Quatro arguidos começam a ser julgados em Beja
Uma bombeira e dois trabalhadores da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo fazem parte de um conjunto de quatro arguidos, com idades entre os 31 e os 59 anos, que iniciaram na segunda-feira, no Tribunal de Beja, o julgamento por um alegado crime de tráfico de droga.
Declarações em tribunal e valores praticados
Na sessão de segunda-feira de manhã, os três arguidos do sexo masculino admitiram os factos descritos na acusação. Explicaram que eram “agarrados”, sustentaram que a suposta rede não funcionava como uma estrutura organizada e afirmaram que “dispensavam” heroína a alguns amigos “a preços mais baixos”.
A larga maioria dos nomes apontados como compradores foi confirmada pelos próprios arguidos, que, segundo as declarações prestadas, vendiam doses por 10 euros. A bombeira optou por se remeter ao silêncio.
“Via Verde” dos bombeiros e outras acusações
Além do tráfico de droga, a bombeira e outro arguido - com quem vive em união de facto - respondem também por peculato de uso, devido à utilização considerada indevida de dois dispositivos “Via Verde” pertencentes à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ferreira do Alentejo (AHBVFA).
O mesmo arguido que integra o casal está ainda acusado do crime de detenção de arma proibida.
Operação da GNR e detenções
O grupo terá sido desmantelado na noite de 3 de fevereiro do ano passado por militares do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Aljustrel da GNR. O casal foi detido em Figueira de Cavaleiros, no concelho de Ferreira do Alentejo, quando regressava de Lisboa, após uma alegada compra de estupefacientes.
Naquele momento, os militares do NIC tinham sob vigilância as residências dos dois arguidos mais velhos, de 54 e 59 anos, onde foram efetuadas buscas domiciliárias que culminaram nas detenções.
De acordo com o que foi apurado, o recurso à “Via Verde” associada aos bombeiros destinava-se a contornar a vigilância da GNR, mas o plano acabou por falhar por a indisponibilidade de uma das viaturas dos bombeiros no quartel ter contribuído para levantar suspeitas.
Na ocasião, todos os arguidos ficaram em liberdade. Contudo, oito meses mais tarde, um dos arguidos, com 54 anos e a exercer funções como técnico superior na autarquia de Ferreira do Alentejo, voltou a ser intercetado pela GNR ao regressar de Lisboa, transportando heroína e cocaína. Foi presente a tribunal e ficou sujeito a prisão preventiva.
Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP) de Ferreira do Alentejo, no automóvel utilizado pelo casal na deslocação a Lisboa - onde foi detetada heroína - seguiam também os dois filhos menores, com 1 e 4 anos.
O mesmo documento refere ainda que, para além do uso indevido dos dispositivos de “Via Verde” da AHBVFA, um funcionário da autarquia, canalizador, terá utilizado uma viatura do município na prática das atividades ilegais associadas ao tráfico.
Testemunhas arroladas pelo Ministério Público
O MP indicou trinta e sete testemunhas de acusação. Entre elas constam três militares do NIC da GNR e o então 2.º Comandante do Corpo de Bombeiros; as restantes testemunhas são consumidores a quem, de acordo com a acusação, o quarteto vendia heroína três/quatro vezes por semana.
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