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Donald Trump adia entrada das novas tarifas de importação

Três homens de fato reunidos à mesa com maquete de navio cargueiro e documentos num escritório com vista para porto.

Hoje, 1 de agosto, estava assinalado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, como o dia em que entrariam em vigor novas tarifas de importação - mais baixas do que as atualmente em vigor. Porém, isso já não se concretiza: durante a madrugada, Trump assinou uma ordem executiva que empurra a aplicação das novas tarifas para 7 de agosto.

O adiamento por uma semana pretende, segundo a lógica apresentada, dar margem para atualizar o calendário tarifário, numa fase em que a Casa Branca continua a recorrer à ameaça de tarifas como ferramenta de pressão nas negociações comerciais em curso.

Recorde-se que Trump tinha afirmado que iria avançar já esta sexta-feira com tarifas até 30% sobre bens provenientes da União Europeia e do México.

Ao longo dos últimos meses, o líder norte-americano foi sucessivamente a protelar o arranque destas taxas, argumentando que esse tempo extra permitiria aos parceiros comerciais chegarem a entendimento. Alguns interlocutores - como o Japão e a própria União Europeia - acabaram por evitar o desfecho mais penalizador.

Tarifas de importação de Trump e o acordo comercial provisório com a União Europeia

No início desta semana, Bruxelas e Washington alcançaram um acordo comercial provisório que estabelece tarifas de 15% para a maioria dos produtos europeus, incluindo os automóveis. Segundo Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, este patamar foi concebido precisamente para travar a imposição de medidas ainda mais severas.

Ainda assim, a tarifa agora acordada mantém-se seis vezes acima da anterior taxa base de 2,5%. Contava-se que esse novo nível pudesse começar a ser aplicado já esta semana, mas, com a nova ordem executiva, a implementação só deverá arrancar na próxima quinta-feira, na sequência da data de 7 de agosto.

Para as empresas exportadoras e importadoras, esta alteração de calendário tende a criar incerteza adicional na gestão de encomendas, preços e logística. Em particular, setores com cadeias de abastecimento transatlânticas - como o automóvel e componentes industriais - podem ser forçados a rever prazos de entrega, contratos e estratégias de stock para acomodar a mudança.

Em paralelo, permanece em aberto a forma como os principais parceiros vão reagir caso novas rondas de tarifas avancem. A experiência recente mostra que, quando aumentos deste tipo se materializam, podem surgir ameaças de retaliação, pedidos de compensação e disputas em instâncias internacionais, elevando o risco de prolongar tensões comerciais.

Países mais afetados

Entre os países mais castigados por estas novas medidas tarifárias está o Brasil, com tarifas de 50% sobre as suas exportações. Já o Canadá arrisca ver as taxas aplicadas aos seus produtos aumentarem de 25% para 35%.

No caso canadiano, a Casa Branca aponta como justificação o alegado tráfico de fentanil. De acordo com Trump, o Canadá não estará a fazer o suficiente “para travar este fenómeno”.

Outros países incluídos no pacote de países afetados são a Suíça, com tarifas de 39%, a Índia com 25% e Taiwan com 20%.

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