O Irão suspendeu este domingo as negociações com os Estados Unidos (EUA) na Suíça, na sequência de novas ameaças feitas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, contra a República Islâmica, segundo avançou a agência estatal IRNA.
Negociações Irão–EUA na Suíça terminam com a saída da delegação
"A delegação da República Islâmica do Irão abandonou o local das negociações", indicou o órgão oficial do Governo iraniano, referindo que a decisão foi tomada em resposta às declarações ameaçadoras de Trump durante as conversações realizadas hoje em Bürgenstock, na Suíça.
De acordo com a IRNA, citada pela agência espanhola EFE, a delegação iraniana interrompeu o processo negocial - mediado pelo Catar e pelo Paquistão - e saiu do local depois de uma reunião com o mediador catari.
Ameaças de Trump sobre o Hezbollah e o estreito de Ormuz
Ao longo das conversações, Trump advertiu o Irão, afirmando que, caso o país não travasse as ações do seu aliado libanês, o Hezbollah, os Estados Unidos retomariam os ataques "com muita força" contra o regime iraniano.
Numa entrevista à estação televisiva Fox News, o presidente norte-americano voltou a avisar Teerão a propósito de um eventual encerramento do estreito de Ormuz, acrescentando que, se isso acontecesse, "não teriam mais um país e nem sequer poderiam regressar ao seu", numa aparente referência à equipa de negociação iraniana.
Ainda segundo a agência estatal iraniana, citada pela agência France-Presse (AFP), as conversações "entraram numa fase difícil após 80 minutos de discussões e uma interrupção em resultado da publicação de uma mensagem insultuosa por parte do presidente dos Estados Unidos".
Trump reiterou, em paralelo, a ameaça de retomar ataques aéreos contra o Irão, caso o país não impedisse os seus aliados do Hezbollah de "causar problemas" no Líbano.
Resposta de Mohammad Bagher Ghalibaf e contexto das conversações
O presidente do parlamento e chefe da equipa de negociação do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, desvalorizou as ameaças e garantiu que as Forças Armadas do Irão estão prontas para responder a qualquer ação de Washington.
O dirigente iraniano deixou também um aviso aos Estados Unidos, dizendo que "é melhor terem cuidado com as palavras" e repetindo: "Por mais que falem, nós é que agimos".
As negociações entre o Irão e os Estados Unidos tiveram início esta manhã, com encontros separados junto dos países mediadores e, mais tarde, com uma reunião multilateral centrada na aplicação do memorando de entendimento assinado na passada quarta-feira. O foco esteve, em particular, no fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, como exigido por Teerão.
Antes das ameaças de Trump, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que lidera a delegação de Washington, já tinha apontado "grandes avanços" nas negociações.
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