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Cidadã alemã acusa ex-companheiro de a drogar, violar e filmar: 67 vídeos e prescrição impede investigar 65 casos, diz a Der Spiegel

Duas mulheres em reunião de trabalho, uma a tomar notas e outra à frente de um computador com videoconferência.

Denúncia revelada pela Der Spiegel

Uma cidadã alemã acusou o ex-companheiro de a ter drogado, violado e filmado, depois de ter encontrado 67 vídeos. Ainda assim, de acordo com a edição desta sexta-feira da revista "Der Spiegel", apenas dois episódios podem seguir para investigação criminal, uma vez que os restantes ficaram abrangidos pela prescrição prevista na lei.

Paralelo com o caso de Gisèle Pelicot

Este caso é comparado ao que envolveu a francesa Gisèle Pelicot, que ganhou projeção internacional no combate à violência sexual ao denunciar publicamente violações praticadas por dezenas de homens, alegadamente recrutados pelo seu ex-marido.

O que mostram os 67 vídeos

Em junho de 2025, após ter sido contactada pela polícia, Claudia Wuttke, de 59 anos, viu as gravações - que terão sido feitas ao longo de 16 anos - e percebeu, nas imagens, que estava a ser submetida a penetração oral, vaginal e anal, com pénis, vibradores e, numa ocasião, com um taco de beisebol, no trato retal.

"Foi o primeiro terramoto", disse a escritora à "Der Spiegel". Wuttke acrescentou que só consegue explicar o que viu pela hipótese de estar drogada, embora não o consiga demonstrar: o vídeo mais recente é de 2021 e quaisquer vestígios biológicos no seu corpo teriam desaparecido há muito tempo.

Prescrição na Alemanha limita a investigação

Em novembro de 2025, relatou ter sentido um "segundo terramoto": ficou a saber que, em 65 dos 67 casos registados em vídeo, a investigação tinha sido travada por já ter terminado o prazo de prescrição.

Na Alemanha, a violação prescreve ao fim de cinco anos, salvo circunstâncias excecionais. Assim, até ao momento, apenas dois dos alegados crimes passaram a ser alvo de processo: um deles por corresponder a um vídeo de 2021, ou seja, com menos de cinco anos.

No outro caso, terá sido utilizado um "instrumento perigoso", nos termos do código penal alemão - um taco de beisebol - o que faz aplicar um prazo de prescrição mais alargado.

"É simplesmente inaceitável que a grande maioria do que me foi feito fique impune. Ninguém sabia destas violações nem da existência destes vídeos. Como alguém podia ter feito alguma coisa?", indignou-se Wuttke, autora de 12 livros assinados com o seu nome e também sob pseudónimos.

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