Quinze pessoas ficaram sem casa na sequência de um incêndio violento que deflagrou na madrugada desta segunda-feira num edifício de habitação em Escapães, no concelho de Santa Maria da Feira. Tudo indica que o fogo terá começado numa loja situada no rés-do-chão e, em poucos instantes, propagou-se às caves usadas como armazéns, acabando por afetar também várias frações e levando os bombeiros a retirar todos os residentes.
A tranquilidade da noite foi quebrada de forma abrupta quando as chamas tomaram conta do prédio e criaram um cenário de grande tensão. Os moradores tiveram de sair rapidamente, ainda com a operação de socorro a decorrer, para evitarem ficar presos pelo fumo e pelo calor. Apesar da dimensão da ocorrência, não há registo de feridos, mas permanece a incerteza quanto à possibilidade de regresso às habitações.
O alerta foi dado por volta das 0.30 horas. O incêndio terá tido origem num estabelecimento comercial no rés-do-chão do prédio, no Lugar da Meia Légua. Quando os Bombeiros Voluntários de Arrifana chegaram ao local, a loja já estava totalmente envolvida pelas chamas, que encontraram facilmente material combustível nos pisos inferiores destinados a armazenamento.
A evolução foi extremamente rápida. Num dos armazéns estava um camião, que acabou consumido pelo fogo, o que agravou a intensidade das chamas e aumentou a carga térmica no interior do edifício.
Nos andares superiores, onde várias pessoas dormiam, viveram-se momentos de grande apreensão. Perante a rápida progressão do incêndio, os bombeiros concentraram-se na evacuação, conduzindo os moradores em segurança pela caixa de escadas, antes de o fumo e a temperatura dificultarem ainda mais a retirada. Depois de evacuadas, as pessoas desalojadas foram encaminhadas para um restaurante nas proximidades, onde aguardaram enquanto decorriam os trabalhos de combate e recebiam o apoio necessário.
Habitações atingidas
Numa fase inicial, o fogo manteve-se concentrado na parte inferior do prédio, mas a violência das chamas acabou por alcançar dois apartamentos, um no primeiro andar e outro no segundo. As restantes frações - num total de 12 apartamentos - registaram danos associados ao calor intenso e ao fumo, que se espalhou por praticamente todo o edifício.
Para além do que é visível, há preocupações adicionais. As temperaturas elevadas atingidas durante o incêndio levantam dúvidas sobre a estabilidade da estrutura, pelo que será feita uma peritagem técnica destinada a apurar se existem condições de segurança que permitam o regresso dos moradores.
Incêndio "muito violento"
Em declarações ao JN, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Arrifana, Ricardo Castro, descreveu a ocorrência como um incêndio "muito violento", sublinhando a sua "progressão muito rápida". O responsável acrescentou que só depois da avaliação estrutural será possível determinar se o prédio poderá voltar a ser habitado, mesmo que apenas de forma parcial ou com restrições.
Entretanto, os Serviços Municipais de Proteção Civil da Câmara de Santa Maria da Feira estão a acompanhar as famílias afetadas, avaliando quais necessitam de realojamento temporário e quais têm alternativa junto de familiares ou amigos.
O combate às chamas envolveu cerca de 50 operacionais e 16 viaturas dos Bombeiros de Arrifana, com reforço das corporações de Lourosa, Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Carvalhos, Fajões, Espinho, Arouca e Vale de Cambra. A GNR garantiu o perímetro de segurança e a Polícia Judiciária também esteve no local, devendo assumir a investigação para apurar a origem do incêndio.
Câmara avalia necessidade de realojamento
O vereador da Proteção Civil da Câmara de Santa Maria da Feira, Vítor Marques, adiantou ao JN que uma comissão de vistorias já se encontra no local para avaliar as condições de segurança estrutural do edifício. Em simultâneo, os serviços de Ação Social do município foram acionados para identificar eventuais necessidades de realojamento e prestar outro tipo de apoio às famílias afetadas. Quanto à origem do incêndio, o autarca indica que as causas permanecem, por agora, desconhecidas.
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