuguesa, mas não existe “qualquer evidência de transmissão secundária associada a este voo”.
Num comunicado, a DGS reforçou: “Até ao momento, não existe qualquer evidência de transmissão secundária associada a este voo de repatriamento, nem indicação de risco acrescido para a população em Portugal”.
O Canadá confirmou um caso de infeção por hantavírus numa pessoa que esteve a bordo do navio de cruzeiro Hondius e que acabou por ser hospitalizada na quinta-feira, na região da Colúmbia Britânica.
Medidas a bordo e avaliação da DGS sobre transmissibilidade
De acordo com a DGS, o doente fazia parte do grupo de cidadãos canadianos repatriados de Tenerife (Espanha) para o Canadá, a 10 de maio, num voo com 12 tripulantes portugueses.
A autoridade de saúde refere que, durante a viagem, os passageiros utilizaram máscaras respiratórias FFP2/N95 e a tripulação recorreu a máscaras cirúrgicas e luvas. No fim do voo, acrescenta, a aeronave foi descontaminada.
A DGS indica ainda que o cidadão canadianos infetado terá começado com sintomas na quinta-feira, quatro dias após o repatriamento, pelo que, no momento da viagem, não se encontraria "no período de transmissibilidade definido pelas orientações nacionais e pela evidência científica disponível".
A Direção-Geral da Saúde considera não haver risco adicional relevante para a população em Portugal, salientando que "a transmissão pessoa-a-pessoa do Hantavírus Andes é considerada rara" e que acontece sobretudo "em situações de contacto próximo, prolongado e com exposição a secreções ou fluidos corporais".
Surto do Hantavírus Andes: dados da OMS e origem ainda incerta
Desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em 2 de maio, o surto associado à variante dos Andes do hantavírus, foram confirmados em laboratório oito casos de infeção e registaram-se três mortos.
A OMS avalia o risco como moderado para ex-passageiros e tripulação do navio de cruzeiro - onde o vírus foi inicialmente detetado - e baixo para o restante da população mundial.
A origem do surto permanece por esclarecer. Ainda assim, segundo a OMS, a primeira infeção deverá ter ocorrido antes do arranque da expedição, a 1 de abril, uma vez que o primeiro passageiro a morrer - um holandês de 70 anos - já apresentava sintomas a 6 de abril.
O vírus tem um período de incubação entre uma e seis semanas. Não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus, que pode causar uma síndrome respiratória aguda.
Segundo a OMS, a taxa de letalidade deste surto - a percentagem de pessoas doentes que morrem após contrair a infeção - é, nesta fase, de 27%.
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