A França decidiu impedir a entrada no seu território do ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, depois de este ter divulgado um vídeo em que ativistas da flotilha com destino a Gaza aparecem ajoelhados e com as mãos amarradas, numa publicação que gerou forte indignação internacional.
Proibição anunciada por Jean-Noël Barrot em França
A medida foi comunicada este sábado por Jean-Noël Barrot, ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França, na sequência da divulgação do vídeo por Ben-Gvir.
"A partir de hoje, Itamar Ben-Gvir está proibido de entrar em território francês", escreveu Barrot na rede social X, condenando "atos inaceitáveis contra cidadãos franceses e europeus" que viajavam na flotilha Global Sumud.
Flotilha Global Sumud: denúncias de "violências" e depoimentos de portugueses
Depois da detenção, vários ativistas relataram "violências", "abusos" e "humilhações" alegadamente praticados pelas forças israelitas.
Entre os participantes na flotilha com destino a Gaza estavam dois portugueses, que, já em Portugal, afirmaram ter sido "muito maltratados" pelas autoridades israelitas.
"Fomos espancados sistematicamente. Fomos obrigados a permanecer de joelhos durante horas. Houve pessoas no barco-prisão que foram baleadas, outras sofreram fraturas. Eu, apesar de tudo, tive sorte: não levei nenhum tiro nem parti nenhum braço", contou Beatriz Bartilotti que, juntamente com Gonçalo Dias, integrou esta flotilha.
Barrot sublinhou ainda a posição do Governo francês sobre a iniciativa: "Desaprovamos a iniciativa desta flotilha, que não produz qualquer efeito útil e sobrecarrega os serviços diplomáticos e consulares". Ainda assim, acrescentou: "Mas não podemos tolerar que cidadãos franceses possam ser assim ameaçados, intimidados ou maltratados, ainda por cima por um responsável público".
Reações internacionais, ONU e pedidos de sanções a Itamar Ben-Gvir
Na avaliação do ministro francês, estes atos "vêm na sequência de uma longa lista de declarações e ações chocantes, de incitamentos ao ódio e à violência contra os palestinianos".
"Tal como o meu colega italiano, peço à União Europeia que imponha igualmente sanções a Itamar Ben-Gvir", apelou Barrot.
A proibição de entrada do ministro israelita já tinha sido adotada também por Espanha, Países Baixos e Eslovénia.
Na sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com o "tratamento humilhante" aplicado por Israel aos ativistas da flotilha com destino a Gaza e pediu responsabilização.
"Estamos muito preocupados com estes relatos, principalmente os das pessoas que foram detidas. Mas, como sabem, basta ver o vídeo publicado por um ministro israelita, que mostra o tratamento humilhante dado às pessoas detidas", declarou o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, quando questionado sobre os abusos relatados por alguns participantes na missão humanitária, intercetada no início desta semana por Israel em águas internacionais.
Um vídeo publicado pelo ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben-Gvir, suscitou uma onda de indignação internacional, levando mesmo o Governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, a pedir à União Europeia a adoção de sanções contra esse ministro de extrema-direita.
No vídeo, Ben-Gvir ridiculariza ativistas da flotilha, que, no porto de Ashdod, para onde foram levados após a captura em águas internacionais, foram forçados a ajoelhar-se, de rosto no chão, vendados e algemados, enquanto o ministro lhes dizia "Bem-vindos a Israel" e sugeria ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que o deixasse manter detidos por mais tempo os "aspirantes a heróis" para terem o mesmo tratamento que os "terroristas palestinianos".
Até mesmo o embaixador norte-americano em Israel, Mike Huckabee, afirmou que Bem-Gvir "traiu a dignidade da sua nação" com ações "desprezíveis", num movimento sem precedentes.
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