Com mais de 20 milhões de unidades comercializadas desde a estreia do primeiro modelo, em 1975, o Polo prepara-se para dar o salto para a sétima geração. Desta vez, a mudança é total: pela primeira vez, o Polo passa a ser 100% elétrico. Assim nasce o Volkswagen ID. Polo.
O novo modelo, que chega aos concessionários a partir desta primavera, recupera referências históricas - tanto no desenho exterior como no conceito do habitáculo e até na designação. A Volkswagen está a deixar gradualmente de lado a numeração usada nos seus elétricos para voltar a apostar em nomes próprios.
A linguagem estética chama-se “Pure Positive” e foi desenvolvida por Andy Mindt, um designer da casa, conhecedor como poucos dos traços que ajudaram a definir os Volkswagen do passado. Um trabalho de grande nível que já tivemos oportunidade de confirmar ao vivo:
O pilar traseiro replica a silhueta que se tornou conhecida com o Golf original (também do início dos anos 70). Junta-se um «rosto» simpático, linhas laterais muito sólidas e uma traseira marcada por uma faixa luminosa transversal que ocupa toda a largura, além de um óculo traseiro prolongado até aos pilares.
A carroçaria apresenta um coeficiente aerodinâmico relativamente baixo (Cx de 0,26), um ponto essencial para ajudar a aumentar a autonomia em condução elétrica.
Em medidas, o ID. Polo tem 4053 mm de comprimento (-20 mm face ao Polo a gasolina), 1816 mm de largura (+45 mm) e 1530 mm de altura (+80 mm, explicados pela bateria montada sob a plataforma). A distância entre-eixos cresce de forma clara: mais 50 mm, o que, como seria de esperar, melhora a habitabilidade nos lugares traseiros.
Regresso dos botões físicos
No interior, percebe-se imediatamente que a Volkswagen teve em conta as críticas e procurou resolver os aspetos menos apreciados nos primeiros modelos da família elétrica ID.
Desde logo, o controlo da climatização deixa de depender de superfícies táteis deslizantes na parte inferior do ecrã. Em vez disso, as funções passam para uma faixa dedicada de botões físicos no topo da consola, contrariando a tendência de concentrar tudo no sistema de infoentretenimento.
A mesma lógica aplica-se ao volume do rádio, agora regulado por um simples comando rotativo, colocado isoladamente na base da consola central.
O painel de instrumentos digital mede 10″ e surge com novos grafismos, além de opções de personalização. O destaque vai para a vista retro, que recupera o desenho do Volkswagen Golf original dos anos 70.
No centro do tablier encontra-se um ecrã de infoentretenimento de 13″, montado na horizontal para não prejudicar a visibilidade para o exterior durante a condução. O volante também é novo: tem um formato “cortado” em cima e em baixo e uma nova distribuição dos botões, com os comandos do cruise control e dos assistentes de condução à esquerda e, à direita, os controlos da informação apresentada na instrumentação.
Na zona inferior do painel pode existir uma base de carregamento sem fios para telemóveis, consoante o nível de equipamento - Trend, Life ou Style. Nota ainda para o facto de a versão de entrada já oferecer carregamento em corrente contínua (DC) da bateria. Já o nível Life inclui carregamento por indução do telemóvel, bagageira variável e Apple CarPlay e Android Auto sem fios. No topo de gama, somam-se faróis LED Matrix, bancos aquecidos e ar condicionado de duas zonas.
Outro regresso bem-vindo é a reposição de quatro botões para comandar os vidros das quatro portas. Nos ID atuais existem apenas dois botões e um comutador para alternar entre vidros dianteiros e traseiros - uma solução criada para simplificar e reduzir custos, mas que o público da marca alemã não aprovou.
Surpreendente é também a capacidade da bagageira: 441 litros (351 litros no Polo a combustão), o que a torna maior do que a do Volkswagen Golf (380 litros), apesar de este pertencer a um segmento superior.
Melhoria no chassis
Em termos dinâmicos, a Volkswagen garante um bom comportamento para o ID. Polo. À frente recorre a uma suspensão independente McPherson, mas atrás o conjunto é mais simples do que nos restantes ID, adotando um novo eixo com barra de torção. Além disso, passa a utilizar discos maciços na travagem, em vez dos tambores mais básicos usados nos primeiros ID.
Os engenheiros alemães apontam ainda para uma resposta consistente do travão graças a um sistema de “uma-caixa”, que melhora a transição entre a travagem regenerativa no início do curso do pedal e a travagem por fricção na parte final.
Foi precisamente essa sensação que tivemos ao conduzir um ID. Polo ainda camuflado (protótipo) - reveja esse vídeo aqui - e o novo ID. Cross, que recorre à mesma mecânica e aos principais componentes.
Autonomia até 455 quilómetros
O novo Volkswagen ID. Polo, baseado na geração mais recente da plataforma MEB+, pode contar com duas baterias (conceito célula-para-pack, ou seja, sem módulos).
A primeira tem 37 kWh e química LFP (lítio de ferro-fosfato), podendo ser associada a motores elétricos de 85 kW (116 cv) ou 99 kW (135 cv). Aceita carregamentos até 90 kW (em corrente contínua, DC) e promete uma autonomia máxima de 329 quilómetros. Já o carregamento em corrente alternada é sempre de 11 kW.
As versões de 155 kW (211 cv) e o futuro GTI de 166 kW (226 cv) recorrem a uma bateria de 52 kWh, com química NMC (Níquel, Manganês, Cobalto), de maior densidade energética. A autonomia mais elevada é anunciada pela versão de 155 kW, com até 455 quilómetros.
Em corrente contínua, a potência de carregamento pode atingir 105 kW em DC. Quanto aos tempos, a Volkswagen indica 27 minutos em DC para passar de 10% a 80%.
Sobre prestações, sabe-se apenas que a velocidade máxima é de 160 km/h - o GTI deverá chegar aos 180 km/h -, até porque a diferença de peso entre as versões com as duas baterias é mínima (1568 kg com a LFP e 1576 kg com a NMC).
O Volkswagen ID. Polo estreia ainda um som de presença (obrigatório até 20 km/h para que os automóveis elétricos alertem os peões) que se mantém audível até aos 25 km/h, em qualquer modo de condução. No modo Sport, há um alerta acústico com frequências mais desportivas, que se ouve até aos 50 km/h.
Quando chega?
O Volkswagen ID. Polo será produzido na fábrica da SEAT S.A., em Martorell, Espanha, a par do «primo» CUPRA Raval, o primeiro elétrico desta nova ofensiva do Grupo Volkswagen a ser revelado e que também já pudemos conhecer:
Ainda não existe uma data exata para o início das vendas do ID. Polo, mas tudo aponta para que aconteça em breve, antes do lançamento da variante GTI. Em paralelo, os preços continuam por anunciar, mas tudo indica que comecem nos 25 mil euros.
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