A evacuação do MV Hondius decorre em Tenerife depois de um surto de hantavírus que já provocou três mortes. Os 146 passageiros, todos assintomáticos, estão a ser repatriados sob um dispositivo apertado de segurança e com medidas de quarentena. Segue-se um guia para compreender como funciona a operação, quais são os riscos, que vigilância está a ser feita noutros países e o que deverá acontecer nos próximos dias.
Como se irá processar o desembarque até segunda-feira?
O navio de cruzeiro entrou no porto de Granadilla, em Tenerife, ainda antes do amanhecer de domingo. O desembarque implica uma logística exigente e está a ser realizado por etapas, organizadas por nacionalidades.
Os 14 passageiros espanhóis (13 passageiros e um tripulante) foram os primeiros a sair. Foram transportados em lanchas até ao cais e, de seguida, seguiram em autocarros da Unidade Militar de Emergências (UME) para o aeroporto de Tenerife Sul. A partir daí, prosseguem num avião militar com destino a Madrid.
Ao longo de domingo, estão previstos vários voos de repatriamento para países como França, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha. A operação deverá ficar concluída na segunda-feira, com a chegada de um voo para a Austrália e de um “avião vassoura” dos Países Baixos para recolher os últimos passageiros. No fim, cerca de 30 membros da tripulação permanecerão a bordo para conduzir o navio de regresso aos Países Baixos, onde será alvo de desinfeção.
Quais os cuidados que as autoridades estão a ter durante este processo?
O plano de segurança é particularmente apertado para reduzir ao mínimo qualquer possibilidade de disseminação do vírus:
- Perímetro de Segurança: foi estabelecida uma zona de exclusão de uma milha náutica em redor do navio (cerca de 1,9 km).
- Equipamento de Proteção: equipas da “Sanidad Exterior” (serviço estatal espanhol de saúde) entraram a bordo com fatos de proteção integral para efetuarem avaliações médicas antes do desembarque. Durante todo o processo, os passageiros vão utilizar máscaras FFP2.
- Isolamento: em Madrid, os passageiros espanhóis ficarão em quarentena obrigatória no hospital militar Gómez Ulla. Noutros países, como no caso dos britânicos, os passageiros serão isolados em estruturas designadas para o efeito.
- Acompanhamento: o Ministério da Saúde de Espanha ativou um serviço de apoio psicológico 24 horas para os passageiros.
- Logística em terra: mais de 350 efetivos das forças de segurança - incluindo a Guarda Civil e a Polícia - asseguram o perímetro no porto.
Quais são os riscos existentes neste processo?
Apesar de a estirpe “Andes” do hantavírus ser considerada perigosa e associada a uma mortalidade relevante, autoridades e especialistas insistem que o risco para a população em geral é baixo. A transmissão ocorre sobretudo através de roedores; o contágio entre pessoas é incomum e, quando ocorre, pressupõe contacto muito próximo.
O Governo regional das Canárias manifestou preocupação com a hipótese de roedores infetados conseguirem nadar até à costa. No entanto, peritos do Ministério da Saúde classificaram esse cenário como “nulo”, sublinhando que não foram detetados roedores a bordo e que as espécies em causa não conseguem percorrer a nado uma distância desta natureza.
Qual é o ponto de situação atual dos contágios entre tripulação e passageiros?
À data da chegada a Tenerife, os 146 passageiros permaneciam assintomáticos. Durante a viagem, o surto esteve associado a três mortes confirmadas (um cidadão neerlandês e dois alemães). Desde o início de maio, foram assinalados sete casos confirmados ou suspeitos.
Em Espanha, foram acompanhados três contactos de risco em terra (em Alicante e Barcelona), e os testes PCR realizados até agora foram negativos. Por precaução, os passageiros que estão a desembarcar são classificados como “contactos de alto risco” e devem cumprir quarentenas que podem ir até 42 ou 45 dias, consoante as regras adotadas por cada país.
Onde ficarão em quarentena os passageiros de outras nacionalidades?
Na maioria dos casos, os passageiros que não têm nacionalidade espanhola serão colocados em quarentena nos respetivos países de origem, após repatriamento em voos charter dedicados. Como todos são considerados “contactos de alto risco”, os regimes de isolamento variam conforme a autoridade nacional de saúde:
- Reino Unido: os passageiros britânicos serão encaminhados para o Hospital Arrowe Park, em Wirral, na região de Merseyside, para cumprimento do isolamento.
- França: os cidadãos franceses ficarão, numa primeira fase, em quarentena hospitalar durante 72 horas para avaliação completa. Depois, deverão cumprir 45 dias de isolamento no domicílio, com vigilância ajustada.
- Estados Unidos: os passageiros norte-americanos serão evacuados para uma base aérea no Nebraska. Por sua vez, alguns residentes que já tinham desembarcado anteriormente em Santa Helena estão a ser acompanhados nos seus estados (como Arizona, Virgínia, Califórnia e Geórgia).
