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The Entropy Centre: a estreia de Stubby Games e Playstack com ADN de Portal

Mulher em laboratório futurista aponta arma de energia para janela com vista para Terra e destroços espaciais.

Stubby Games, um estúdio estreante, e a editora Playstack apresentaram The Entropy Centre na Future Games Showcase em Junho e, na hora, ficou-me debaixo de olho. Por um lado, a influência de Portal é assumida sem rodeios - algo que, para mim, é imediatamente apelativo. Por outro, a premissa do jogo de puzzles soa fresca e diferente: usar uma arma capaz de recuar o tempo em objectos individuais, a bordo de uma estação espacial, para impedir que a Terra expluda.

Desde então, fui acompanhando o jogo e as várias vagas de trailers, com vontade de o experimentar e de perceber se correspondia ao que aqueles vídeos prometiam. Felizmente, não só corresponde como vai mais além. Gosto do facto de a Stubby Games não se inibir de falar da inspiração em Portal - para quê esconder? Portal é, para muitos, um dos melhores jogos de puzzles de sempre e acabou por influenciar inúmeros títulos.

The Entropy Centre e a inspiração em Portal

Nesse espírito, The Entropy Centre aposta forte num registo de ficção científica, com uma paleta de laranja e azul sobre um cenário espacial e brutalista, cheio de salas de desafios. A acompanhar, há uma IA faladora que, com humor, vai orientando o jogador nos objectivos a cumprir.

A arma faladora e o truque de recuar o tempo nos objectos

Onde The Entropy Centre se afasta de Portal - e, no geral, do resto do género - é no que a sua arma “faladora” permite fazer. Com ela, é possível pegar em objectos, algo essencial para os reposicionar no espaço de cada puzzle. A diferença crucial, porém, é a capacidade de fazer recuar o tempo de um elemento específico.

Imagine-se um exemplo: duas plataformas de activação. Uma abre uma porta no topo de umas escadas; a outra abre uma segunda porta, mais à frente, depois da primeira. Se colocar uma caixa com rebordo laranja em cima de uma plataforma e se posicionar na outra, as duas portas abrem e o caminho para a saída da sala fica à vista. Só que, para atravessar as portas, é necessário sair de cima de uma das plataformas - e isso estraga o plano.

A solução passa por usar a arma para colocar a caixa na última plataforma que precisa de ser activada e, depois, deslocá-la para a primeira. No caso concreto (um puzzle que existe mesmo no jogo), o procedimento é: activar a plataforma ligada à primeira porta com a caixa, atravessar essa porta e, do outro lado, disparar o raio de inversão temporal para fazer a caixa “voltar” à plataforma anterior. Assim, a outra plataforma fica novamente activa, e a porta final abre-se. E pronto - enigma resolvido.

Entropia, tempos de resolução e a missão de evitar a explosão da Terra

Sempre que resolvia um destes desafios, era recebido por mais uma piada da arma e por um monitor no corredor de saída, que mostrava quanto tempo demorei a completar o puzzle e quanta entropia a estação ganhou. É essa entropia que alimenta as capacidades de inversão temporal da própria estação.

Tal como a arma, a estação espacial tem um feixe gigantesco, à la Estrela da Morte, capaz de fazer recuar o tempo a uma escala massiva - por exemplo, no planeta Terra inteiro. A minha demonstração de The Entropy Centre (que já pode ser experimentada no PC durante o Steam Next Fest) terminou com a protagonista a ver a Terra a explodir. A ideia subjacente parece ser a de que será preciso resolver puzzles suficientes a bordo desta estação para acumular entropia bastante e, assim, reverter a explosão da Terra, salvando todos os que lá vivem.

No fim, é uma proposta de ficção científica divertida, e aprecio como cada puzzle parece ligar-se ao fio narrativo. Entre isso, a variedade de desafios exigentes que encontrei numa demonstração de cerca de uma hora, e o humor à Portal - que já dá sinais de poder sustentar uma boa dinâmica de amizade entre a protagonista e a sua arma especial - fiquei com vontade de ver o produto final no próximo mês.

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