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Chegada do PNS/M Hangor a Karachi
O PNS/M Hangor, o primeiro submarino da nova classe com o mesmo nome, construído na China para a Armada do Paquistão, chegou ao estaleiro naval de Karachi a 11 de Junho, onde foi recebido numa cerimónia oficial de boas-vindas. Tal como tinha sido registado em Abril, o submarino foi formalmente comissionado a 30 desse mês, em Sanya (China), numa cerimónia presidida pelo Presidente Asif Ali Zardari e pelo Chefe do Estado-Maior Naval, o almirante Naveed Ashraf.
No seu comunicado, a Armada do Paquistão sublinhou que o PNS/M Hangor integra sistemas de combate avançados, sensores modernos, propulsão independente do ar (AIP) e capacidades de furtividade reforçadas - um conjunto que deverá aumentar de forma significativa a capacidade de combate em imersão da instituição.
Sobre a classe Hangor
A classe Hangor assenta num projecto derivado do Tipo 039B chinês, ajustado para exportação e produzido pelo Wuchang Shipbuilding Industry Group. O acordo inclui igualmente a construção de unidades adicionais no Estaleiro e Oficinas de Engenharia de Karachi (KSEW), ao abrigo de uma cláusula de transferência de tecnologia. No total, a Armada do Paquistão pretende integrar oito submarinos desta classe: os primeiros quatro totalmente construídos na China e os quatro seguintes montados em Karachi.
A plataforma apresenta 2.800 toneladas de deslocamento e 76 metros de comprimento, recorrendo a uma propulsão combinada a gasóleo e AIP com ciclo Stirling, solução que lhe confere uma autonomia submersa consideravelmente superior à dos submarinos convencionais.
Propulsão AIP (ciclo Stirling) e simbolismo do nome
A integração de propulsão independente do ar com ciclo Stirling no Hangor representa um salto operacional relevante para a Armada do Paquistão: permite prolongar de forma expressiva a permanência em imersão e, em simultâneo, reduzir a assinatura acústica face a meios adversários de detecção anti-submarina.
A designação do navio não é aleatória. Presta homenagem ao histórico PNS Hangor, que em Dezembro de 1971 afundou a fragata indiana INS Khukri no mar Arábico, tornando-se no primeiro submarino, desde a Segunda Guerra Mundial, a afundar um navio de guerra em combate.
Programa de construção, lançamentos e comissionamento
Os três submarinos restantes do primeiro lote construído na China seguem calendários distintos: o PNS/M Shushuk foi lançado à água a 15 de Março de 2025, o PNS/M Mangro a 15 de Agosto de 2025 e o PNS/M Ghazi a 17 de Dezembro de 2025, todos na base Shuangliu do estaleiro Wuchang, em Wuhan. Os três encontram-se em fases avançadas de ensaios no mar e é expectável que sejam comissionados ao longo de 2026.
Em paralelo, os quatro submarinos restantes - que serão montados no estaleiro de Karachi (KSEW) - avançam a um ritmo mais lento: a quilha do sexto exemplar só foi assentada em Fevereiro de 2025, estando a incorporação total das oito unidades prevista para o período entre 2028 e 2030.
Substituição da classe Agosta na força submarina paquistanesa
Importa ainda referir que a entrada ao serviço do PNS/M Hangor assinala também o arranque do mais significativo processo de renovação geracional da força submarina do Paquistão em décadas, uma vez que a nova classe foi concebida para substituir a veterana classe Agosta. Esta foi integrada entre as décadas de 1970 e 1990, nas variantes Agosta 70 e Agosta 90B, de origem francesa.
Os Agosta 90B - parcialmente construídos em Karachi sob licença da DCNS (actual Naval Group) - representaram, à época, um marco de transferência tecnológica para o Paquistão e mantiveram-se como os submarinos mais capazes da frota até à chegada do Hangor, destacando-se a modernização realizada com empresas turcas. Com mais de duas décadas de serviço e o fim do seu ciclo de vida a aproximar-se, a sua retirada faseada dependerá directamente do ritmo a que a nova classe for sendo integrada nas fileiras da Armada do Paquistão.
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