- Bélgica: os passageiros belgas repatriados com apoio logístico dos Países Baixos serão direcionados para o Hospital Universitário de Antuérpia para exames médicos.
- Outras nacionalidades: países como Canadá, Turquia, Irlanda, Austrália e Alemanha também organizaram voos de repatriamento para que os seus cidadãos cumpram quarentena sob as orientações das respetivas autoridades de saúde.
Há mais casos suspeitos sob vigilância das autoridades?
Para além dos passageiros que estão a chegar a Tenerife para repatriamento e isolamento, as autoridades europeias acompanham ainda os seguintes pontos:
- Espanha: continuam sob vigilância três contactos de risco em terra. Em Alicante, uma mulher que contactou com a passageira alemã que viria a falecer teve um primeiro teste PCR negativo, aguardando uma segunda colheita. Em Barcelona, uma pessoa sem sintomas está em quarentena preventiva e em observação no Hospital Clínic.
- Reino Unido e Territórios: foi acionada uma operação militar sem precedentes para prestar assistência a um cidadão britânico com suspeita de hantavírus na remota ilha de Tristan da Cunha (território britânico ultramarino). Em paralelo, as autoridades de Jersey confirmaram que estão a acompanhar a situação em coordenação com o Reino Unido.
- Estados Unidos: pelo menos seis passageiros americanos desembarcaram na ilha de Santa Helena antes de o surto ter sido identificado. Atualmente, estados como Arizona, Virgínia, Califórnia e Geórgia acompanham residentes que estiveram a bordo; até ao momento, os casos reportados mantêm-se assintomáticos ou em boa saúde. O CDC ativou o seu centro de emergência 24 horas para monitorizar estes casos importados.
- África do Sul: um contacto de risco, de nacionalidade sul-africana, que passou por Barcelona, já se encontra em Joanesburgo e continua assintomático.
- E qual foi a origem do surto? a origem inicial foi associada a um aterro sanitário no extremo sul da Argentina, onde o vírus é transmitido por roedores.
O que acontecerá ao navio e ao corpo da passageira falecida, após o desembarque?
O cruzeiro não permanecerá em Tenerife. Assim que terminar a evacuação, cerca de 30 membros da tripulação ficarão a bordo para conduzir o navio de volta aos Países Baixos, país de bandeira. É aí que será realizada a desinfeção total da embarcação e do material existente.
O corpo de uma passageira alemã, que morreu devido à infeção durante a expedição, seguirá igualmente a bordo para posterior repatriamento a partir dos Países Baixos. As autoridades espanholas determinaram que nem a bagagem nem o corpo seriam desembarcados em Espanha.
Qual foi a origem do conflito entre o Governo de Espanha e o Governo Regional das Canárias?
A escala do navio desencadeou forte tensão política. O presidente do Governo das Canárias, Fernando Clavijo, contestou inicialmente a entrada do navio em Granadilla e defendeu que toda a operação deveria ficar concluída num único dia (domingo), de forma a evitar riscos prolongados.
Clavijo chegou a expressar publicamente o receio de que roedores infetados pudessem saltar do navio e nadar até terra, criando perigo para a população. Perante a recusa regional, o Governo central em Madrid interveio através de uma resolução de emergência emitida pela Marinha Mercante, impondo a entrada do navio por razões de segurança marítima e de assistência sanitária.
De que forma a comunidade internacional está a colaborar nesta operação?
A operação é tratada como um esforço de alcance global, envolvendo 23 países. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por intermédio do diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, está a coordenar a resposta diretamente em Tenerife.
Além disso, a União Europeia ativou o Mecanismo de Proteção Civil e enviou para a ilha uma ambulância aérea da Noruega, para apoiar o desembarque e responder a eventuais urgências médicas. Por motivos de segurança, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças determinou que todos os passageiros devem ser considerados “contactos de alto risco” e repatriados em voos charter específicos, ficando estritamente proibida a utilização de voos comerciais regulares.
Como será feita a desinfeção do navio nos Países Baixos?
A desinfeção do MV Hondius será efetuada quando o navio regressar aos Países Baixos, o país da bandeira. Segundo o embaixador neerlandês em Espanha, Roel Nieuwenkamp, esta é uma responsabilidade concreta do governo dos Países Baixos.
O que se sabe sobre o processo inclui:
- Abrangência: a limpeza profunda incidirá tanto na nave (a estrutura do navio) como em todo o material que se mantenha a bordo.
- Logística de transporte: a travessia de Tenerife para os Países Baixos será feita com cerca de 30 membros da tripulação.
- Procedimento com o corpo e bagagem: o corpo da passageira alemã que morreu durante a expedição e a bagagem que não foi autorizada a desembarcar em Espanha seguirão no navio para serem processados e repatriados a partir dos Países Baixos.
N.R.: Este artigo recorreu a uma ferramenta de inteligência artificial, o Notebook LM, para organizar a informação recolhida em vários sites de informação e institucionais internacionais.
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