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Manuel Dias: da Microsoft à ARTE para liderar a reforma tecnológica do Estado português

Homem apresenta dados numa reunião em escritório moderno com vista para edifícios urbanos.

Da Microsoft ao Estado português: o choque com a burocracia

Quando, no fim do ano passado, aceitou sair da Microsoft para assumir a liderança tecnológica do Estado português, Manuel Dias sabia que deixava para trás a rapidez e a capacidade de execução típicas do setor privado para entrar num ecossistema bem mais intricado. Mesmo assim, confessa que o primeiro impacto foi inesperado: “Surpreendeu-me a burocracia do Estado”.

O presidente da ARTE - Agência para a Reforma Tecnológica do Estado lembra que vem de “uma cultura de 30 anos no setor privado, onde os temas da contratação pública não são o principal obstáculo, onde a agilidade é um ponto importante”. E admite que a comparação com o privado lhe ocorreu várias vezes desde que começou: “Já pensei algumas vezes que isto no privado resolvia-se em semanas”.

Liderança de proximidade: equipas, execução e diversidade

Vindo de uma família alentejana “sem grandes posses”, Manuel Dias apresenta-se como alguém pouco dado à teoria e claramente focado em fazer acontecer. “Os olhos brilham quando vejo coisas acontecer”, afirma.

Ao longo do percurso que foi construindo - com passagens por empresas como a EFACEC, a OutSystems e a Microsoft - foi consolidando um modelo de liderança assente na proximidade e no reconhecimento do trabalho coletivo. “O sucesso é da equipa, não é só do líder”, defende, acrescentando que um líder não tem de ser o melhor tecnicamente, mas deve conseguir rodear-se de pessoas mais inteligentes e de perfis diversos. “Sou um membro das equipas que lidero”, sintetiza.

ARTE e a estratégia tecnológica da Administração Pública

Agora à frente da ARTE e da estratégia tecnológica da Administração Pública, Manuel Dias sustenta que a transformação do Estado não se resolve apenas com ferramentas digitais. “Há muita coisa para reformar além da tecnologia”, frisa, apontando entraves legais, laborais e estruturais que limitam a velocidade de mudança.

Na sua leitura, os principais bloqueios continuam a ser “a contratação pública e a qualificação das pessoas”. E deixa claro o alcance do desafio: “A reforma do Estado é muito mais do que a reforma tecnológica”.

O diretor tecnológico do Estado defende uma Administração Pública mais simples, mais rápida, mais orientada por dados e com maior abertura à experimentação. “Devia existir muito mais espaço nas empresas públicas para o erro, para inovação e experimentação”, sublinha.

Apesar da aposta na inteligência artificial e na automação, rejeita um Estado entregue por completo a algoritmos. “Decisões onde o risco de erro é muito baixo podem ser automatizadas. As outras têm de ter um humano no final da decisão”. Para Manuel Dias, mudar o Estado não é só digitalizar processos: é alterar a forma como o próprio Estado pensa, decide e executa.

O podcast “O CEO é o limite”, do Expresso

O CEO é o limite é o podcast de liderança e carreira do Expresso. Todas as semanas, a jornalista Cátia Mateus apresenta quem são, como começaram e o que fizeram para chegar ao topo gestores portugueses que marcaram o passado, os que lideram a atualidade e os que prometem influenciar o futuro. Histórias inspiradoras, contadas na primeira pessoa, por quem ousa fazer acontecer.

Se tem histórias de liderança inspiradora para partilhar connosco - um líder que marcou o seu percurso profissional -, dúvidas de carreira ou temas que gostaria de ver abordados neste podcast, envie-nos um e-mail para [email protected]. Queremos saber de si.

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