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Força Aérea dos EUA mostra B-1B Lancer com míssil hipersónico AGM-183 ARRW

Avião militar branco estacionado na pista com dois militares em uniforme ao lado.

Primeiras imagens do AGM-183 ARRW num B-1B Lancer

Pouco mais de dois anos depois de ter sido efectuado o primeiro lançamento no Pacífico, a Força Aérea dos EUA divulgou, através de um vídeo curto, que equipou um dos seus bombardeiros B-1B Lancer com o míssil hipersónico AGM-183 ARRW. O armamento pode ver-se montado num pílon externo colocado por baixo do cockpit.

Esta é a primeira vez que a instituição torna públicas imagens deste tipo. Até agora, os ensaios realizados com este míssil tinham utilizado os bombardeiros B-52 como plataforma, o que evidencia um esforço renovado para voltar a dar fôlego ao programa.

Planos de extensão da vida útil e mudança de plataforma

Importa sublinhar que a Força Aérea dos EUA já tinha deixado transparecer, há anos, a intenção de integrar o AGM-183 ARRW no arsenal dos B-1B Lancer. Ainda assim, nunca tinha sido anunciado qualquer tipo de teste que permitisse comprovar avanços concretos nesses planos.

Em particular, a frota em causa estava enquadrada numa folha de rota que previa a sua retirada por volta de 2030, o que teria levado a dar prioridade aos testes do míssil hipersónico nos B-52 referidos. Mais recentemente, a força indicou esperar prolongar a vida útil destes bombardeiros até 2037, criando assim uma margem de manobra mais ampla.

Financiamento para reactivar o programa AGM-183 ARRW

Também não pode ser ignorado que o próprio programa AGM-183 ARRW passou um longo período praticamente inactivo. Este abrandamento surgiu na sequência dos resultados reportados nos testes iniciais realizados entre 2022 e 2023, que se mostraram demasiado ambíguos para assegurarem a continuidade do projecto, sobretudo após a decisão da anterior administração democrata liderada pelo ex-presidente Joe Biden de reduzir consideravelmente o financiamento destinado ao seu avanço.

Tudo isto ocorreu apesar de a República Popular da China e a Federação Russa - os principais rivais geopolíticos dos EUA - terem conseguido apresentar os seus próprios sistemas hipersónicos como um pilar para futuras capacidades de dissuasão.

Este quadro, porém, poderá alterar-se de forma significativa num futuro próximo. A Força Aérea dos EUA solicitou mais de 345 milhões de dólares para relançar o desenvolvimento do AGM-183 ARRW e, de acordo com os documentos orçamentais apresentados, planeia investir mais de 1.700 milhões de dólares até 2030. Estes montantes incluem verbas especificamente orientadas para a integração do míssil nos B-1B Lancer, bem como para o desenvolvimento de melhorias integradas no chamado Incremento 2.

Como funciona o conceito boost-glide do AGM-183 ARRW

Por agora, importa referir que estes sistemas, produzidos pela Lockheed Martin, foram concebidos para se afirmarem como mísseis hipersónicos baseados no conceito de Glide Vehicle. Na prática, isto implica a utilização de motores-foguete de combustível sólido para impulsionar o Veículo de Planagem Hipersónico (HGV) para fora da atmosfera.

Já nessa fase, o HGV é libertado e inicia a trajectória em direcção ao alvo, o qual deverá atingir a velocidades que podem chegar a Mach 15.

Pílon(s) modulares e capacidade externa do B-1B Lancer

A pensar nos trabalhos futuros de integração, foi ainda destacado que estes B-1B Lancer poderão tirar partido dos novos pílon(s) modulares adaptáveis, já testados com outros tipos de armamento. Estes suportes permitiriam transportar externamente bombas e mísseis mais pesados quando comparados com as capacidades actuais.

Segundo o fabricante destes pílon(s), a empresa norte-americana Boeing, cada aeronave poderia receber até seis pílon(s) no exterior. Com cada um deles, a Força Aérea dos EUA poderia carregar duas armas de até 2000 libras (cerca de 907 quilogramas) ou, em alternativa, uma única arma de até 5000 libras - um peso estimado para os próprios AGM-183 ARRW.

Imagens utilizadas a título ilustrativo

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