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Benefícios fiscais e a procura por automóveis elétricos em Portugal

Carro elétrico branco desportivo estacionado em showroom com carregador e vista urbana ao fundo.

Falar de automóveis elétricos num evento preenchido por propostas híbridas e 100% elétricas acaba por ser inevitável - e foi desse ponto que partiu mais um episódio das Auto Talks da Razão Automóvel, gravado no ECAR Show 2026.

Auto Talks no ECAR Show 2026: eletrificação, híbridos e motores de combustão

Na conversa, Diogo Teixeira, Publisher da Razão Automóvel, recebeu Pedro Silva, diretor da Auto Drive. Pelo caminho, abordaram-se os híbridos, a eficiência térmica dos motores de combustão e o que pode esperar-se do processo de eletrificação nos próximos anos.

Apesar da variedade de temas, um assunto acabou por se impor na discussão: o peso dos benefícios fiscais na procura por automóveis elétricos em Portugal.

Benefícios fiscais continuam a pesar

Confrontado com a pergunta sobre se conduzia um automóvel elétrico, Pedro Silva respondeu de forma direta: “Eu tenho um carro elétrico pela mesma razão que 90% das pessoas têm um carro elétrico em Portugal: para a empresa pagar menos impostos”.

A afirmação surgiu no contexto da fiscalidade automóvel e do efeito que os incentivos ainda exercem nas vendas de veículos elétricos, sobretudo no canal empresarial.

Atualmente, em Portugal, os elétricos continuam a beneficiar de várias vantagens fiscais, incluindo isenção de ISV (Imposto sobre Veículo) e IUC (Imposto Único de Circulação), bem como tributação autónoma reduzida ou inexistente para empresas. Em determinadas situações, também existe a possibilidade de deduzir o IVA na compra - algo que não é aplicável em modelos exclusivamente a combustão.

Custos de utilização e acesso a carregamento privado

Para Pedro Silva, quando um elétrico é usado maioritariamente em meio urbano e existe a possibilidade de carregar em privado, os custos de utilização podem ficar muito mais baixos. Ainda assim, considera que a procura atual permanece bastante dependente do enquadramento fiscal.

“Nos países que têm tentado retirar benefícios, o mercado de elétricos cai imediatamente e volta para trás”.

Pedro Silva, diretor da Auto Drive

O mercado consegue sustentar-se sozinho?

A observação é feita num momento em que vários mercados têm vindo a ajustar programas de apoio à compra de automóveis elétricos. Em alguns casos, a diminuição ou o fim desses incentivos teve reflexo imediato nas vendas. Daí a questão que ficou no ar: até que ponto a procura por automóveis elétricos se aguenta sem benefícios fiscais?

Híbridos, elétricos e combustão: a coexistência defendida

O diretor da Auto Drive argumenta que o futuro do automóvel não deverá ficar preso a uma única solução tecnológica. Na sua perspetiva, híbridos, elétricos e motores de combustão vão continuar lado a lado durante os próximos anos, variando consoante o tipo de utilização, o custo total e a infraestrutura existente.

“O que faz sentido é haver tudo”, afirmou, defendendo a convivência de várias tecnologias em vez de uma substituição total e imediata do motor de combustão - que, na opinião de Pedro Silva, continua a ser muito competente. “Autolimitarmo-nos a uma só, acho que é pateta”, concluiu.

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