Apreensão recorde de cocaína
Um barco abordado na semana passada a sul das ilhas Canárias transportava 30,2 toneladas de cocaína, o maior carregamento alguma vez apreendido numa única operação policial em todo o mundo, indicaram esta quinta-feira as autoridades espanholas.
A confirmação da quantidade exata surge num despacho judicial hoje divulgado, relativo à operação da Guarda Civil realizada em 1 de maio.
As autoridades espanholas - tanto a Guarda Civil como o Ministério da Administração Interna - já tinham admitido anteriormente que a apreensão poderia vir a constituir um recorde, quer em Espanha quer a nível internacional.
Segundo dados oficiais citados no processo, em território espanhol a maior apreensão de cocaína até agora registada tinha sido de 13 toneladas, em outubro de 2024, no porto de Algeciras. À escala global, o máximo conhecido era de 20 toneladas apreendidas em 2019 nos Estados Unidos.
Operação internacional e percurso do "Arconian"
De acordo com o despacho do juiz, o navio foi intercetado em águas internacionais, a sul das ilhas Canárias e ao largo da costa do Saara Ocidental, numa ação da Guarda Civil de Espanha com colaboração da polícia dos Países Baixos e da agência antidroga dos EUA (DEA).
No âmbito dos mecanismos internacionais de cooperação contra o tráfico de droga, a Guarda Civil espanhola recebeu dois alertas sobre o navio de mercadorias "Arconian", com bandeira dos Camarões, que tinha partido da Serra Leoa e tinha como destino a Líbia.
Segundo esses alertas, a embarcação transportaria cocaína destinada a ser transferida para barcos pequenos e rápidos, que depois tentariam introduzir a droga no território continental europeu.
Detenções, carga apreendida e armas
Após a interceção, a Guarda Civil encontrou 1279 fardos de cocaína ocultos no interior do navio, com um peso total de 30.215,84 quilos e um valor estimado de 812 milhões de euros, refere o despacho.
Para além do estupefaciente, foram ainda apreendidas armas de fogo e dez caixas com munições.
Na mesma operação foram detidas 23 pessoas que seguiam a bordo, e um juiz espanhol determinou agora a respetiva prisão preventiva, segundo o despacho hoje conhecido.
O magistrado detalha também que, numa primeira verificação, foram identificados 17 tripulantes, número coincidente com o indicado pelo capitão quando os elementos da Guarda Civil subiram ao navio.
Contudo, acabariam por ser descobertas mais seis pessoas armadas escondidas na zona da proa, bem como o compartimento usado para ocultar a droga.
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