O Governo de Espanha afirmou este sábado que está tudo a postos nas Canárias para garantir o desembarque e o repatriamento das pessoas que se encontram no navio onde foram detetadas infeções com hantavírus, no âmbito de uma "operação inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes".
No navio de cruzeiro "MV Hondius", que esteve em quarentena em Cabo Verde e deverá chegar às Canárias na próxima madrugada, seguem 147 pessoas de 23 nacionalidades, entre passageiros, tripulação e equipas médicas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).
Operação nas Canárias: desembarque e repatriamento a partir de Tenerife
Nas Canárias, em Tenerife, deverão desembarcar mais de 100 pessoas, que serão repatriadas a partir de um aeroporto da ilha, em aviões de vários países e também da União Europeia (UE). Permanecerão, porém, a bordo 43 membros da tripulação, que na segunda-feira retomarão a viagem para levar o paquete até aos Países Baixos, onde está registada a propriedade do "MV Hondius" e de onde é o armador.
A ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, descreveu a operação, numa conferência de imprensa em Madrid, como uma "operação inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes".
Segundo Mónica García, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou que as Canárias são o porto mais próximo que reúne todas as condições logísticas e de segurança para esta operação, algo que a ministra disse hoje ser "um orgulho" para o país, apesar dos protestos de autoridades e habitantes das Canárias nos últimos dias.
Medidas de segurança em Tenerife (porto de Granadilla e aeroporto Tenerife Sul)
Na mesma conferência de imprensa, Mónica García e o ministro da Administração Interna de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, voltaram a assegurar que o desembarque e o repatriamento a partir de Tenerife decorrerão em áreas reservadas e isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local.
Também o trajeto - com cerca de 10 quilómetros - entre o porto e o aeroporto, que será feito em veículos militares, ficará isolado.
Passageiros e tripulantes só abandonarão o navio quando o respetivo avião de repatriamento estiver pronto a descolar, sendo depois conduzidos diretamente para a pista. Todas as pessoas envolvidas usarão máscaras e outros equipamentos de proteção sanitária.
"O dispositivo está todo preparado" para que a operação se realize "da forma mais rápida possível e em condições de máxima segurança", frisou por várias vezes o ministro Grande-Marlaska.
Neste momento, a previsão é que o "MV Hondius" chegue ao porto de Granadilla entre as 04h00 e as 06h00 de domingo (mesma hora em Lisboa). O barco não vai tocar na costa e ficará ancorado; por isso, serão utilizadas lanchas para retirar as pessoas em pequenos grupos e por nacionalidades, explicaram os dois ministros.
Situação sanitária e casos de hantavírus no "MV Hondius"
Atualmente, todas as pessoas a bordo estão sem sintomas. A OMS já assegurou que a transmissão apenas ocorre em contacto muito próximo com um infetado.
Os primeiros a sair deverão ser os 14 espanhóis presentes no navio, que serão transportados para um hospital militar em Madrid, onde ficarão em quarentena obrigatória por decisão de um juiz. Os restantes serão repatriados ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil, com aviões da União Europeia e de países membros, bem como em aeronaves de Estados não comunitários. Os Estados Unidos e o Reino Unido já confirmaram o envio de aviões para recolher os seus cidadãos.
Passageiros e tripulantes apenas poderão sair com pequenos pertences, mantendo-se as bagagens no navio. O cadáver de uma passageira alemã, que morreu durante o cruzeiro e permanece a bordo, seguirá igualmente para os Países Baixos.
A coordenação da operação ficará a cargo de Espanha, dos Países Baixos, da OMS e do ECDC.
O Governo de Espanha anunciou que o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chega este sábado às Canárias para acompanhar a operação. Antes, fará escala em Madrid, onde será recebido pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
A OMS confirmou até agora seis casos entre oito suspeitas de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram no navio. Três pessoas morreram, e nenhum doente - nem qualquer suspeito de infeção - permanece atualmente a bordo.
O navio seguia da Argentina para Cabo Verde, atravessando o Atlântico Sul, e no passado fim de semana desencadeou um alerta sanitário internacional, quando a OMS foi informada da morte de três passageiros, cuja causa suspeita era o hantavírus.
Em regra, este vírus é transmitido a partir de roedores infetados. A variante identificada no paquete - o hantavírus Andes - é rara e pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
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