Dezenas de freguesias estão a contestar a diminuição do horário de funcionamento dos postos dos CTT instalados nas juntas, um processo que levou a Associação Nacional de Freguesias (Anafre) a pedir que as mudanças sejam discutidas e acertadas individualmente com a empresa.
Redução de horários nos postos CTT em cerca de 70 freguesias
A Anafre, através do seu presidente, Francisco Branco de Brito, refere que chegaram ao JN relatos de situações em que as alterações foram apresentadas às freguesias como praticamente decididas, com pouca ou nenhuma margem para recuo. Entre as queixas, surgem menções a “intransigência”, a pressões exercidas sobre autarcas e a propostas colocadas como factos consumados.
Do lado dos CTT, a empresa recusa a ideia de um procedimento unilateral e sublinha que as medidas em curso dizem respeito apenas a ajustar horários, afastando qualquer cenário de encerramento de postos. Alega, ainda, que os casos sob avaliação envolvem, “na grande maioria”, locais com atendimento inferior a 15 clientes por dia.
Segundo a empresa, a intenção passa por adequar a disponibilidade do serviço ao nível real de procura das populações, mantendo a rede, mas com horários mais curtos onde o movimento diário não justificaria um funcionamento em tempo completo.
Anafre denuncia pressões e exige negociação caso a caso com os CTT
A tensão em várias zonas do país levou a Anafre a reunir, na quarta-feira, em Lisboa, com responsáveis dos CTT, procurando travar o agravamento do conflito. No final, nenhuma das partes quis falar em rutura, mas a associação reforçou que algumas juntas se sentiram confrontadas com mudanças decididas sem uma negociação efetiva.
"O que nos foi reportado por algumas juntas de freguesia é que era apresentada a intenção de passar do tempo inteiro para meio-tempo como algo que não pudesse voltar atrás", sublinha Francisco Branco de Brito ao JN.
O dirigente diz que também chegaram à associação relatos de atitudes consideradas desadequadas durante o processo. "Não é aceitável que alguns comerciais tenham uma postura de intransigência, até de alguma falta de educação com os presidentes de junta de freguesia e com os funcionários", lamenta.
Isoladas e envelhecidas
A Anafre insiste que a discussão não deve ficar limitada à rentabilidade. Francisco Branco de Brito defende que uma parte relevante destes postos opera em territórios envelhecidos ou mais isolados, onde a junta de freguesia é, muitas vezes, um dos poucos serviços de proximidade disponíveis. "Os CTT têm preocupações de gestão financeira. As freguesias olham para a componente de serviço público", sintetiza.
Os CTT asseguram, por sua vez, que todas as reduções de horário previstas salvaguardam alternativas de acesso postal a curta distância e que o propósito é conservar a rede existente, adaptando-a às mudanças da procura.
Quem define os horários dos postos CTT nas juntas de freguesia
Outro foco de divergência prende-se com a definição concreta dos horários. A associação sustenta que essa decisão deve ser tomada pelas freguesias, em função das necessidades locais, e não pela empresa concessionária. Francisco Branco de Brito defende que não deve ser a estrutura comercial dos CTT a determinar o tempo de funcionamento do posto instalado na junta, lembrando que há localidades onde faz sentido manter o atendimento até mais tarde por causa dos horários de trabalho da população.
Apesar da polémica, a Anafre refere que, na reunião de anteontem, encontrou disponibilidade dos CTT para reabrir alguns processos e admite que a empresa mostrou abertura para reavaliar situações de redução do horário dos postos dos correios.
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