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Após ter escolhido a Suécia como fornecedor dos seus futuros submarinos A26, no âmbito do Programa ORKA, a Polónia vai avançar com o aluguer do submarino HMS Södermanland para treinar as suas tripulações enquanto aguarda a entrada ao serviço das novas unidades. A intenção é assegurar a continuidade da capacidade submarina da Marinha polaca e preparar as guarnições para operar sistemas modernos, num cenário em que a frota atualmente disponível se encontra envelhecida.
Aluguer do HMS Södermanland e início do treino em Karlskrona
Segundo informação divulgada pelas Forças Armadas suecas, o plano de instrução arranca já em agosto e terá como principal local a base naval de Karlskrona, na Suécia. Nesse centro, submarinistas polacos receberão formação ministrada por pessoal sueco especializado, seguindo um calendário mais rápido do que o inicialmente previsto.
Os primeiros a iniciar a qualificação serão os técnicos, devido ao elevado grau de complexidade dos sistemas a bordo. A formação incluirá ainda módulos dedicados à segurança submarina, a procedimentos de salvamento e à operação de armamento.
A cooperação Suécia–Polónia no Programa ORKA
O arrendamento do HMS Södermanland enquadra-se na cooperação estratégica que os dois países intensificaram depois da decisão polaca de adquirir três submarinos A26. Já em março deste ano, durante a visita oficial a território polaco do ministro da Defesa sueco, Pål Jonson, ambas as partes tinham sinalizado o arranque de negociações para tornar este entendimento possível.
O propósito era garantir que Varsóvia preservasse capacidades operacionais submarinas durante o período de transição até à futura frota e, em paralelo, reforçar a interoperabilidade entre as marinhas dos dois países.
Porque o HMS Södermanland é uma ponte natural para os A26
A seleção do Södermanland não foi aleatória. A unidade passou, há alguns anos, por uma modernização profunda, na qual foram integradas tecnologias e soluções que, mais tarde, serviriam de base ao desenvolvimento dos submarinos A26.
Entre as melhorias apontadas contam-se atualizações em sensores, sistemas de combate e a incorporação de um sistema de propulsão independente do ar (AIP), capaz de produzir eletricidade a bordo e de prolongar de forma significativa o tempo de permanência submerso sem necessidade de emergir. Estas características fazem do submarino uma plataforma particularmente apropriada para familiarizar as tripulações polacas com conceitos operacionais semelhantes aos que irão encontrar nas futuras unidades.
A urgência ditada pela situação da força submarina polaca
O estado atual da componente submarina da Polónia ajuda a explicar a pressa desta medida. Depois de terem sido abatidos ao efetivo os antigos submarinos da classe Kobben, a Marinha polaca ficou dependente exclusivamente do veterano ORP Orzeł, um submarino de origem soviética da classe Kilo, ao serviço desde 1986.
Embora a embarcação tenha regressado às operações em 2024, após uma revisão extensa e marcada por dificuldades, os repetidos problemas técnicos e o cancelamento dos programas de modernização tornaram evidente a necessidade de uma solução temporária até à chegada dos novos A26.
Impacto para a Marinha sueca e para a dissuasão no Báltico
Do lado sueco, a capacidade submarina de primeira linha poderá manter-se sem alterações. Ao contrário dos três submarinos modernizados da classe Gotland, que continuarão ao serviço sob bandeira sueca, o Södermanland surge como opção viável para arrendamento devido ao seu estatuto particular dentro da classe.
O seu navio gémeo, o HSwMS Östergötland, foi retirado do serviço em 2021, o que deixou o Södermanland como a única unidade remanescente e disponível para desempenhar este papel de transição, sem interferir com a estrutura principal da Marinha sueca.
Para lá da vertente estritamente operacional, o acordo evidencia a crescente aproximação estratégica entre Varsóvia e Estocolmo em matéria de defesa. A Suécia já tinha conduzido programas semelhantes para a Austrália, Singapura e a Dinamarca, combinando treino com transferência ou aluguer de submarinos.
No caso polaco, a cooperação ganha ainda maior relevância por contribuir para reforçar capacidades conjuntas da NATO no Mar Báltico - uma região em que ambos os países partilham a mesma perceção dos desafios de segurança e a necessidade de consolidar a dissuasão num ambiente cada vez mais exigente.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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