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Paulo Raimundo (PCP) pede ao Governo que retire o pacote laboral e evite a greve geral de 03 de junho

Homem fala para grupo de pessoas com bandeira vermelha numa rua urbana ao pôr do sol.

Paulo Raimundo (PCP) exige retirada do pacote laboral e aponta para a greve geral de 03 de junho

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Paulo Raimundo, apelou este sábado ao Governo para que retire a proposta do pacote laboral e, desse modo, “poupe o país a uma greve geral”, marcada para 03 de junho, considerando que essa mobilização poderá fazer cair o projeto.

"O que nós precisávamos não era da greve geral de dia 03 de junho, nós precisávamos é que o Governo fizesse aquilo que devia fazer, se tivesse bom senso, não estivesse cheio de arrogância como está. Era retirar este pacote, isto não serve, não serve os trabalhadores, não serve o povo, não serve o país. Retire o pacote e evite-se, poupe o país a esta situação e poupe o país a uma greve geral, porque, se não o fizer, vai ter uma grande resposta dos trabalhadores outra vez. Outra vez", afirmou.

Paulo Raimundo falava no Porto, à margem de uma visita ao Bairro da Associação de Moradores das Antas, na freguesia de Campanhã.

Para o líder comunista, o país "não precisa nada disto", e os trabalhadores "perceberam o que estava em causa e rejeitaram".

"Agora, o que é preciso é derrotá-lo de vez. Como se costuma dizer nas grandes ações de luta, em que eu tenho estado e os trabalhadores têm estado: 'é só mais um empurrão e o pacote vai ao chão'. O que aconteceu nos últimos dias foi mais um empurrão, e temos aí a greve geral no dia 03 de junho, que será mais um empurrão", lançou.

"Peço desculpa pela forma um bocadinho bruta, mas vejo [o fim das negociações] com grande satisfação e grande alegria. O grande patronato, o PSD, o CSD-PP, a Iniciativa Liberal e o Chega, e o Chega, em particular, na versão André Cambalhotas (...), todos esses, o que querem impor, é ainda mais precariedade", declarou.

O secretário-geral do PCP referia-se a André Ventura, dizendo que "deu meia cambalhota, enrolou um bocadinho a corda e já começou a dar".

Visita ao Bairro das Antas e o modelo SAAL como exemplo

Numa manhã de chuva e acompanhado por dirigentes a nível local e nacional, Paulo Raimundo esteve à conversa com vários moradores do bairro. Considerou-o um "projeto histórico", enquadrando-o na "sequência histórica do 25 de Abril de 1974" e sublinhando que, atualmente, este bairro ligado ao Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL) é "um exemplo a seguir".

"[É preciso] resolver problemas, [há] muitos problemas para resolver, dificuldades, como é lógico, mas é um exemplo a seguir, porque dá consistência, dá garantias às pessoas, e foi aqui sublinhada (...) esta ideia da consagração do direito de propriedade, do direito de superfície. Permite dar uma segurança durante 50 anos", recordou.

No local, existem dezenas de fogos habitacionais que, depois, são geridos pelos próprios moradores. Em conjunto, decidem sobre questões, problemas e soluções que interferem com o quotidiano do bairro, com a garantia "de que ninguém mexe nesta superfície".

Crise da habitação e críticas às medidas do Governo

O dirigente comunista lamentou o que descreveu como o "drama" da habitação vivido por muitos jovens e pela população em geral, apontando este processo como um bom exemplo de iniciativas que deveriam "ser mais apoiados".

"Nós precisamos mais disto, nós precisamos apoiar isto, não é apoiar a banca, baixar o IRC para os fundos imobiliários, para a especulação. Eu até diria: que o Governo, por favor, não tome mais nenhuma medida para habitação, porque de cada vez que toma uma medida para a habitação, sobre o preço das casas e sobe as rendas. Esteja quieto, se não fizer mais nada, já está a ajudar as populações", ironizou.

Tribunal Constitucional e a perda da nacionalidade

Sobre a decisão do Tribunal Constitucional (TC), que declarou inconstitucional a pena acessória de perda da nacionalidade, Paulo Raimundo afirmou que a conclusão "estava na cara".

"Estava na cara que aquela era uma lei inconstitucional. Uma pessoa que tem acesso à nacionalidade, a partir do momento em que tem acesso à nacionalidade, passa a ser tão nacional como outra qualquer, e não pode ter penas acessórias por ganhar uma nacionalidade", defendeu.

Na leitura do secretário-geral do PCP, "era uma evidência" que esta seria a decisão. Disse também não perceber a insistência no tema, embora não se tenha prolongado, preferindo apelar à união e ao debate sobre "o que é fundamental", como a crise da habitação.

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