Morar na cidade tem um efeito colateral bem conhecido: mal se leva um café ou uma cerveja ao fim do dia para o exterior e já parece que se está sob um holofote. Abrem-se janelas, alguém se inclina sobre a varanda, e olhares curiosos acompanham cada movimento. Com o tempo, muita gente desiste e quase deixa de usar a varanda, o pátio ou o pequeno jardim. É precisamente para este cenário que a IKEA tem uma solução esperta, que junta resguardo de privacidade, assento e arrumação - sem furos, sem buchas e sem obras.
Porque é tão difícil ter privacidade na varanda e num pequeno jardim
Em zonas urbanas, as casas ficam muitas vezes demasiado próximas. O vizinho do outro lado vê directamente para a varanda, no pátio há contentores do lixo que ninguém quer ter à vista, e parece haver sempre alguém encostado à janela. As opções clássicas - sebes altas, vedações fixas ou muros - costumam esbarrar nestes obstáculos:
- Falta de espaço: em varandas estreitas, cada centímetro conta.
- Regras do senhorio ou do condomínio: furar, fixar com buchas ou montar paredes de privacidade permanentes é muitas vezes proibido.
- Custos e trabalho elevados: um resguardo fixo pode ficar rapidamente caro e exigir mão de obra.
- Alternativas demoradas: sebes e trepadeiras levam anos até ficarem realmente densas.
Daí que muitos procurem algo com efeito imediato, que não precise de ancoragem definitiva e que possa ser deslocado quando for necessário. É exactamente isso que oferece uma peça da série NÄMMARÖ da IKEA, que tem gerado bastante conversa em redes sociais e fóruns.
O resguardo NÄMMARÖ: o que está por trás da ideia 3 em 1
A base do conceito é um resguardo autoportante em madeira maciça de acácia. As ripas de madeira estão dispostas para travar olhares indiscretos, mas sem bloquear totalmente a luz e o ar. Em vez de “fechar” o espaço, cria-se uma estrutura leve de madeira que ajuda a organizar e a dividir a zona exterior.
O painel de privacidade, por si só, tem cerca de 140 centímetros de altura e aproximadamente 80 centímetros de largura. A base, com cerca de 50 centímetros, dá estabilidade sem ocupar demasiado chão. Para varandas pequenas, isto faz diferença: dá para encostar o resguardo à guarda e sentar-se atrás, num banco ou numa cadeira, ficando bem mais protegido de olhares vindos da rua ou de apartamentos em pisos inferiores.
O princípio é simples: um elemento móvel que corta linhas de visão, mas sem “cimentar” o exterior - ideal para espaços urbanos apertados.
A madeira de acácia é uma boa escolha para exterior por ser relativamente dura e resistente às condições meteorológicas. Com manutenção básica - limpeza com água e sabão e, uma a duas vezes por ano, aplicação de óleo ou lasur - a peça mantém-se bonita por muito mais tempo.
Resguardo de privacidade, banco e arrumação num só móvel
Para áreas ainda mais compactas, a versão mais interessante é a que combina resguardo, banco e arrumação integrada. As medidas rondam 80 × 68 × 140 centímetros. Por cima, senta-se; por dentro, guardam-se coisas pequenas; atrás, as ripas de madeira criam o resguardo.
A arrumação dá jeito, por exemplo, para:
- almofadas e colchonetes
- mantas para noites mais frescas
- ferramentas pequenas de jardim ou um regador
- brinquedos das crianças para o pátio
Em termos de preço, observações de mercado apontam para cerca de 75 euros no caso do resguardo simples. O módulo completo com banco e arrumação costuma ficar, consoante campanhas, sensivelmente entre 170 e 220 euros. Para quem quer transformar poucos metros quadrados num refúgio utilizável, é um investimento relativamente controlado.
O quão trabalhoso é a montagem?
A montagem segue o padrão de outros móveis da IKEA: parafusos, peças de madeira e instruções ilustradas. Muitos compradores dizem que dá para montar sozinho, desde que se conte com algum tempo. Para levantar e posicionar a peça, uma segunda pessoa ajuda a evitar que tombe. Não é necessário equipamento especial; uma chave de parafusos normal ou uma aparafusadora a bateria chega.
Quem já montou uma estante simples da IKEA deve desenrascar-se bem com este módulo - o essencial é não ter pressa e seguir as instruções com atenção.
Como este módulo muda o dia a dia na varanda e no mini-jardim
A maior vantagem está na mobilidade. O resguardo não é aparafusado nem à parede nem ao chão. Pode ser deslocado conforme a utilização do momento, por exemplo:
- de manhã, como quebra-vento para o café
- ao meio-dia, como zona de sombra em pleno sol
- à noite, como barreira ao encandeamento de faróis ou candeeiros de rua
- ao fim-de-semana, como divisória entre a zona de brincadeiras das crianças e a área de refeições
Em pátios interiores estreitos, isto permite criar um canto bem definido onde se está vestido como se estivesse na sala, em vez de “em exposição”. Senta-se no banco, encosta-se às ripas, e os olhares vindos do segundo ou terceiro andar ficam muito mais atenuados.
