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Com apoio dos EUA, a Malásia avalia comprar caças F-18C/D Hornet à Força Aérea do Kuwait.

Piloto militar em fato de voo ao lado de jatos de combate estacionados em pista de aeroporto.

A Real Força Aérea da Malásia negou os rumores de que teria abandonado o processo e reiterou que continua a analisar a eventual compra de caças F-18C/D Hornet à sua congénere do Kuwait. Embora estes aviões contem com mais de três décadas de utilização, a avaliação malaia parte do princípio de que ainda dispõem de um volume considerável de horas de voo disponíveis, o que poderia prolongar a sua utilidade operacional por vários anos.

A possível aquisição conta também com apoio dos Estados Unidos, por ser entendida como uma solução de capacidade ponte - isto é, um reforço temporário para assegurar continuidade de meios enquanto se definem e concretizam opções de longo prazo para a modernização da aviação de combate do país.

Avaliação dos F-18C/D Hornet pela Real Força Aérea da Malásia: prazos, custos e manutenção

A informação foi tornada pública após declarações do Chefe da Real Força Aérea da Malásia, o general Datuk Seri Muhammad Norazlan Aris, em resposta a questões colocadas por órgãos de comunicação social locais. O responsável sublinhou que a decisão dependerá de uma análise completa de variáveis críticas, incluindo calendário de entrega, custos, manutenção e cadeia logística, deixando claro que nada será decidido sem uma visão global do pacote.

O general adiantou ainda que, ao longo deste mês, uma delegação da força deverá deslocar-se ao Kuwait para aprofundar o processo de avaliação, recolher dados técnicos e verificar condições concretas de transferência, suporte e disponibilidade das aeronaves.

Rumores sobre cancelamento e a posição de Washington

Nos últimos dias, circularam em meios locais alegações atribuídas a fontes anónimas segundo as quais a compra teria sido posta de parte devido a custos elevados associados a uma modernização dos caças e, simultaneamente, por falta de garantias quanto aos prazos de entrega. Porém, face às declarações do general Norazlan e à autorização concedida por Washington no início deste ano, essas versões perdem força e passam a ser encaradas como desinformação.

O que está em cima da mesa: 30 aeronaves e a renovação da frota do Kuwait

No desenho actualmente referido para o acordo entre Malásia e Kuwait, está prevista a aquisição de 30 caças F-18C/D, sem que, por enquanto, tenha sido indicado quantos seriam da variante monolugar ou bilugar. Este conjunto corresponderia a cerca de três quartos da frota hoje disponível no Kuwait, que totaliza 39 aeronaves.

A alienação destes aparelhos ocorre num contexto de renovação: o Kuwait encontra-se a substituir os seus Hornet por F/A-18 Super Hornet e Eurofighter Typhoon, o que abre espaço para a transferência de células e componentes para um operador que procure reforço de curto a médio prazo.

Experiência operacional da Malásia com a plataforma e meios actualmente em serviço

Do ponto de vista da familiaridade com o sistema em análise, a Malásia parte com vantagem: já opera uma frota de F-18D Hornet que, em conjunto com os Su-30MKM, constitui o núcleo das capacidades nacionais de combate aéreo. Este histórico reduz parte do risco associado a introduzir um modelo completamente novo, sobretudo ao nível de doutrina, treino e procedimentos.

Em paralelo, a força mantém em operação aeronaves Hawk 108/208 que, apesar de terem sido concebidas sobretudo para treino avançado, podem ser configuradas para desempenhar um papel de intercepção quando tal seja necessário, funcionando como complemento em cenários específicos.

Aspectos práticos: integração, sobressalentes e ciclo de vida

Uma compra de aeronaves em segunda mão tende a depender menos do preço de aquisição e mais do custo total de utilização: disponibilidade de sobressalentes, estado real das células, histórico de manutenção e acesso a capacidade de reparação e revisão. Para a Malásia, a robustez do pacote logístico - incluindo motores, aviões doadores, stocks e prazos de fornecimento - será determinante para evitar que o reforço pretendido se transforme num aumento de indisponibilidades.

Outro elemento relevante prende-se com a interoperabilidade e a gestão de formação: mesmo com experiência no F-18D Hornet, a absorção de F-18C/D Hornet adicionais implica harmonizar configurações, assegurar compatibilidade de sistemas e alinhar padrões de manutenção, de modo a maximizar taxas de prontidão e a simplificar a gestão de frota.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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