Antecedentes do programa de veículos de exploração
No âmbito dos projectos previstos para 2026, o Exército Argentino planeia dar início à integração de uma família de veículos de exploração. De acordo com os pormenores indicados no plano, está a ser considerada a aquisição de duas configurações: uma versão armada com metralhadora 12,7mm de operação manual e outra com uma estação de armamento operada a controlo remoto.
Importa recordar que a intenção de dotar o Exército Argentino com uma família de veículos de exploração já tinha sido referida pelo então Chefe do Estado-Maior-General do Exército, Tenente-General Carlos Alberto Presti, numa entrevista concedida à Zona Militar durante a sua visita aos EUA, em Outubro de 2025.
Nessa ocasião, o actual titular do Ministério da Defesa afirmou à Zona Militar que “…estamos a procurar a possibilidade de ter veículos com protecção para os nossos elementos de exploração, fundamentalmente nas diferentes Brigadas de Desdobramento Rápido…Há dois modelos que estamos a ver da Oshkosh…”.
Embora, na altura, não tenham sido avançadas informações adicionais, a empresa norte-americana Oshkosh dispõe dos blindados 4×4 M-ATV e JLTV, que integram a dotação das Forças Armadas dos EUA, bem como a de outros países aliados. Para ambos os modelos, foram desenvolvidas múltiplas variantes, incluindo versões para missões especiais, exploração e operações expedicionárias.
Família de veículos de exploração para o Exército Argentino
Segundo o que foi divulgado pelo governo através das suas várias plataformas, o projecto de “Incorporação de uma família de veículos de Exploração” prevê, para 2026, um investimento de $ 3.360.000.000. Contudo, o mesmo detalhamento indica que não estão previstas verbas para os anos seguintes, admitindo-se que possa tratar-se de uma única encomenda.
Conforme descrito no projecto, o número de veículos de exploração a incorporar é de apenas sete unidades: três equipadas com metralhadora 12,7mm manual e quatro equipadas com sistema de armas remoto (SAR) 12,7mm. À primeira vista, não só se trata de uma quantidade insuficiente para dotar uma subunidade de exploração, como também fica aquém do necessário para equipar, por exemplo, a totalidade dos elementos da Força de Desdobramento Rápido.
Tendo em conta o que está a ser implementado e o que se antevê para os próximos anos no Exército Argentino, é possível especular que esta aquisição se enquadre num primeiro núcleo de modernização da componente de exploração, com o objectivo de acumular experiência e aperfeiçoar TTP.
Capacidades pretendidas: SAR 12,7mm e sensores
No que diz respeito ao equipamento, um dos aspectos mais relevantes é a intenção de incorporar uma variante com sistema de armas remoto, acrescentando capacidades à exploração, nomeadamente a detecção, identificação e seguimento de alvos sob diferentes condições meteorológicas e de luminosidade. Este tipo de soluções, além de permitir tiro estabilizado, costuma incluir também telémetro laser e outros sensores complementares.
Um exemplo recente é o das SAR M151 Protector incorporadas nos VCBR 8×8 Stryker que, apesar de não representarem a geração mais recente destes sistemas, disponibilizam capacidades que, até há pouco tempo, eram inexistentes na infantaria mecanizada do Exército Argentino.
Entre as opções da Oshkosh, a tendência regional sugere que o Exército Argentino poderá vir a receber os blindados 4×4 M-ATV, ao abrigo de uma modalidade semelhante à aplicada pelo Uruguai ou pelo Paraguai - neste último caso, através do programa EDA (Excess Defense Articles) dos EUA.
Imagem de capa meramente ilustrativa. Créditos: USMC – Sgt. Pete Thibodeau
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