O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou este domingo lançar novos ataques contra o Irão, “mas com mais força”, caso Teerão não consiga travar os seus aliados no Líbano - numa referência direta ao grupo xiita Hezbollah.
Ameaças de Donald Trump ao Irão e referência ao Hezbollah
Numa publicação na sua rede Truth Social, Trump deixou um aviso explícito: “O Irão deve imediatamente impedir que os seus aliados altamente bem pagos no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, atacaremos o Irão com muita força outra vez, tal como fizemos na semana passada, só que com mais força!!”.
Memorando de entendimento e o cessar-fogo no Líbano
O memorando de entendimento destinado a pôr fim à guerra - assinado na quarta-feira passada por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian - estabelece a cessação das hostilidades no Líbano entre Israel e o Hezbollah.
Apesar de um cessar-fogo ter começado a vigorar no sábado, a situação no terreno continua instável: os confrontos prosseguem no sul do Líbano e, segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelitas provocaram mais de 120 mortos nas últimas 48 horas.
Israel e o Hezbollah dizem manter o compromisso com a trégua, mas trocam acusações sobre violações do acordo.
Conversações na Suíça, estreito de Ormuz e novas ameaças
Em declarações à Fox News, o líder norte-americano voltou a reforçar a pressão sobre Teerão. Trump afirmou ter alertado os negociadores iranianos - que estão na Suíça em contactos com o vice-presidente dos EUA, JD Vance - de que não terá reservas em “aniquilar” o Irão caso as negociações falhem ou se Teerão optar por manter o encerramento do estreito de Ormuz, como anunciado no sábado, em retaliação pela ofensiva israelita no Líbano.
“Disse-lhes que, se fechassem o estreito, ficariam sem país. Eles nem sequer vão conseguir voltar para o seu maldito país”, afirmou o presidente à Fox News, quando teve início a cimeira diplomática na cidade suíça de Bürgenstock.
Trump voltou também à ideia de que os Estados Unidos poderiam tomar o estreito de Ormuz pela força e até agir como “cobrador de portagem”, à semelhança do que, segundo ele, o Irão fez durante o conflito desencadeado pelos ataques israelo-americanos de 28 de fevereiro.
O presidente acrescentou que podia mesmo transformar-se no “anjo da guarda do estreito e ficar com 20% do petróleo”.
“Podíamos tomar o controlo do estreito, se necessário. Podia devastar o país se quisesse. E se não chegarem a um acordo, cobraremos as portagens”, avisou.
O estreito de Ormuz é um corredor marítimo crucial entre o oceano Índico e o golfo Pérsico, por onde, antes do início do conflito, passava um quinto da produção mundial de petróleo. Teerão fechou esta passagem na sequência dos ataques israelo-americanos no final de fevereiro.
As negociações em curso na Suíça, mediadas pelo Paquistão e pelo Qatar, decorrem sob o impacto de dois fatores: a continuação da ofensiva israelita no sul do Líbano - apesar do novo cessar-fogo em vigor desde sábado - e o recente encerramento do estreito de Ormuz anunciado pelo Irão como resposta a esses ataques, pelos quais Teerão responsabilizou os Estados Unidos.
O Ministério da Saúde libanês reiterou o balanço de mais de 120 mortos resultantes de ataques israelitas nas últimas 48 horas.
Teerão levou o cessar-fogo no Líbano para o topo da agenda dos encontros, enquanto Israel já assegurou que vai manter forças no sul do país vizinho e que estas poderão atuar “sem restrições” perante ameaças.
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