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Citroën ë-Berlingo 100% elétrico: espaço a sério no MAX XTR

Citroën E-Berlingo branco estacionado em interior moderno com parede de vidro e posto de carregamento elétrico.

O Citroën ë-Berlingo é uma proposta 100% elétrica para quem precisa de espaço. Nesta configuração, vem carregado de opcionais - e ainda com mais alguns.


O Citroën ë-Berlingo surge como a interpretação totalmente elétrica de um modelo que já faz parte do nosso quotidiano há vários anos. A geração mais recente recebeu agora um refrescamento visual, onde se destaca a nova identidade da marca francesa - incluindo o novo logótipo - acompanhada por outras atualizações.

Uma das notas mais interessantes é que este é um dos automóveis atualmente fabricados na unidade da Stellantis em Mangualde. Não foi o caso do exemplar que conduzi, montado em França, mas fica a possibilidade para futuros ensaios.

O Citroën Berlingo integra a família de «irmãos gémeos» onde também encontramos o Fiat Dobló, o Opel Combo e o Peugeot Partner. Para muita gente continua a ser «apenas» um comercial ligeiro com mais vidros e bancos; ainda assim, depois de alguns dias ao volante, a perceção muda - porque há aqui bem mais do que isso.

Se nas versões orientadas para trabalho se privilegiam soluções pensadas para um uso profissional, as variantes de passageiros assumem-se como um verdadeiro carro de família. E fazem-no com um trunfo evidente: tiram partido de praticamente todo o volume útil dentro da carroçaria, resultando numa opção muito prática e versátil para o dia a dia de qualquer agregado.

Espaço para tudo e todos

Quando o tema é habitabilidade e a prioridade número um é o espaço, não há grande margem para rodeios: esta está entre as propostas mais fortes do mercado - e é fácil perceber o porquê.

O desenho mais “caixa”, pensado para maximizar a capacidade de carga, mantém uma pegada típica de um familiar. Falamos de 4,4 metros de comprimento e 1,85 metros de largura - muito próximo, por exemplo, do que encontramos num Citroën C3 Aircross.

A diferença marcante está na altura: são 1,8 metros, e isso melhora claramente a vida a bordo.

Nota-se de imediato, mal me sento ao volante - seja pela perspetiva no espelho retrovisor, seja pela distância ao para-brisas. No ë-Berlingo, espaço é algo que não falta. E a Citroën reconhece-o: preservou as soluções de arrumação das versões comerciais e acrescentou outras. No total, existem 27 espaços de arrumação.

Na zona superior do tabliê, por exemplo, há compartimentos fechados; e por cima das cabeças surge uma prateleira onde cabem casacos ou chapéus de chuva. Além disso, na versão de passageiros mais equipada - a XTR, como a que testei - existe também um teto panorâmico em vidro, acompanhado por uma prateleira longitudinal com iluminação em LED.

Acesso mais do que amplo

Para chegar aos lugares traseiros, recorre-se a uma solução típica dos comerciais: portas laterais deslizantes, montadas de ambos os lados. Pode não ser a opção mais consensual do ponto de vista estético - depende do gosto - mas na prática oferece uma abertura muito generosa (em altura e em largura) e reduz bastante a probabilidade de tocar no carro ao lado quando se estaciona em locais apertados.

Ainda assim, há um ponto menos conseguido - e, na minha perspetiva, até algo inseguro: com a ficha de carregamento ligada, a porta lateral traseira esquerda fica impedida de abrir.

No que toca à bagageira, há duas formas de acesso. A primeira passa por abrir a grande porta traseira, que ocupa praticamente toda a secção posterior do Citroën ë-Berlingo - o que exige algum espaço livre atrás. Quando isso não é viável, é possível abrir apenas o óculo traseiro, que permite um acesso surpreendentemente amplo, mais do que em muitas bagageiras que já utilizei. E isto sem esquecer os cerca de 600 litros disponíveis para bagagem.

As soluções úteis no dia a dia também aparecem aqui. O piso, por exemplo, pode ser colocado na posição inferior ou a meia altura. Assim, quando se usa o óculo traseiro para aceder à bagageira, fica um compartimento com cerca de 300 litros totalmente escondido.

Existe ainda uma zona de arrumação no topo da bagageira para objetos mais pequenos, acessível tanto pelo lado do compartimento de carga como a partir do interior do habitáculo.

Uma questão de conforto

Também aqui se volta a notar a origem “comercial” do Citroën ë-Berlingo. No entanto, a suspensão recebe uma afinação diferente da das versões de trabalho - sem perder a robustez. Curiosamente, quanto mais carregado o carro estiver, mais confortável se revela, e a passagem por lombas torna-se bastante aceitável.

Em pisos degradados, a suspensão parece dar boa conta de irregularidades acima da média, e o isolamento a bordo não desilude. O ponto menos positivo fica sobretudo na qualidade percecionada de muitos materiais, maioritariamente rígidos. Em contrapartida, os materiais da parte superior do tabliê incluem partículas de cor misturadas - por serem de origem reciclada - e isso acaba por dar um toque visual mais interessante ao interior.

Na versão XTR, como a unidade ensaiada, os bancos são os Advanced Comfort e os revestimentos apresentam um padrão mais colorido. À frente, os apoios de braços estão integrados; atrás, os três assentos rebatem totalmente e de forma individual. Existem tabuleiros rebatíveis para os passageiros traseiros e, à frente, não falta sequer uma tomada de 230V, como as de casa.

Um familiar em modo elétrico

E como se conduz este Citroën Berlingo elétrico? A sensação é semelhante à de muitos outros familiares, com a vantagem de uma posição de condução mais alta, quase com a atitude de um SUV. A postura já não é tão vertical como era há uns anos e a coluna de direção está bem colocada.

Nesta proposta 100% elétrica, encontramos a mesma base que já experimentámos noutros modelos do Grupo Stellantis: 136 cv e uma bateria de 50 kWh de capacidade (46,3 kWh utilizáveis). De acordo com a marca, isto permite atingir 341 km, um valor que bate certo, de forma aproximada, com os 320 km que o exemplar testado indicava no levantamento, com a bateria a 98%.

Em consumo, o uso diário deverá traduzir-se em médias entre os 16 e os 17 kWh/100 km. Com alguma atenção, dá para baixar da fasquia dos 16 kWh/100 km. Na prática, isto coloca a autonomia real um pouco abaixo dos 300 km.

MAX XTR. Preços e equipamento

A MAX XTR é o topo de gama na oferta de passageiros do Citroën ë-Berlingo, acima das versões Plus e MAX. Em comparação com a opção de entrada (Plus), que custa 36 0301 euros, é preciso somar 2500 euros para chegar à MAX e mais 300 euros para transformar um ë-Berlingo MAX num MAX XTR, como o da unidade ensaiada.

Este nível inclui jantes de liga leve de 17”, um pacote estético mais ousado com apontamentos em vermelho e para-choques específicos, além das alterações já referidas no interior, com um padrão exclusivo para os bancos.

E se, por uma hipótese remota, o espaço do Citroën ë-Berlingo não chegar? A marca tem alternativa: a versão XL. O comprimento passa de 4,4 metros para 4,75 e a lotação sobe de cinco para sete lugares.

Veredito

Especificações técnicas

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