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A Coreia do Sul fez o primeiro uso operacional do novo míssil balístico “anti-bunker” Hyunmoo-5 das suas Forças Armadas.

Militar sul-coreano a controlar lançamento de míssil no exterior com monitores de radar à frente.

A Coreia do Sul deu início ao primeiro destacamento operacional dos seus novos mísseis balísticos “anti-bunker” Hyunmoo-5, segundo informação avançada a meios locais por fontes militares. O objectivo é reforçar a dissuasão face à ameaça associada às capacidades nucleares da vizinha Coreia do Norte. Para Seul, este passo integra-se nas opções de resposta a um eventual ataque de grande escala e, nas palavras do ministro da Defesa sul-coreano Ahn Gyu-back, procura “equilibrar o terror” criado por Pyongyang.

Estratégia de três eixos da Coreia do Sul e o papel do Hyunmoo-5

A arquitectura de dissuasão sul-coreana assenta numa estratégia de três eixos para prevenir e, se necessário, responder a agressões norte-coreanas. Em termos simples, inclui:

  1. Capacidade de ataques preventivos contra instalações e vectores de mísseis norte-coreanos;
  2. Intercepção de mísseis após o lançamento;
  3. Contra-ataque massivo sobre alvos estratégicos, incluindo centros de decisão e posições militares relevantes do adversário.

Dentro deste enquadramento, o Hyunmoo-5 encaixa com particular naturalidade no primeiro pilar e, sobretudo, no terceiro, ao oferecer uma opção convencional de elevada potência orientada para alvos endurecidos e subterrâneos.

Além disso, a introdução de um míssil balístico anti-bunker com estas características tende a afectar o cálculo estratégico regional: por um lado, aumenta a credibilidade de uma resposta convencional robusta; por outro, pode acelerar a corrida a medidas de protecção e dispersão de infra-estruturas subterrâneas, elevando o peso da prontidão, do reconhecimento e da cadeia de comando e controlo.

“Equilibrar o terror”: limitações do TNP e a aposta em mísseis “monstruosos” Hyunmoo-5

Ao desenvolver a sua posição, o ministro Ahn Gyu-back sublinhou que a Coreia do Sul não dispõe de margem para possuir armas nucleares por ser signatária do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Nesse contexto, defendeu a necessidade de manter uma quantidade significativa de mísseis Hyunmoo-5 - armamento que tem sido informalmente apelidado de mísseis “monstruosos” - como forma de alcançar um equilíbrio face ao “terror” associado a Pyongyang.

Estas declarações já tinham sido proferidas em Outubro de 2025, quando o ministro confirmou que a produção em série do Hyunmoo-5 estava em curso, juntamente com medidas adicionais para expandir a capacidade produtiva da indústria nacional e acelerar o processo.

Características conhecidas do míssil balístico “anti-bunker” Hyunmoo-5

Entre as informações disponíveis, o Hyunmoo-5 é descrito como especialmente eficaz contra bunkers graças a uma ogiva muito potente, com efeitos comparáveis aos de uma bomba GBU-57/B lançada a partir do ar. Ainda assim, trata-se de um míssil de dimensões inferiores, o que, segundo as descrições, lhe confere uma energia cinética significativamente superior à da solução norte-americana equivalente - traduzindo-se, de forma concreta, numa maior capacidade de penetração em estruturas inimigas.

O sistema foi apresentado ao público durante a cerimónia do Dia das Forças Armadas, em 2023, mas continua a manter em sigilo os parâmetros exactos de desempenho e também o número de unidades já disponíveis para as forças sul-coreanas. O que tem sido indicado é que o desdobramento deverá estar concluído antes de 2030.

Peso, ogiva e alcance: o que apontam as estimativas sobre o Hyunmoo-5

Com base em imagens e documentação acessível, analistas estimam que o Hyunmoo-5 possa ter um peso total de cerca de 35 toneladas, das quais aproximadamente 7,7 toneladas corresponderiam à ogiva referida - um valor muito acima das 2,2 toneladas do Hyunmoo-4 e de outros mísseis comparáveis.

De acordo com as descrições, essa ogiva seria composta por cerca de 80% de metal pesado e apenas 20% de explosivos, uma combinação que privilegia a penetração e o efeito em alvos endurecidos.

Considerando estas variáveis, é plausível que o míssil ceda em alcance para maximizar a capacidade anti-bunker, embora não exista consenso sobre o intervalo exacto. Em relatórios locais surgem valores que oscilam entre 600 km e 3 000 km, admitindo-se que, com uma ogiva mais leve, esse alcance possa aumentar - hipótese que poderá ser explorada em novas variantes desenvolvidas por Seul. Ainda assim, tendo em conta que o foco estratégico do desdobramento é a Coreia do Norte, esta incerteza de alcance não deverá ser determinante para os planeadores sul-coreanos.

A par do vector em si, a eficácia operacional de um sistema deste tipo depende também de factores complementares - como inteligência, vigilância e reconhecimento, planeamento de alvos e resiliência das comunicações - que condicionam a rapidez e a precisão com que capacidades anti-bunker podem ser empregues num cenário real.

Imagens utilizadas apenas a título ilustrativo.

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