Um navio ao largo de Cabo Verde, duas épocas separadas por quase 200 anos
Partimos de uma notícia recente para recuar quase dois séculos: de um navio fundeado ao largo de Cabo Verde, viajamos até maio de 1833, quando outra embarcação permanecia detida no mesmo ponto do Atlântico. É aí que encontramos uma personagem cativante e, ainda hoje, surpreendentemente pouco conhecida: Flora Tristan.
Flora Tristan: perdas, violência e exclusão
Jovem franco-peruana, Flora carrega uma biografia atravessada por lutos, agressões e rejeição social. Num tempo em que as mulheres quase não tinham direitos, separa-se, é impedida de estar com os próprios filhos e empurrada para a margem. Em vez de se resignar, transforma essa vivência em combustível para pensar e agir, e decide partir numa viagem determinante rumo ao Peru - à procura de reconhecimento, de herança e, acima de tudo, de um lugar no mundo.
Uma voz pioneira do feminismo e do movimento operário
Mais do que viajante, Flora Tristan afirma-se como uma figura precursora do feminismo e uma das primeiras pensadoras ligadas ao movimento operário. Defende a emancipação das mulheres e avança com uma proposta radical para a sua época: a união internacional dos trabalhadores, organizada de forma solidária e autónoma. Essa visão antecipa o sindicalismo moderno e viria a inspirar gerações posteriores, muitas vezes sem o reconhecimento que merecia.
Rui Tavares no ‘Tempo ao Tempo’
Neste episódio, Rui Tavares explora a força da sua escrita, a audácia das suas ideias e a marca duradoura do seu pensamento. É uma narrativa de resistência, lucidez e transformação - e que continua a ressoar nas discussões do presente.
Pode ouvir ‘Tempo ao Tempo’ aqui no Expresso, na SIC e na SIC Notícias, ou subscrever o podcast em qualquer plataforma. Todas as quintas-feiras há um novo episódio, escrito e narrado por Rui Tavares.
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