Interceção da flotilha para Gaza: reação de Espanha
O Governo de Espanha afirmou que seguiam cerca de 45 espanhóis na flotilha com destino a Gaza que foi intercetada por Israel esta segunda-feira, estimando que entre 10 a 20 pessoas terão sido retidas pelas autoridades de Telavive.
O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) espanhol, José Manuel Albares, explicou que a flotilha reunia 54 embarcações, com perto de 500 tripulantes, e que 45 seriam espanhóis - um dado que, frisou, ainda não está "totalmente verificada".
Segundo o governante, foi também esse grupo de entre 10 a 20 pessoas o que acabou por ser intercetado por Israel. Albares falava numa conferência de imprensa em Madrid, ao lado do ministro egípcio Badr Abdelaty.
Ainda de acordo com Albares, esta manhã foi chamada ao Ministério a chefe da embaixada de Israel em Madrid, Dana Erlich, para receber "um protesto formal e enérgico" devido a esta nova operação contra uma flotilha que tentava chegar ao território palestiniano da Faixa de Gaza, cujas entradas permanecem bloqueadas por Telavive.
Para o ministro espanhol, a interceção da flotilha e a detenção de tripulantes a bordo constitui "uma nova violação do direito internacional" por parte de Israel.
Espanha disse desconhecer qual será o procedimento das autoridades israelitas relativamente às pessoas retidas, mas Albares reiterou que, qualquer que seja o desfecho, "estão a violar o direito internacional".
Quer venham a ser desembarcados em Chipre, quer sejam levados para Israel, o ministro considerou tratar-se de uma atuação "inaceitável e uma detenção ilegal".
Albares acrescentou que Espanha está a manter contactos e a coordenar esforços com outros países que também têm nacionais nesta flotilha.
Versão de Israel e destino anunciado para os participantes
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou que as forças israelitas intercetaram uma nova "flotilha para Gaza" ao largo da costa de Chipre. Netanyahu acusou a iniciativa de ser maliciosa, por procurar contornar o bloqueio que Israel diz impor "aos terroristas do Hamas".
O exército israelita declarou que os participantes seriam "transferidos para um grande navio de carga", descrito como "navio prisão", e conduzidos até ao porto israelita de Ashdod.
Até ao momento, as autoridades israelitas não indicaram nem quantas pessoas foram detidas nem quantas embarcações foram intercetadas.
Percurso da Global Sumud Flotilla e contexto do bloqueio a Gaza
Esta flotilha integra dois médicos portugueses, Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, que seguiam no navio "Tenaz".
Mais de 50 embarcações zarparam na semana passada do porto de Marmaris, na Turquia, naquilo que os organizadores da Global Sumud Flotilla apresentaram como a etapa final do trajeto planeado até à costa de Gaza.
Uma emissão em direto da organização mostrou ativistas em várias embarcações a colocarem coletes salva-vidas e a levantarem as mãos antes de se aproximar um barco com tropas israelitas.
Os militares, equipados com material tático, subiram a bordo do navio e a transmissão foi interrompida de forma abrupta. Muitas das embarcações estão agora ao largo da costa de Chipre.
Os organizadores adiantaram que a interceção ocorreu a 250 milhas náuticas (463 quilómetros) da costa de Gaza.
Israel mantém um bloqueio sobre Gaza desde que o grupo radical Hamas assumiu o controlo do território em 2007, um ano depois de vencer as eleições parlamentares palestinianas.
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