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Rúben Dias e o jogo de palavras com os jornalistas

Jogador de futebol português em entrevista coletiva com vários microfones e jornalistas à frente.

Rúben Dias e o tom escolhido diante dos jornalistas

Rúben Dias tem estatuto e uma dicção segura, com linguagem verbal e corporal afinadas com aquilo que quer fazer passar. Sabia ao que vinha e como o executar, mas foi também ele quem definiu a cadência: um registo acintoso, com a intenção de orientar leituras e condicionar interpretações. Foi uma escolha acertada, pela facilidade com que corta ruído que possa contaminar o espírito de grupo, sem pudor em soar deselegante, deixando no entanto um sorriso suspenso para amortecer o impacto. Procurou a graça para reduzir a margem das perguntas, protegeu-se num patrão para não responder a mais do que uma pergunta do mesmo jornalista, insinuou falsidades nas questões colocadas, negou palavras que já tinha proferido e ainda tentou fazer-nos parecer uma turma que saiu junta para ir “tomar cogumelos” delirantes, quase ali colada num alvoroço sem nexo.

Assertividade, bicadas e o peso de quem não vacila

Ainda assim, nada a assinalar: fair-play total. Até porque, por trás do discurso afirmativo - e no meio das suas bicadas aos jornalistas - há um peso extra: alimenta a exigência e há jogadores capazes de andar sobre brasas sem pestanejar. E, sem dúvidas, Rúben é um deles. O que falta perceber é se o conjunto, de caçulas em Mundiais a elementos mais leves no compromisso, tem idêntica capacidade para apagar incêndios, serenizar hostes e entregar a resposta de uma coesão indestrutível, como aconteceu, por exemplo, no Euro 2016, quando prevaleceu a lógica do importa como acaba e não como começa.

Roberto Martínez, a FPF e a narrativa das redes sociais

Rúben apareceu para desfazer nós: aura de central, intimidade com o palco, impondo porte em cada resposta. Terá merecido nota máxima de Roberto Martínez, a varrer polémicas e a tentar impor a narrativa das más-línguas, de histórias inventadas ou reencenadas, tudo a multiplicar-se na mente criativa dos jornalistas a partir das redes sociais. Teria sido o nosso adorável canal aberto - as redes dos jogadores - a violar o sistema noticioso, ficámos a saber. Fomos lá, gulosos e famintos, sacar frames e montar filmes. E que abuso de confiança, nem sequer fomos atrás do contexto. E se existisse um contexto prévio, fornecido pela FPF? Não seria a receita certa para nos doutorarmos com sabedoria no conhecimento biológico de um recato na praia!

Rúben Dias escolheu um trilho e ganhou: teve estofo para manter a personagem fria e implacável até ao fim. O triunfo final pode vir a ser de todos e aí até das "más-línguas", esses safados de "dardos lancinantes", que sugam sangue até ao tutano como vampiros insaciáveis. No fundo, as verdades puxam pela superação, mesmo quando são encaradas como conspirações. A tareia opinativa em cima de um mau resultado e de uma exibição de nível constrangedor tem o condão de disparar uma cadeia de reações e de picar o ego.

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