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Ministério da Defesa detalha o Programa VCBR 8×8 Stryker do Exército Argentino no Informe N°145

Tanque militar a rodas atravessa rio enquanto soldados observam mapas e computador num dia ensolarado.

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Com a divulgação do Informe N°145 da Jefatura de Gabinete de Ministros perante a Honorable Câmara de Deputados da Nação, o Ministério da Defesa apresentou uma visão geral do ponto de situação e das perspectivas do Programa VCBR 8×8 Stryker do Exército Argentino. Ainda assim, não se destacam novidades relevantes face ao que a Zona Militar tem vindo a noticiar. O tema surgiu em pedidos de esclarecimento parlamentares, concretamente nas Perguntas N° 282, 1110 e 1720, que se abordam de seguida.

Enquadramento do Informe N°145 e das Perguntas N° 282, 1110 e 1720

Os deputados solicitaram detalhes sobre o processo de compra, os custos, os prazos e a adequação operacional dos VCBR Stryker às condições do território argentino. A resposta oficial voltou a sublinhar que, apesar de existirem aquisições iniciais, o programa permanece, em termos mais amplos, em fase de avaliação técnica e de viabilidade.

Pergunta N° 282: helicópteros Black Hawk e VCBR Stryker

No primeiro ponto, os legisladores perguntaram: “Com relação ao recente acordo de compra de helicópteros e blindados a Rueda Striker (sic), subscrito pelo Ministro da Defesa na sua última viagem aos Estados Unidos, tenha a bem informar que quantidade e modelo de helicópteros BlackHawk e veículos striker se encontram contemplados nessa operação. Do mesmo modo, qual foi o preço acordado por cada unidade e o prazo estabelecido para a entrega (…)

Ao iniciar a resposta, a tutela actualmente liderada pelo ministro Carlos Alberto Presti esclareceu que ainda não existe um acordo formal para a aquisição dos helicópteros Black Hawk mencionados. Quanto aos VCBR Stryker - foco deste artigo - voltou a indicar-se que o programa se encontra numa etapa de avaliação técnica e de factibilidade.

Segundo o Ministério, trata-se de um processo com elevada complexidade, pelo que será necessário mais tempo antes de se fixar um número final de blindados a incorporar, bem como os montantes a investir para que o Exército Argentino prossiga a modernização das suas capacidades.

Relativamente aos VCBR Stryker 8×8 já comprados, o Ministério limitou-se a referir que apenas foi autorizada a aquisição dos primeiros 8 blindados, cujas primeiras viaturas já foram entregues à Xma Brigada Mecanizada do Exército Argentino, sediada em tempo de paz na cidade de Toay, província de La Pampa. Uma vez mais, foi indicado que a operação foi realizada ao abrigo do programa norte-americano de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS), acrescentando que “o investimento total para esta incorporação ascende à soma de USD 20.000.000”.

Pergunta N° 1110: aquisições faseadas, 2026 e o objectivo de responsabilidade fiscal

Em segundo lugar, surge a Pergunta 1110, que volta a insistir no número de unidades, mas acrescenta a razão para se ter avançado com este formato de compra: “Com respeito ao projecto de incorporação dos veículos Stryker: informe o estado da situação do mesmo, informe quantas unidades se prevê incorporar durante 2026, detalhe que montantes se encontram despendidos neste projecto à data e quanto se prevê reconhecer durante 2026, explique porquê se procedeu com um contrato por 8 unidades em vez do requerimento completo do Exército por 207 unidades, considerando as vantagens de custo por uma aquisição de maior volume

Sobre este último ponto - o principal elemento novo face à consulta anterior - a explicação oficial do Ministério da Defesa estruturou-se em torno de três aspectos centrais. O primeiro, e possivelmente o mais importante, foi a intenção de orientar a compra de acordo com o princípio de responsabilidade fiscal. Em termos práticos, isto traduz-se em avançar com a aquisição das viaturas e com a constituição da cadeia logística associada sem perder de vista as severas restrições financeiras da Argentina, que afectam de forma particular a pasta em causa.

Além disso, em linha com o que já tinha sido indicado, o Ministério considerou que a recepção de VCBR Stryker em quantidades reduzidas dá uma margem temporal superior para que os militares do Exército Argentino se habituem à plataforma, tanto ao nível das tripulações como das equipas responsáveis pela manutenção. Antes de se avançar para compras em maior escala, a instituição deverá concluir a sua avaliação destes factores, incluindo a recolha de dados sobre o desempenho do veículo em território nacional.

Pergunta N° 1720: Mesopotâmia, capacidade de vau (1,2 m) e emprego operacional

A terceira pergunta também se relaciona com o contexto geográfico em que o VCBR Stryker deverá actuar, com especial destaque para a sua capacidade de atravessar cursos de água, formulando a questão do seguinte modo: “A doutrina de defesa argentina sempre considerou a Mesopotâmia como uma área estratégica de alta complexidade pela sua hidrografia. No entanto, o Ministério da Defesa adquiriu blindados Stryker cuja capacidade de vadeo é extremamente limitada (1,2m) e cuja tracção a rodas é ineficiente em terrenos moles e alagadiços. Como justifica a compra de um sistema de armas que é tecnicamente incapaz de operar com eficácia em zonas com rios?

A fundamentação apresentada pelo Ministério da Defesa sustenta que, perante a necessidade urgente de o Exército Argentino incorporar blindados sobre rodas, o Stryker se afirmava como uma alternativa muito versátil e já testada em combate, com custos de manutenção reduzidos e com a vantagem de poder ser projectado rapidamente através da rede viária nacional.

Quanto à capacidade de vau, a posição oficial foi a de que esta é suficiente para operar em áreas com cursos de água de menor dimensão e em terrenos alagados. Acrescentou-se ainda que estes blindados actuariam integrados numa força combinada, com apoio de unidades de engenheiros capazes de lançar pontes, permitindo igualmente transitar por zonas deste tipo sem grandes limitações.

Por agora, não foram avançadas informações adicionais sobre quando poderá chegar ao Exército Argentino uma segunda remessa de VCBR Stryker, nem se se trataria de viaturas da variante M1126 (transporte blindado de pessoal) ou de outras versões disponíveis na família. A este respeito, importa recordar a existência dos veículos de combate M1256 ICVV para transporte de tropas, M1134 ATGM anticarro, M1130 CV posto de comando e M1133 MEV ambulância.

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