Em ambiente urbano, quase nos esquecemos de que há um motor a gasolina. O Mitsubishi Outlander PHEV revela-se extremamente eficiente.
Há pouco mais de dez anos, a eletrificação não dominava conversas - era, quando muito, um tema de nicho. A Toyota já vendia híbridos em volumes relevantes e o Nissan Leaf estava a dar os primeiros passos, mas quem mexia verdadeiramente o mercado eram os Diesel.
Foi neste cenário que a Mitsubishi juntou vários meios especializados para mostrar uma alternativa diferente: um híbrido plug-in aplicado ao SUV Outlander. A data era 2012.
O impacto foi imediato. Mesmo com uma rede de carregamento ainda limitada - com CHAdeMO como referência japonesa -, o Mitsubishi Outlander provou ser uma opção credível: permitia andar grande parte do tempo em modo elétrico, mantendo o motor de combustão como garantia de autonomia para viagens mais longas. Agora, passados mais de dez anos, chega finalmente à Europa a nova geração do modelo que abriu caminho ao segmento dos híbridos plug-in.
A fasquia está, por isso, muito elevada. Ainda assim, e sem desvalorizar os restantes modelos da marca, o Outlander PHEV 2024 apresenta-se como um Mitsubishi autêntico, com tecnologia 100% japonesa. Neste primeiro contacto, fizemos a ligação entre Lisboa e Montemor-o-Novo (nem sempre por alcatrão…) e, em muitas ocasiões, com o motor a gasolina desligado.
O “novo” Mitsubishi Outlander
Para nós, europeus, este Outlander é novidade; noutros mercados, nem por isso. A marca japonesa decidiu esperar por uma atualização e por melhorias importantes no habitáculo antes de trazer o modelo para a Europa. Nos EUA, a receção tem sido positiva e o percurso comercial, interessante.
As medidas são generosas (4,72 m de comprimento) e até podia parecer que haveria sete lugares. No entanto, não é essa a aposta. A Mitsubishi preferiu concentrar-se numa bagageira ampla: quase 500 litros de capacidade.
No capítulo estético, existem sete cores para a carroçaria, com possibilidade de combinação com tejadilho em preto e jantes de 18” ou 20”, de acordo com o nível de equipamento escolhido: Intense ou Instyle - no caso do mercado nacional.
Atenção ao detalhe
Assim que nos sentamos ao volante do Mitsubishi Outlander PHEV, a sensação é clara: não estamos perante um exercício de redução de custos. A equipa recorreu à conhecida filosofia Omotenashi, orientada para a hospitalidade e para um rigor de montagem muito elevado.
Percebe-se o cuidado na seleção de materiais. E, nesse enquadramento, até o áudio recebeu atenção especial, com um sistema desenvolvido em parceria com outra empresa japonesa, a Yamaha. Já o infoentretenimento pode não ser «líder da classe», mas cumpre no essencial, com Apple CarPlay e Android Auto sem fios.
Quer à frente, quer atrás, espaço não é motivo de queixa. Eu, pelo menos, não me queixei - e meço 1,85 m. Bem sei que as crianças hoje em dia são muito exigentes…
Experiência comprovada
Se há marca que conhece bem a arte de tirar partido da tração, é a Mitsubishi - e uma parte substancial desse conhecimento foi construída nas competições mais exigentes do planeta. O Dakar é um bom exemplo.
Essa herança nota-se nos modelos de estrada, e o novo Mitsubishi Outlander PHEV é um deles. O seu sistema híbrido plug-in recorre a dois motores elétricos - um por eixo - e a um motor térmico. Apesar de não existir uma ligação física entre os eixos, a marca afirma conseguir uma repartição de binário muito próxima do ideal, com ajustes ainda mais rápidos em função da aderência.
Além disso, o sistema S-AWC (Super All Wheel Control) consegue também gerir ativamente o binário enviado para cada roda, reforçando a estabilidade em situações menos convencionais.
Muita autonomia com pouca gasolina
Na Europa, o Mitsubishi Outlander PHEV é proposto com uma única configuração. Para lá dos dois motores elétricos já referidos, existe um motor a gasolina de 2,4 litros. Em conjunto, entregam mais de 300 cavalos de potência, mas o ponto forte aparece sobretudo quando circulamos em modo totalmente elétrico.
Enquanto houver energia na bateria de 22,7 kWh, o modo EV (elétrico) permite utilizar apenas os dois motores elétricos, que se mostraram mais do que suficientes num uso normal.
Em trajetos mais longos, com mais estrada e autoestrada, o modo híbrido paralelo tende a ser a escolha mais acertada, porque aí a deslocação 100% elétrica deixa de ser a solução mais eficiente. Nestas circunstâncias, é o motor térmico que assume a locomoção, embora possa receber apoio dos elétricos, por exemplo, nas acelerações.
No dia a dia, isto traduz-se numa autonomia 100% elétrica que pode ultrapassar os 80 km num percurso misto e ficar acima dos 100 km quando o trajeto inclui uma maior componente de condução urbana. Com o motor térmico a trabalhar em conjunto com o sistema, a marca anuncia uma média de consumo inferior a um litro de gasolina por cada 100 km e uma autonomia total superior a 830 km.
Quando chega a altura de ligar o Mitsubishi Outlander PHEV à tomada, existem várias possibilidades, incluindo carregamento rápido com ligação CHAdeMO. Assim, é possível atingir 80% de carga em cerca de 32 minutos. Num carregador doméstico convencional de 3,5 kW, o carregamento completo demora aproximadamente 6,5 horas.
Caro? Talvez não…
Pedir quase 50 mil euros por um SUV híbrido plug-in pode parecer excessivo - sim, os automóveis, no geral, estão muito caros -, mas o preço do Mitsubishi Outlander PHEV está alinhado com a concorrência e torna-se particularmente interessante para empresas.
A versão de entrada, com o nível “Intense”, custa 44 mil euros mais IVA (540120 euros), ao passo que a mais equipada, “Instyle”, é proposta por 48 mil euros mais IVA (590040 euros). Considerando os escalões de tributação autónoma de 2025, o Outlander fica já enquadrado no 2.º escalão.
O ponto forte é que o Intense, apesar de ser a proposta base, já traz um equipamento de série muito completo. Não faltam jantes de 20”, iluminação Full-LED, bancos em pele e Alcantara, nem o sistema de som desenvolvido em parceria com a Yamaha.
Face ao Instyle, as diferenças passam por um sistema de som mais avançado, pintura bicolor, teto de abrir panorâmico e bancos em pele Premium, todos com aquecimento e os dianteiros com comandos elétricos, memórias e ventilação.
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