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Açores apresentam cartaz no feminino e pedem mais mulheres na produção

DJ feminina com auscultadores a tocar música num evento ao ar livre, com público atento e colina ao fundo.

Ter mais mulheres em palco passa, antes de tudo, por garantir que elas estão presentes ao longo de toda a indústria de produção. É com essa ideia que os Açores colocam em destaque um cartaz no feminino.

Blaya e a crítica à representação feminina nos festivais

A propósito do anúncio do NorthWave, marcado para 25 de julho, em São Miguel, Açores, a cantora Blaya voltou a pôr no centro do debate a escassez de festivais com presença feminina. A compositora descreve um panorama em que por cada "dez artistas há uma mulher" e considera que só será possível "sair deste círculo vicioso quando o público e promotores começarem a pensar fora da caixa".

NorthWave em São Miguel: um cartaz "100% feminino"

Paulo Silva, diretor da Fábrica de Espetáculos e responsável pelo evento açoriano, sublinha que o festival se apresenta com cartaz "100% feminino, com mensagem positiva, pelo empreendedorismo". Para o diretor, esta opção pretende ser uma "mensagem e prioridade para ficar nos próximos anos".

Segundo o responsável, a decisão surgiu após reconhecerem o problema e ouvirem o que muitas artistas relatam sobre a dificuldade em entrar nos alinhamentos. "Identificámos esta necessidade, ouvimos o que as artistas femininas dizem sobre a dificuldade de entrarem nos cartazes e vemos um número ainda diminuto de mulheres, por isso, achámos que, mais do que uma reformulação do evento, era preciso criar um festival integralmente à volta delas", afirma, acrescentando que a iniciativa tem gerado reações positivas.

Rock in Rio e a presença das mulheres em toda a cadeia

Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, entende que "estamos melhores" no equilíbrio entre mulheres e homens no contexto dos festivais e dos espetáculos. Ainda assim, defende que "um cartaz não deva ser equilibrado em nada", mas sim alinhado com o que "o público quer ver", algo que, nota, pode variar de país para país.

A responsável recorda que o certame - de regresso a Lisboa em junho - promoveu, em 2018, uma noite integralmente feminina, por ter sido importante "chamar à atenção para este desafio na indústria". No entanto, Medina considera que o quadro geral continua longe do ideal: "faltam mulheres na produção musical, em toda a cadeia, não só no palco" e, reforça, "se elas não estiverem na cadeia de produção, também não vão estar no palco".

Nesse sentido, há trabalho a fazer, embora a vice-presidente assinale que "hoje temos muito mais mulheres em destaque porque a indústria foi ficando mais atenta a esse facto". Para Medina, o avanço não depende necessariamente de imposições: "É preciso haver projetos que trabalhem a inclusão, a formação, a capacitação e, aí, irá haver sempre oportunidades à medida que se avance. O cartaz equilibrado vai surgir mais naturalmente", prevê.

"São precisas mais lideranças femininas"

Para lá do palco, Roberta Medina insiste que a presença feminina deve ser reforçada em toda a cadeia de produção dos festivais de música. "Houve pushes (impulsos) para ser dada atenção à presença de mulheres. É suficiente? Não é! Ainda são precisas mais lideranças femininas, mas vai-se vendo imensas empresas europeias ligadas a festivais com muitas mulheres ao comando", realça.

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