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Teste à Mercedes-Benz C 300 de Station híbrida plug-in Diesel

Viatura Mercedes-Benz C300e Plug-in híbrido estacionada em showroom moderno com carregador elétrico.

Num momento em que a eletrificação domina as conversas e os híbridos plug-in parecem surgir por todo o lado, como cogumelos após alguns dias de chuva, a Mercedes-Benz C 300 de Station oferece uma leitura muito particular desta fórmula.

Ao contrário do que acontece com muitos construtores, a Mercedes-Benz mantém a aposta num híbrido com motor Diesel. Para lá de disponibilizar esta combinação no Classe E e, mais recentemente, no GLE, a marca levou-a também ao seu modelo mais compacto, o Classe C.

Em teoria, a proposta é sedutora: circular em cidade com zero emissões graças ao motor elétrico de 122 cv, alimentado por uma bateria de iões de lítio com 13,5 kWh, e, quando a estrada abre, beneficiar da eficiência típica de um Diesel. À primeira vista, a Mercedes-Benz C 300 de Station parece juntar o melhor de dois universos - mas será mesmo assim?

No capítulo estético, a C 300 de Station continua a resistir bem ao peso dos anos e mantém uma imagem distinta e atual, sobretudo quando equipada com a opcional (quase indispensável) “linha de design interior e exterior AMG”. No meu caso, aprecio particularmente o desenho desta carrinha alemã e diria que o azul metalizado do exemplar ensaiado é um daqueles opcionais difíceis de ignorar.

No interior da C 300 de Station

Mal se entra na Mercedes-Benz C 300 de Station, percebe-se de imediato o cuidado na construção e na seleção de materiais, que tornam o habitáculo num espaço confortável e convidativo.

Em matéria de ergonomia, apesar do tablier de aspeto minimalista, o resultado é convincente. A climatização mantém comandos físicos, existem várias formas de aceder ao muito completo (embora por vezes algo confuso) sistema de infoentretenimento - ainda não é o mais recente MBUX que já vimos noutros Mercedes - e só é de lamentar a concentração de funções numa única haste (piscas e limpa-para-brisas). Já a haste da direita, como é habitual, continua dedicada ao comando da caixa automática.

Quanto à habitabilidade, há espaço suficiente para quatro adultos viajarem com conforto, mas o túnel central desaconselha seriamente levar um quinto ocupante.

Na bagageira, repete-se o cenário que já tínhamos observado no Classe E em versões híbridas plug-in semelhantes: por ter de acomodar a bateria, surge um “degrau” pouco prático e a capacidade diminui, passando de 460 l para 315 l.

Ao volante da C 300 de Station

Depois de conhecido o interior da C 300 de Station, é tempo de perceber se, na prática, a carrinha cumpre aquilo que promete.

Com cinco modos de condução - Sport+, Sport, Eco, Conforto e Individual - a C 300 de Station mostra-se competente em qualquer um deles, mas o modo “Eco” merece um destaque particular.

A verdade é que, muitas vezes, os modos “Eco” acabam por ser frustrantes, “castrando” o motor e deixando a sensação de que, sempre que carregamos no acelerador, ele pergunta: “Queres mesmo acelerar? Tens a certeza? Olha os consumos!”.

Aqui, isso não acontece. A resposta ao acelerador mantém-se pronta e a entrega dos 306 cv de potência total combinada é linear e rápida. Nos restantes modos, o andamento torna-se ainda mais convincente, a ponto de quase nos fazer esquecer que a C 300 de Station pesa perto de duas toneladas e recorre a um motor Diesel.

O que, contudo, não deixa esquecer o Diesel sob o capot é a forma como os consumos se comportam. Até a bateria ficar sem carga - e a gestão faz com que isso aconteça mais cedo do que seria desejável -, os valores podem ser muito baixos, situando-se nos 2,5 l/100 km em cidade com o modo híbrido selecionado. Existem quatro programas de funcionamento: híbrido, elétrico, poupança de carga de bateria (permite guardar energia para usar mais tarde) e carga (em que o motor Diesel também atua como gerador, carregando a bateria).

Quando se opta pelo modo de poupança da carga da bateria, os consumos passam para uma faixa entre os 6,5 e os 7 l/100 km, mesmo que nos deixemos levar pelo entusiasmo de ter tração traseira e 306 cv à disposição.

Resta ainda falar do comportamento dinâmico da Mercedes-Benz C 300 de. Mesmo com apenas duas rodas motrizes, o seu foco está mais na eficácia do que na diversão. Confortável e segura, a C 300 de sente-se especialmente à vontade em longas viagens de autoestrada e, ao chegar à cidade, encontra no motor elétrico o parceiro ideal.

É o carro certo para mim?

Do meu ponto de vista, a Mercedes-Benz C 300 de Station está muito perto de oferecer “o melhor de dois mundos”. Consegue combinar consumos interessantes de um Diesel com a capacidade de circular em modo 100% elétrico, e é pena que esta solução não tenha uma aposta ainda mais forte.

E se é certo que os híbridos plug-in nem sempre encaixam nas rotinas de toda a gente - afinal, é necessário criar o hábito de carregar e ter acesso simples a pontos de carregamento -, esta Mercedes-Benz C 300 de Station revela-se uma alternativa muito válida para quem faz muitos quilómetros por mês.

Com a economia típica de um Diesel e a possibilidade de percorrer até 53 km em modo 100% elétrico, a C 300 de Station soma ainda uma qualidade geral muito sólida e um nível de conforto convincente. A perda de volume da bagageira é um revés, mas, como diz o ditado, “não há bela sem senão”.


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