Reunião em Nuuk com o enviado dos EUA
O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, voltou esta segunda-feira a sublinhar a sua “linha vermelha” ao recusar qualquer negociação com os Estados Unidos, apontando que Washington mantém a mesma posição, depois de se ter encontrado com o emissário norte-americano na ilha.
“Foi uma reunião construtiva, na qual pudemos dialogar num espírito cordial e com grande respeito mútuo”, afirmou Nielsen aos jornalistas, após o primeiro encontro com o representante dos EUA, o governador da Louisiana, Jeff Landry.
Ainda assim, o chefe do Governo groenlandês insistiu que o território não está disponível para negociações com Washington.
“Reiteramos claramente que o povo groenlandês não está à venda e que os groenlandeses têm o direito à autodeterminação. Este não é um assunto para negociação”, declarou.
Nielsen acrescentou que “esta reunião não mostrou qualquer sinal de que algo tenha mudado” na posição norte-americana.
Posições inalteradas e canal de contacto
Também o ministro dos Negócios Estrangeiros da Gronelândia, Mute Egede, indicou que não houve alterações no ponto de partida de nenhuma das partes.
“O nosso ponto de partida não mudou. Temos a nossa linha vermelha. O ponto de partida dos americanos também não mudou”, disse Egede, frisando que os contactos com Washington decorrem apenas através do grupo de trabalho criado entre Dinamarca, Gronelândia e Estados Unidos.
“As discussões estão a decorrer dentro do grupo de trabalho. Não teremos discussões paralelas”, salientou Egede.
Visita de Jeff Landry e contexto de tensão diplomática
Jeff Landry chegou a Nuuk no domingo para uma visita de vários dias, durante a qual vai participar no fórum económico “Future Greenland”, que decorre esta segunda e terça-feira na capital groenlandesa.
O enviado norte-americano deverá ainda marcar presença na inauguração do novo consulado dos Estados Unidos na ilha.
A deslocação acontece após meses de tensão diplomática alimentada pelas declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, que expressou a intenção de “assumir o controlo” da ilha ártica, considerada estratégica pela sua localização geográfica e pelos recursos naturais.
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