Ideias de decoração: da protecção da madeira ao refúgio verde
As ripas funcionam muito bem como suporte para um pouco de verde vertical. Se não for permitido furar paredes, basta recorrer a ganchos em S ou suportes de plantas para pendurar. Em poucos minutos, surgem pequenas “paredes verdes”:
- vasos de aromáticas com alecrim, tomilho ou hortelã
- plantas pendentes pequenas como a jiboia (em varandas abrigadas)
- gramíneas ornamentais em vasos estreitos para ganhar altura
- floreiras com morangos ou malaguetas para quem gosta de petiscar
Nas cidades, a abordagem vertical é especialmente útil porque a área de chão é limitada. As plantas reforçam o efeito de privacidade, ajudam a amortecer ligeiramente o ruído e criam distância visual. E, se colocar à frente vasos maiores com bambu ou gramíneas, consegue facilmente mais 30 a 50 centímetros de protecção visual acima dos 140 centímetros da madeira.
Exemplos para diferentes espaços exteriores
Varanda estreita: coloque o módulo paralelo à guarda, com o banco virado para dentro. A superfície de madeira protege de olhares de baixo e de frente. Atrás, ainda cabem uma mesa estreita e duas cadeiras.
Mini-jardim num pátio interior: use o móvel para separar a zona de refeições da área com espreguiçadeira. Do “lado de trás”, podem ficar escondidos os contentores do lixo ou a unidade exterior do ar condicionado. O espaço passa a parecer mais arrumado e menos técnico.
Terraço ao nível do rés-do-chão: com dois módulos em L, cria-se uma espécie de nicho de madeira. Nesse canto, dá para ler, telefonar ou trabalhar sem a sensação de estar a ser observado. À noite, as almofadas vão para a arrumação e fica tudo guardado num instante.
Com dois módulos, cria-se rapidamente um pequeno “quarto ao ar livre”, que pode mudar de função conforme a ocasião - do canto de leitura à zona das crianças.
Quanta privacidade isto dá, na prática?
Este tipo de resguardo é mais eficaz contra olhares laterais e oblíquos, ou contra curiosidade a curta distância. Para vistas directas a partir de pisos muito acima, um único módulo raramente chega. Nesses casos, ajuda combinar:
- o módulo de madeira como base
- gramíneas altas ou bambu em vaso
- um toldo ou uma vela de sombra
Ao colocar os módulos ligeiramente desencontrados, dá para quebrar linhas de visão de forma inteligente. Vale a pena, inclusive, testar de onde vem a maior exposição - por exemplo, olhando a partir de um ângulo equivalente ao do vizinho, se a relação o permitir. Assim, percebe melhor de que lado é mais visível e posiciona o conjunto com mais precisão.
Dicas de manutenção, segurança e utilização a longo prazo
Móveis de madeira em varandas e terraços envelhecem mais depressa quando ficam à chuva. A acácia aguenta bastante, mas beneficia de óleo de manutenção ou lasur. Se no inverno cobrir com uma capa de protecção ou guardar na arrecadação, a durabilidade aumenta de forma significativa.
Em locais ventosos, é importante pensar na estabilidade. Consoante o piso, pode fazer sentido adicionar peso ao banco com almofadas, vasos ou caixas. Em terraços de cobertura com vento forte, compensa verificar se o módulo está firme e se não tem tendência a escorregar.
Há ainda um pormenor que passa muitas vezes despercebido: a arrumação convida a guardar de tudo - de decoração a ferramentas. Mas para coisas muito sensíveis à humidade, como electrónica ou livros valiosos, é melhor não contar com armazenamento prolongado. Pode sempre formar-se condensação, mesmo que a tampa feche bem.
Tirar mais partido de poucos metros quadrados
Quem quase não usa o exterior por se sentir observado costuma subestimar o impacto que um bom “sentir do espaço” tem na qualidade de vida. Um elemento que junta assento, superfície de apoio e resguardo de privacidade resolve vários problemas do dia a dia ao mesmo tempo: menos confusão, mais sensação de refúgio e mais vontade de ir realmente para a varanda.
O resguardo NÄMMARÖ mostra como um móvel bem pensado pode ter um efeito desproporcional. Com algumas plantas, uma grinalda de luzes e almofadas confortáveis, uma faixa de varanda antes “morta” transforma-se rapidamente num lugar preferido - mesmo no meio de uma cidade densa.
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