EUA autorizam possível venda de P-8A Poseidon para reforçar as Forças Armadas de Singapura
O Governo dos Estados Unidos autorizou uma potencial venda de novas aeronaves de patrulha marítima P-8A Poseidon destinadas a equipar as Forças Armadas de Singapura. A operação, estimada em 2,316 mil milhões de dólares norte-americanos (US$) e enquadrada no programa Foreign Military Sales (FMS), foi formalmente comunicada pelo U.S. Department of State ao U.S. Congress para aprovação a 20 de janeiro.
P-8A Poseidon (Boeing) escolhido para renovar a patrulha marítima de Singapura
No final de setembro do ano passado, o Governo de Singapura anunciou a escolha do Poseidon - desenvolvido e produzido pela Boeing para a U.S. Navy e para países aliados - como plataforma destinada a modernizar as capacidades nacionais de patrulha marítima, vigilância e reconhecimento, bem como as missões de guerra antissubmarina e de guerra anti-superfície.
Com esta decisão e com o arranque das negociações com o Governo dos EUA, Singapura deu início ao processo de substituição dos actuais Fokker F-50, operados tanto pela Marinha como pela Força Aérea, enquanto principal plataforma de patrulhamento marítimo. Importa referir que, entre as opções analisadas, o Ministério da Defesa considerou igualmente uma proposta da Airbus baseada numa versão especializada do C295.
Do Fokker F-50 ao sucessor: um ciclo operacional completo
Ao serviço desde 1993 e derivadas de uma aeronave de transporte de passageiros, as F-50 de Singapura distinguiram-se como uma plataforma que demonstrou valor em missões de vigilância e patrulha marítima no Sudeste Asiático. Um exemplo disso foi a participação no patrulhamento aéreo marítimo combinado “Eyes in the Sky”, que integrou meios e pessoal da Indonésia, Malásia e Tailândia.
Equipadas com o radar Raytheon AN/APS-134, sistemas FLIR e capacidades relevantes de combate anti-superfície e antissubmarino - assentes, entre outros aspectos, na possibilidade de empregar mísseis Harpoon e torpedos leves A244S - estas aeronaves e respectivas tripulações cumpriram um ciclo de serviço completo no país, tornando-se necessária a sua substituição por uma solução mais moderna.
Pedido de quatro aeronaves e pacote de equipamento (DSCA)
De acordo com a notificação publicada pela Defense Security Cooperation Agency (DSCA), o Governo de Singapura solicitou a aquisição de um total de quatro (4) aeronaves de patrulha marítima P-8A Poseidon, incluindo os respectivos pacotes de equipamento e armamento.
O pacote autorizado, com o valor já referido de US$ 2,316 mil milhões e tendo a Boeing como principal contratante, contempla também o fornecimento de:
- Torpedos leves Mk 54 Mod 0
- Sistemas electro-ópticos MX-20HD
- Sistemas de aviso de míssil para o conjunto de contramedidas AN/AAQ-24(V)N
- Sistemas acústicos AN/AAQ-2(V)
- Radares AN/APY-10
- Sistemas de gestão de alerta precoce ALQ-213
Posição do U.S. Department of State sobre a venda
O U.S. Department of State afirmou: “Esta venda proposta irá reforçar os objectivos de política externa e de segurança nacional dos Estados Unidos ao melhorar a segurança de um parceiro estratégico que é uma força importante para a estabilidade política e o progresso económico na Ásia.”
Acrescentou ainda: “A venda proposta irá melhorar a capacidade de Singapura para responder a ameaças actuais e futuras ao disponibilizar uma força marítima credível, capaz de dissuadir potenciais adversários e de participar em operações conjuntas com os Estados Unidos e os seus aliados. A venda proposta apoiará igualmente o objectivo de Singapura de reforçar a sua defesa nacional e territorial, bem como de aumentar a interoperabilidade com forças dos Estados Unidos e aliadas. Singapura não terá dificuldade em integrar este equipamento nas suas Forças Armadas.”
O que esta aquisição poderá implicar no plano operacional e de apoio
Para além das aeronaves e dos sistemas associados, um programa deste tipo costuma envolver componentes essenciais como formação de tripulações e técnicos, apoio logístico, ferramentas de manutenção, documentação e actualizações de software, garantindo disponibilidade sustentada ao longo do tempo. Na prática, a transição para uma nova plataforma tende também a exigir adaptação de infra-estruturas, procedimentos e rotinas de missão, sobretudo quando se introduzem sensores e sistemas de gestão táctica mais avançados.
A nível regional, o reforço de uma capacidade de patrulha marítima e guerra antissubmarina pode contribuir para uma melhor vigilância de rotas marítimas, resposta a incidentes e partilha de informação com parceiros. Num teatro caracterizado por elevado tráfego naval e por desafios de segurança no domínio marítimo, a interoperabilidade referida - em particular com forças dos EUA e aliadas - ganha relevância para exercícios conjuntos e operações coordenadas.
Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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