Com a confirmação de vários casos de hantavírus entre pessoas que viajavam no cruzeiro MV Hondius, autoridades de diferentes países, em articulação com a Organização Mundial de Saúde (OMS), procuram perceber onde ocorreu a transmissão e identificar quem saiu do navio antes de este ficar fundeado ao largo de Cabo Verde - numa fase em que o surto ainda não era conhecido - para evitar nova propagação.
Passageiros do MV Hondius já desembarcados e sob vigilância
Segundo as autoridades dos Países Baixos, foi na quinta-feira divulgado que cerca de 40 passageiros do cruzeiro desembarcaram na ilha de Santa Helena, já depois de ter morrido o primeiro passageiro. Nesse grupo estariam a cidadã neerlandesa que viria a ser internada na África do Sul e o cidadão suíço que também recebeu cuidados médicos.
As autoridades neerlandesas admitem não saber onde se encontram os restantes passageiros que, nessa altura, saíram do navio.
Ainda assim, sabe-se que dois cidadãos britânicos, entretanto regressados ao Reino Unido após terem estado a bordo do MV Hondius, optaram por se isolar voluntariamente e não apresentam sinais de infeção. Já nos Estados Unidos, dois estados (a Geórgia e o Arizona) confirmaram à BBC que estão a acompanhar três passageiros que desembarcaram antes de Cabo Verde e regressaram ao país - também sem sintomas.
Além dos que deixaram o navio em Santa Helena, um cidadão britânico foi retirado do cruzeiro para a África do Sul alguns dias mais tarde. Posteriormente, quando a embarcação estava ao largo de Cabo Verde, três pessoas - incluindo o médico do cruzeiro - foram retiradas e transportadas para a Europa na quarta-feira.
A procura pela origem
A atualização mais recente da OMS aponta para oito casos, dos quais três já foram confirmados como hantavírus por testes laboratoriais. “A OMS está a trabalhar com os países relevantes para apoiar o rastreio internacional de contactos, para assegurar que quaisquer pessoas potencialmente expostas são monitorizadas e que qualquer propagação adicional da doença é limitada”, indicou a organização na rede social X. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fará uma conferência de imprensa ao início desta tarde.
O Governo da Argentina - local de partida do cruzeiro - referiu que o casal de cidadãos neerlandeses que morreu com o vírus passou pela Argentina, Uruguai e Chile antes de embarcar. Segundo noticiou o jornal “The Guardian”, as autoridades argentinas estão agora a reconstituir os itinerários para localizar contactos, isolá-los e mantê-los sob vigilância.
Contudo, o trabalho de identificação do momento e do local de exposição é dificultado pelo período de incubação do hantavírus, que normalmente vai de uma a seis semanas após o contacto. A Argentina é o país da América Latina com maior incidência desta doença: na terça-feira, o Ministério da Saúde indicou terem sido registadas 101 infeções por hantavírus desde junho de 2025, aproximadamente o dobro das contabilizadas no mesmo período do ano anterior. No ano passado, a doença foi fatal em quase um terço dos casos.
Mulher hospitalizada em Amesterdão
De acordo com a OMS, a estirpe em causa pode ser transmitida entre pessoas, embora seja “pouco comum” e “tem sido associada a contacto próximo e prolongado”. A “France 24” avançou que a Argentina vai enviar material genético da estirpe Andes do vírus, bem como equipamento de testagem, para permitir que Espanha, Senegal, África do Sul, Países Baixos e Reino Unido consigam detetar a doença.
Entretanto, foi internada em Amesterdão uma mulher por suspeita de infeção por hantavírus. O jornal “NL Times” refere que está em isolamento e com sintomas ligeiros, informação confirmada pelo Ministério da Saúde à estação “RTL Nieuws”. A mulher será, alegadamente, assistente de bordo num voo da KLM e terá tido contacto com uma neerlandesa que acabaria por morrer devido à infeção na África do Sul.
A KLM divulgou um comunicado na quarta-feira, no qual indicou que a mulher esteve num dos seus aviões em Joanesburgo por um curto período no dia 25 de abril, mas que a tripulação não a autorizou a viajar no voo em causa devido ao seu estado de saúde. A mesma nota acrescentava que todos os passageiros presentes nesse voo estavam a ser informados sobre a situação.
Protocolo de desembarque e quarentena em Espanha
A agência Reuters noticiou que o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, que integra a equipa médica a bordo do Hondius, garante que, por agora, nenhum dos passageiros que permanecem no cruzeiro apresenta sintomas. A mesma fonte indica que está a ser preparado, com as autoridades espanholas, um protocolo para o desembarque. Caso continuem bem, os cidadãos espanhóis ficarão em quarentena num hospital militar em Madrid, enquanto os restantes serão repatriados para os seus países.
A ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, pediu esta quinta-feira bom senso e responsabilidade aos cidadãos espanhóis a bordo do navio e advertiu que, se houver recusa em cumprir a quarentena, o Governo recorrerá aos mecanismos legais necessários para garantir o cumprimento da quarentena sanitária.
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