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InnovATM e DroneMed: drones médicos para transportar sangue na Ariège

Profissional de saúde com máscara e luvas manuseia equipamento médico ao lado de helicóptero de emergência no campo.

Transportar sangue pelo ar deixou de ser ficção científica. No céu da Ariège, um drone já faz várias rotações diárias entre laboratórios - uma estreia europeia impulsionada por uma PME da região de Toulouse.

São 8:00 em Saverdun, uma pequena localidade do departamento da Ariège. No topo de um laboratório de análises clínicas, uma aeronave com cerca de 1,50 m de envergadura levanta voo de forma quase silenciosa sob um céu cinzento. Leva a bordo 3 kg de tubos e bolsas de sangue com destino ao plateau técnico de Pamiers, a cerca de 20 km. Passados 20 minutos, as amostras chegam ao destino: sem trânsito, sem emissões de CO₂ e sem grandes imprevistos meteorológicos. Esta operação, repetida várias vezes por dia há seis meses, ilustra a transformação em curso no transporte médico em França.

Por trás desta inovação está a InnovATM, empresa fundada em 2013 em Cagnac, na periferia de Toulouse. Inicialmente focada em soluções de gestão de tráfego aéreo, a empresa desenvolveu o DroneMed, uma oferta “chave na mão” de transporte sanitário por drone. E acaba de dar um passo decisivo: uma ronda de financiamento de cinco milhões de euros, destinada a industrializar o modelo e a alargar as operações à escala nacional.

Certificação USSP e corredores aéreos seguros para o DroneMed

O avanço da InnovATM assenta numa autorização determinante: a USSP (U-space Services Provider), uma certificação emitida pela Direção-Geral da Aviação Civil (DGAC). Este estatuto torna a empresa de Toulouse a única em França (e uma das poucas na Europa) autorizada a operar corredores aéreos seguros sobre ambientes sensíveis, como hospitais. Trata-se de um “passe” regulamentar que exigiu anos de trabalho conjunto com as autoridades e que, hoje, representa uma barreira de entrada muito relevante para potenciais concorrentes.

Como funciona o drone Eiger no transporte de sangue e amostras

Na prática, o DroneMed utiliza o Eiger, um drone de conceção suíça, preparado para voar a altitudes entre 80 e 120 metros. A aeronave consegue transportar até 3 kg de carga útil - medicamentos, amostras biológicas e bolsas de sangue - em distâncias que podem chegar a 80 km. As amostras seguem num sistema de tripla embalagem específico, concebido para assegurar a estabilidade térmica e evitar vibrações que possam comprometer a qualidade do material transportado.

Operação na Ariège com a rede Cerballiance

Na Ariège, o dispositivo liga atualmente três locais (Pamiers, Saverdun e Saint-Girons) à rede de laboratórios Cerballiance. O polo de Saint-Girons, que por si só realiza cerca de uma centena de colheitas de sangue por dia, encaminha agora 300 amostras diárias para o plateau técnico centralizado. Os efeitos sentiram-se de imediato: prazos de análise mais curtos, pegada de carbono reduzida e, sobretudo, entregas totalmente fiáveis, independentemente das condições de circulação rodoviária.

Ambições internacionais

Com estes primeiros resultados, a InnovATM já está a preparar o próximo passo. Em 2026, será criada uma nova linha no Grand Est. A ligação será entre o CHRU de Nancy-Brabois e o centro hospitalar de Pont-à-Mousson. O objetivo é significativo, uma vez que se pretende eliminar até 12 viagens rodoviárias diárias entre as duas unidades, o que corresponde a 444 km evitados por dia. Apoiado pelo programa France 2030, o projeto prevê depois uma extensão para Lunéville e Toul, com vista à criação de uma verdadeira rede de corredores aéreos.

A ambição da InnovATM não se limita ao território francês. Caso a DGAC valide a experimentação numa escala superior, o modelo poderá ser replicado noutros países europeus. Em África, onde este tipo de entrega por drone já existe há uma década num enquadramento regulamentar menos restritivo, os resultados já demonstraram a eficácia do conceito para servir zonas rurais isoladas.

Drones e convivência em áreas densas

Ainda assim, permanece uma questão: será que estes drones conseguem coexistir com os habitantes de áreas mais densas? Neste ponto, as regras francesas determinam que não se sobrevoem habitações, obrigando os operadores a desenhar trajetórias que contornem zonas residenciais. Em conjunto com os baixos decibéis emitidos pelos drones, estas precauções deverão facilitar a democratização deste tipo de solução.

Com esta ronda de financiamento e com certificações únicas, a InnovATM passa a ter condições para consolidar o projeto. A meta assumida pela direção é clara: tornar o drone médico um padrão antes do final da década. Orgulho nacional.

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