Condenação e execução de Mojtaba Kian no Irão
As autoridades judiciais iranianas anunciaram a execução, por enforcamento, de Mojtaba Kian, filho do escritor Mohammad Gholi, depois de o homem ter sido dado como culpado de espionagem, traição e colaboração com os serviços secretos dos Estados Unidos e de Israel durante o conflito.
A decisão foi inicialmente emitida pelo tribunal provincial de Alborz e, após os recursos terem sido recusados, acabou confirmada pelo Supremo Tribunal do Irão. Além da pena capital, a sentença determinou também a apreensão integral dos bens de Mojtaba Kian.
Segundo os responsáveis, e de acordo com orientações da liderança do poder judicial para processos de traição, todo o procedimento - da detenção à execução - foi concluído em menos de 50 dias.
Elementos do processo e comunicações referidas
De acordo com o processo e com perícias técnicas realizadas na investigação, o arguido terá transmitido dados estratégicos e coordenadas geográficas exactas sobre infra-estruturas industriais ligadas à defesa nacional a redes hostis associadas a Washington e Telavive, noticiou a agência iraniana Mizan.
O dossiê refere ainda que a prova recolhida indica o envio de, pelo menos, oito mensagens contendo localizações sensíveis de fábricas onde são produzidas peças de armamento.
O Ministério Público acrescentou que, numa das comunicações interceptadas e dirigidas a agentes ligados a uma rede de satélite estrangeira, Kian mencionou de forma explícita o primeiro-ministro israelita, apelando aos interlocutores para que "informarem Bibi", a alcunha de Benjamin Netanyahu, sobre o tema.
Contexto: outras execuções e dados sobre a pena de morte
O Irão executou também recentemente Ehsan Afreshteh, de 32 anos, acusado de ser "um espião treinado pela Mossad no Nepal que vendeu informações confidenciais a Israel", bem como um estudante de engenharia aeroespacial suspeito de espionagem para os serviços de informação israelitas e norte-americanos.
Organizações de defesa dos direitos humanos, entre as quais a Amnistia Internacional, afirmam que o Irão é o país que mais recorre à pena de morte a seguir à China.
Relatórios recentes da ONG Iran Human Rights e da organização Together Against the Death Penalty (ECPM), ambas com sede na Noruega, indicam que, em 2025, terão sido executadas pelo menos 1639 pessoas - o número mais elevado desde 1989.
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