Encontro entre Masoud Pezeshkian e o líder supremo Mojtaba Khamenei
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, revelou esta quinta-feira que esteve reunido com o líder supremo, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde que foi nomeado em março, num contexto de guerra com os Estados Unidos e Israel.
Num vídeo difundido pela televisão estatal, Pezeshkian sublinhou: "O que mais me marcou neste encontro foi a visão e a abordagem humilde e sincera do líder supremo da Revolução Islâmica".
O chefe de Estado não especificou a data exacta do encontro, indicando apenas que ocorreu durante uma deslocação ao Ministério da Indústria, Minas e Comércio e que se prolongou por cerca de duas horas e meia.
Segundo a agência estatal IRNA, citada pela espanhola EFE, a conversa incidiu sobre temas considerados centrais para a governação.
Sucessão e ausência pública do novo líder supremo
No primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, Mojtaba Khamenei terá ficado ferido em ataques israelo-americanos que causaram a morte do pai e antecessor enquanto líder supremo, Ali Khamenei.
A nomeação de Mojtaba Khamenei pela Assembleia dos Peritos - o órgão de 88 membros encarregado de escolher o novo líder da República Islâmica do Irão - foi anunciada na televisão estatal em 9 de março.
Desde essa data, Mojtaba Khamenei tem-se pronunciado apenas através de comunicados.
Com 56 anos, assumiu o cargo após a morte do pai, aos 86 anos, depois de mais de três décadas à frente do Estado.
Ali Khamenei tinha sucedido, em 1989, ao fundador da República Islâmica, o 'ayatollah' Rouhollah Khomeini.
Apesar de a imagem de Mojtaba Khamenei estar por todo o lado nas ruas do Irão, o novo líder tem-se distinguido pela ausência do espaço público, em contraste com a exposição mediática regular mantida pelo pai.
Impasse na guerra com Estados Unidos e Israel e impacto no estreito de Ormuz
A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão encontra-se num impasse desde 8 de abril, quando Washington e Teerão acordaram uma trégua para tentar negociar o fim do conflito, com mediação do Paquistão.
Ainda houve encontros em Islamabad em 11 e 12 de abril, mas sem resultados, o que levou o Presidente norte-americano, Donald Trump, a decretar no dia seguinte um bloqueio aos portos e navios iranianos.
O bloqueio da navegação na região tem gerado efeitos internacionais, devido à instabilidade nos preços do petróleo, uma vez que um quinto da produção de hidrocarbonetos atravessa o estreito de Ormuz, sob controlo iraniano.
O fecho dessa passagem estratégica foi uma das respostas do Irão à ofensiva israelo-americana, sendo a outra os ataques a países da região.
Esta guerra no Médio Oriente já causou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, país arrastado para o conflito pelo grupo xiita libanês Hezbollah, por ter atacado Israel em solidariedade com o regime aliado de Teerão.
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