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Ativistas portugueses Gonçalo Reis e Beatriz Bartilotti regressam a Portugal após flotilha de solidariedade com Gaza

Jovens com mochila e cachecol na área de chegadas do aeroporto, com bandeira e câmeras ao redor.

Os ativistas portugueses Gonçalo Reis e Beatriz Bartilotti regressaram esta sexta-feira a Portugal depois de terem integrado uma flotilha de solidariedade com Gaza. No aeroporto, foram recebidos por familiares, apoiantes e representantes da sociedade civil, e acusaram Israel de agressões físicas, tortura psicológica e violações dos direitos humanos durante o período em que estiveram detidos.

Detenção após interceção em águas internacionais

Gonçalo Reis afirmou que a experiência vivida reforçou a determinação de continuar a denunciar o que se passa em Gaza e de exigir uma posição mais firme do Governo português. "Foi horrível o que vimos lá. Israel é um Estado assassino, sádico. Mas já estamos de volta e é importante continuar a agir", disse, visivelmente emocionado.

O ativista descreveu dias de violência e intimidação após a interceção, em águas internacionais, da embarcação onde seguia com outros elementos da missão humanitária. "O que eles filmam é a parte boa. Foi horrível, a violência foi muito gratuita", relatou. Segundo Gonçalo, os membros da flotilha passaram vários dias num "barco-prisão", em condições que classificou como precárias. "Havia duas pessoas que foram baleadas, uma na perna e outra no braço. Batiam-nos, havia muita violência psicológica também", contou.

Gonçalo Reis disse ainda ter sido alvo de agressões físicas. "Bateram-me, apertaram as algemas com muita força, ainda não sinto estes três dedos. Deram-me cotoveladas, pontapés, coisas assim", descreveu. Apesar do que diz ter vivido, sublinhou que a união entre os participantes foi determinante para aguentar os dias de detenção. "Mais do que as imagens horríveis, vai ficar a força das pessoas unidas, do internacionalismo, do apoio mútuo. Foi das coisas mais bonitas que já presenciei na minha vida", afirmou.

Questionado sobre a hipótese de voltar a integrar novas missões, respondeu de forma direta: "Voltava, claro que sim."

"Contámos pelo menos 35 pessoas com membros partidos"

Beatriz Bartilotti também denunciou maus-tratos durante a detenção e acusou Israel de recorrer de forma sistemática à violência contra os ativistas. "Houve muita violência, fomos torturados, fomos espancados. Contámos pelo menos 35 pessoas com membros partidos. Foi horrível", afirmou.

A ativista classificou a interceção da embarcação como um "rapto em águas internacionais" e disse que os participantes ficaram incomunicáveis durante vários dias. "Estivemos num barco-prisão sem contacto com o mundo e depois numa prisão no meio do deserto, ao lado de Gaza", relatou.

Beatriz garantiu ainda que as imagens divulgadas pelas autoridades israelitas não correspondem ao que, segundo ela, aconteceu durante a detenção. "O que viram no vídeo foi a parte boa. Eles estão constantemente a fazer propaganda", acusou. De acordo com a ativista, houve feridos com gravidade entre os membros da flotilha. "Fomos espancados sistematicamente, obrigados a estar ajoelhados durante horas. Houve pessoas que ficaram aleijadas. Eu tive sorte porque não levei nenhum tiro e não parti nenhum braço", contou.

Receção no aeroporto e críticas à posição de Portugal

À chegada a Portugal, Gonçalo Reis e Beatriz Bartilotti foram acolhidos por dezenas de apoiantes no aeroporto. Gonçalo admitiu ter ficado surpreendido com a mobilização. "Deixa o coração quentinho", disse.

Ao mesmo tempo, elogiou o acompanhamento prestado pelos serviços consulares portugueses, mas criticou a posição política do Governo português relativamente ao conflito israelo-palestiniano. "A missão só estará cumprida quando os nossos governos se posicionarem, quando Portugal cortar relações com Israel", afirmou. Defendeu também que termine a utilização da Base das Lajes pelos Estados Unidos em operações militares no Médio Oriente.

Entre os presentes esteve Joana Rocha, ativista ligada à Flotilha Global Sumud, que criticou aquilo que considera ser a falta de medidas concretas do Estado português. "Não permitir o silêncio mais, não permitir o silêncio do Governo", afirmou. Para Joana Rocha, as declarações recentes do Presidente da República e do primeiro-ministro sobre os acontecimentos não bastam. "As palavras não chegam. Queremos ver ações", disse.

A ativista defendeu que Portugal deveria suspender relações com Israel e acusou o Governo de só agir quando existe pressão mediática. "Porque é que só agora que são portugueses é que estamos a falar? Nós já estamos há anos a mostrar o que acontece às pessoas na Palestina", questionou. Joana Rocha considerou ainda que Portugal, atendendo à sua história colonial, deveria assumir um papel mais ativo perante o conflito. "Temos responsabilidade histórica. Como é que não somos os primeiros na linha da frente a agir contra este Estado colonialista?", afirmou.

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