Final histórica da Taça de Portugal
A grande surpresa da época estava guardada para o jogo decisivo da Taça de Portugal. Num duelo de entrega total, o Torreense derrotou o Sporting e ergueu a "prova rainha" pela primeira vez, depois de mais de 120 minutos em que os leões nunca conseguiram transformar em realidade o favoritismo com que entravam. A equipa da Liga 2 desafiou a história - até aqui, nenhum clube de um escalão inferior tinha conquistado a competição - e respondeu com alma, acerto nos instantes certos e um triunfo inesperado, mas plenamente merecido.
Torreense entra forte e o Sporting não acerta
Os primeiros lances deixaram a sensação de que o Sporting não estava num dia inspirado. Aos quatro minutos, na sequência de um canto, Morita perdeu a referência e a bola apareceu na testa do avançado Kevin Zóhi, que acabou por bater Rui Silva quase sem intenção, dando confiança imediata ao Torreense. A resposta leonina trouxe ocasiões em série para o empate, mas faltou clarividência: Pedro Gonçalves atirou ao poste e Luis Suárez teve duas finalizações sem a eficácia necessária.
Empate de Suárez e caminho para o prolongamento
No arranque da segunda parte, o colombiano repôs a igualdade, aproveitando um dos raros deslizes defensivos do Torreense: o central Diadié não conseguiu afastar da zona perigosa e um ressalto deixou a bola à mercê de Suárez. Com tanto tempo ainda por jogar, parecia aberto o corredor para a vitória esperada do Sporting. Não foi assim. Com claras limitações físicas, a equipa foi baixando o ritmo e esperando que o golo surgisse, oferecendo ao adversário o oxigénio de que precisava para empurrar o encontro para prolongamento.
Stopira decide no tempo-extra
O tempo-extra sublinhou as dificuldades da formação de Rui Borges, muito dependente do esforço de Trincão e sem retorno prático das entradas de Luis Guilherme, Quenda, Bragança ou Rafael Nel. Mais atrevido, o Torreense manteve a crença e a proeza consumou-se numa arrancada de Seydi, travada com falta para vermelho de Maxi Araújo, lance que resultou num penálti. Stopira assumiu-o e converteu com toda a força, tornando-se o herói da final. Ainda houve margem para o Sporting procurar um golo nos descontos, como tantas vezes fizera na época, mas desta vez não apareceu - e a verdade é que o Torreense não merecia que a festa mudasse de dono.
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