A compra do Novo Banco pelo Banque Populaire et Caisse d'Epargne (BPCE) coloca o grupo francês, segundo indica em comunicado, como “o segundo maior grupo bancário em França e o quarto maior na Área do Euro”.
Valor pago e cálculo do preço final da aquisição do Novo Banco
O BPCE desembolsa 6,7 mil milhões de euros pelo antigo BES, um montante 300 milhões de euros acima do que tinha sido anunciado em junho de 2025 (6,4 mil milhões de euros). Para esse ajustamento contribuíram os resultados de 2025 - com um lucro de 828 milhões de euros - e o desempenho positivo registado nos primeiros quatro meses de 2026.
Como detalha o novo acionista na nota enviada às redações, “De acordo com o definido no Memorando de Entendimento de junho de 2025 e nos subsequentes acordos de aquisição assinados em agosto e outubro de 2025, o preço final de aquisição a 31 de dezembro de 2025 foi fixado em 6,5 mil milhões de euros (ainda era desconhecido este valor), com base no resultado líquido de 2025 de 828 milhões de euros, o que corresponde a um múltiplo dos lucros de 2025 de 7,85 vezes”.
O mesmo comunicado acrescenta ainda que “com o aumento do capital próprio do Novo Banco, decorrente da atividade dos primeiros quatro meses de 2026, a 30 de abril de 2026, o preço de aquisição totalizou 6,7 mil milhões de euros”.
No mesmo enquadramento, o BPCE sublinha que “Portugal torna-se, assim, o segundo mercado doméstico do grupo francês para as suas atividades de banca de retalho”.
Encaixe para o Estado e posição das entidades públicas
O Ministério das Finanças refere, em comunicado, a contabilização deste novo valor e indica que a operação gerou um encaixe associado à participação no Novo Banco. Uma vez que o Estado detém 25% do capital, o encaixe financeiro totaliza 1.673 milhões de euros (906 milhões para o Fundo de Resolução e 766 milhões para Direção Geral do Tesouro).
Também o Banco de Portugal, numa nota própria, destaca que a “integração do Novo Banco num grupo bancário europeu de referência (o BPCE), bem como a evolução positiva do sistema bancário português na última década - hoje mais capitalizado, mais resiliente, mais valorizado e atrativo para investidores credíveis - confirmam que foram cumpridos os objetivos do Banco de Portugal na defesa do interesse público”.
Por seu lado, o Fundo de Resolução esclarece, em comunicado, que a conclusão da venda do Novo Banco permite receber 906 milhões de euros e que este valor “eleva para 1082 milhões de euros o valor total recebido pela participação no Novo Banco, encerrando um processo iniciado em 2014”.
A mesma entidade enquadra o desfecho afirmando que “a concretização desta operação é o corolário de um processo iniciado em agosto de 2014, com a criação do Novo Banco, enquanto banco de transição integralmente detido pelo Fundo de Resolução. Trata-se, pois, da última etapa de um percurso longo e muito exigente do qual o banco de transição, inevitavelmente frágil ao início e rodeado de ceticismo e dúvida, saiu como uma instituição viável e sólida”.
Declarações do BPCE e do novobanco
Nicolas Namias, presidente executivo do BPCE, afirma no comunicado: “A nossa ambição é apoiar o desenvolvimento do novobanco, mobilizando toda a experiência do BPCE para servir os seus clientes. Juntos, aprofundaremos o nosso apoio à economia portuguesa, reconhecida pelo seu dinamismo, e criaremos valor sustentável para os nossos clientes, colaboradores e acionistas cooperativos”.
O responsável acrescenta ainda: “Estamos satisfeitos e orgulhosos por dar as boas-vindas ao novobanco no BPCE e por reforçar o nosso compromisso de longo prazo com Portugal”.
O grupo francês refere igualmente tratar-se da sua primeira aquisição fora do mercado nacional. “Após a aquisição da BPCE Soluções de Equipamento em 2025, estamos a demonstrar a nossa capacidade para realizar grandes transações de crescimento que reforçam a nossa presença na Europa, em linha com o nosso projeto estratégico Visão 2030”, sublinha.
Nicolas Namias termina com o seguinte agradecimento: “Gostaria de expressar o meu sincero agradecimento às equipas do BPCE e do novobanco pelo seu notável compromisso nos últimos meses, bem como às autoridades portuguesas pela confiança depositada em nós ao longo deste processo, tendo sido concluído dentro do prazo previsto”, remata.
Mark Bourke, presidente executivo do Novo Banco - que permanece no cargo - afirma no mesmo comunicado que “fazer parte do BPCE é o início de um novo capítulo importante para o novobanco, permitindo-nos consolidar a nossa estratégia e reforçar ainda mais o nosso papel no financiamento da economia portuguesa”.
O gestor acrescenta que “com o apoio de um dos principais grupos bancários europeus, iremos reforçar a nossa capacidade financeira e expandir a experiência e saber-fazer que podemos proporcionar aos nossos clientes, tanto no segmento de retalho como de empresas”, concluindo que “esta jornada continuará a ser impulsionada pela dedicação e experiência dos colaboradores do novobanco, reforçando na nossa missão de sermos o parceiro de confiança para as famílias e empresas, e de contribuir de forma significativa e sustentável para o crescimento económico de Portugal.”
Próximos passos após o fecho da operação
Depois do fecho da transação, deverá ainda ser conhecida a composição dos órgãos sociais designados pelo BPCE, nomeadamente no que respeita ao administrador financeiro e a três membros do Conselho Geral de Supervisão.
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