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Conduzimos o Ferrari 12Cilindri Spider e é impossível resistir-lhe

Carro desportivo vermelho Ferrari conversível estacionado em piso preto e parede branca com reflexos.

Vento no cabelo, um V12 atmosférico de 830 cv e um inconfundível sotaque italiano. O Ferrari 12Cilindri Spider é uma celebração do puro prazer ao volante.


Quem tem possibilidade de se dar a este luxo fará bem em aproveitar os derradeiros grandes V12 atmosféricos desta era. E o Ferrari 12Cilindri Spider posiciona-se entre os melhores representantes dessa linhagem em desaparecimento. Aqui há de tudo um pouco - desempenho, som, exclusividade… e condução a céu aberto.

À semelhança do 12Cilindri Coupé - que já testámos -, este novo Spider mantém-se fiel à tradição mais “clássica” da Ferrari: V12 atmosférico em posição central dianteira, a arquitetura mecânica mais “pura” que a marca adotou. É uma configuração com raízes históricas, presente já no primeiro Ferrari a sair da linha de Maranello, o 125 S, em 1947.

Face ao seu antecessor direto, o 812 GTS, o 12Cilindri Spider cresce em praticamente todas as dimensões, ainda que com uma distância entre-eixos 2 cm mais curta. Também ganhou peso, mas sem dramatismos: são mais 35 kg. Passa a anunciar 1620 kg - valor a seco e referente à configuração mais leve possível, que é opcional. A distribuição de massas fixa-se em 47,8% à frente e 52,2% atrás.

Até a capota é rápida

A mudança mais óbvia relativamente ao 12Cilindri Coupé é, naturalmente, a capota rígida retrátil. É uma solução que penaliza na balança, mas compensa por ser a mais eficaz em conforto acústico e térmico.

Para reduzir esse impacto, foi adicionada atrás dos bancos uma nova barra de proteção em alumínio, permitindo um conjunto completo que é “apenas” 40 kg mais pesado do que seria com uma capota convencional. Em contrapartida, a bagageira fica com 200 litros - menos 80 litros do que no Coupé.

A capota permite ainda baixar apenas o vidro traseiro, reforçando a ligação sonora entre quem conduz e o escape. E, para quem se arrepiar quando anda com a capota recolhida, existe aquecimento para o pescoço.

A Ferrari promete para o 12Cilindri Spider uma rigidez torsional ao nível do coupé, graças ao trabalho intensivo de reforços estruturais, sendo 15% superior à do 812 GTS.

As soleiras laterais - que combinam três tecnologias de fabrico de alumínio - foram engrossadas e recorrem a um método de montagem específico para a versão Spider.

Ambiente de competição no interior do Ferrari 12Cilindri Spider

No habitáculo, destaca-se uma combinação equilibrada de superfícies em Alcantara e carbono. O tablier desenvolve-se numa linha horizontal e evidencia uma separação bem marcada entre a zona superior e inferior.

À frente do condutor está o painel de instrumentos (15,6”) e, do lado do passageiro, existe um ecrã adicional (8,8”) com informação variada. Ambos são enquadrados pelas saídas de ventilação e exibem grafismos atuais e muito nítidos. Ainda assim, vale a pena reservar algum tempo para aprender a lógica de menus e funcionalidades.

Existe também um terceiro ecrã, central e tátil, com 10,25″, que dá acesso às principais funções da nova interface.

Quanto aos bancos, vêm forrados a pele macia, embora seja possível escolher uns mais orientados para a condução desportiva, com maior apoio lateral e estrutura em fibra de carbono.

O volante está carregado de botões - incluindo o conhecido manettino - úteis em condução rápida e precisa, mas o plástico transmite uma perceção de qualidade inferior à de alguns rivais. Além disso, integra comandos e informações de forma algo escondida.

E a Ferrari continua sem disponibilizar um visor de projeção (HUD) que apresente os dados essenciais diretamente no campo de visão.

Um coração que parece não ter fim

Como é habitual nos Ferrari de 12 cilindros, o motor assume o papel principal. O F140-HD tem origem no Ferrari Enzo (2002) e surge aqui com 6,5 l (tal como o antecessor), mas passa a debitar 830 cv.

É o V12 atmosférico mais potente num Ferrari de produção em série - o Daytona SP3 extrai mais 10 cv do mesmo motor, mas é de produção limitada - e estica até um máximo de 9500 rpm.

O binário máximo de 678 Nm só aparece às 7250 rpm. Numa era em que a eletrificação avança a passos largos, este valor pode não impressionar por si só, mas mais significativo é o facto de 542 Nm estarem disponíveis logo às 2500 rpm.

A forma como o Ferrari 12Cilindri Spider acelera a partir de baixas rotações é, simplesmente, vertiginosa: 0 a 100 km/h em 2,95s e 0 a 200 km/h em 8,2s - 0,3s mais lento do que o Coupé. E, apesar de um binário que não é exuberante, o caráter atmosférico garante resposta imediata e tende a colar os ocupantes ao encosto com uma determinação constante.

À procura da melhor experiência de condução

Muito já se discutiu sobre as diferenças dinâmicas entre o 12Cilindri e o 812, que o antecede. Apesar de continuar absurdamente rápido, este modelo revela-se mais polido, sereno e progressivo.

A suspensão Magnaride torna o 12Cilindri Spider utilizável no dia a dia mesmo em pisos longe do ideal, sobretudo no programa Desporto (o mais comedido). Ainda assim, mesmo no modo Corrida, a afinação não parece excessivamente rija.

Dito isto, não deixa de ser um Ferrari: conta com eixo traseiro direcional e a função de Controlo de Derrapagem Lateral (SSC) permite atacar curvas depressa com algum grau de sobreviragem. A direção mantém-se sempre rápida e muito precisa.

A aderência no Spider é assegurada por pneus com as mesmas medidas do Coupé - 275/35 à frente e 315/35 atrás - montados em jantes de 21″. Na traseira, há discos carbo-cerâmicos de travão de série. E, para quem estranhar um curso muito curto no pedal, isso resulta do sistema de travagem eletrónica, que substitui a bomba tradicional por um sensor de pressão que envia o sinal correspondente ao circuito hidráulico.

Ainda assim - e lembrando que os engenheiros da Ferrari tendem a confiar mais na própria experiência do que no critério do cliente ao definir a melhor configuração para cada cenário - não é possível “misturar e combinar” parâmetros de condução.

Por exemplo, não dá para juntar uma suspensão mais confortável com uma resposta intermédia do motor/caixa. Além disso, a resposta da direção não muda consoante o modo escolhido.

Uma última nota sobre consumos: em ciclo combinado (WLTP), anuncia 15,9 l/100 km. Naturalmente, quando o ritmo sobe, o valor real dispara para lá desse número. Mas a consciência não pesa muito: o Ferrari não apresenta a média registada em lado nenhum.

Mais de 600 mil euros

O Ferrari 12Cilindri Spider custa mais do que o coupé em algumas dezenas de milhares de euros, mas com um preço de entrada pouco acima dos 600 mil euros - antes de mergulhar no universo quase infinito de personalização - é provável que os potenciais compradores mal notem essa diferença.

O adversário mais direto vem do Reino Unido: o Aston Martin Vanquish Volante. Tem argumentos para acompanhar o italiano - V12 biturbo com 835 cv e 1000 Nm - e arranca com preços cerca de 100 mil euros abaixo (!).

Veredito

Especificações técnicas

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