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Produção automóvel mundial em 2025: China acelera e Europa perde terreno

Carro elétrico vermelho de design futurista estacionado em showroom moderno com grandes janelas.

Em 2025, a produção automóvel mundial ultrapassou as 96 milhões de unidades (veículos ligeiros + pesados), segundo dados da ACEA. A maior parcela coube aos ligeiros de passageiros, com 78,7 milhões de veículos fabricados, o que representa um aumento de 4,2% face a 2024.

A seguir surgem os ligeiros de mercadorias, que totalizaram 14,3 milhões de unidades (+2%), e o segmento dos camiões, com três milhões (+3,3%). O avanço mais expressivo verificou-se nos autocarros: +6% em termos anuais, atingindo 389 mil unidades produzidas.

China acelera e Europa perde terreno

Os ligeiros de passageiros pesam mais de 80% na produção automóvel global e é precisamente aqui que se notam com mais clareza as diferenças entre regiões. A Ásia lidera, com 62,1% do total mundial, ao passo que a União Europeia (UE) contribui com apenas 14,6%.

Na Ásia, onde a produção subiu 7% para 48,8 milhões de unidades, a China afirmou-se como o principal «motor». A fabricação cresceu 10,4%, aproximando-se dos 30 milhões de unidades, apoiada em incentivos ao abate de veículos antigos e em exportações em máximos históricos - a China é, de resto, o maior exportador automóvel para a Europa, tendo superado um milhão de unidades em 2025.

Entretanto, também se registaram subidas, embora mais contidas, no Médio Oriente, em África e na América do Sul: +2,6% (1,9 milhões de unidades) e +3,2% (2,2 milhões de unidades), respetivamente. No primeiro caso, o impulso veio da procura interna no Irão (+5,1%); no segundo, da renovação de frotas, de incentivos fiscais e do reforço das exportações.

Já na Europa e na América do Norte, o desempenho foi menos favorável. A produção europeia recuou 0,3%, fixando-se em 14,4 milhões de unidades, pressionada por custos de produção mais altos, procura interna fraca e pelo efeito das tarifas norte-americanas nas exportações. Ainda assim, na União Europeia observou-se uma ligeira subida de 0,3%, para 11,4 milhões de unidades.

Na América do Norte, a produção diminuiu 0,9%, para 11,2 milhões de unidades, refletindo preços elevados, ajustes de inventário e condições de crédito mais restritivas.

Os outros segmentos

Em 2025, os ligeiros de mercadorias foram o segundo maior segmento da indústria, embora com resultados muito distintos consoante a região. Globalmente, a produção avançou 2%, mas a Europa registou uma queda de 3,6%, com a União Europeia a recuar 6,5%; na América do Norte, a diminuição foi de 2,1%.

Os principais contributos para o crescimento vieram da América do Sul (+3,2%), da Ásia (+7%) e do Médio Oriente e África (+5,6%). A China voltou a destacar-se (+9%), mas o maior salto foi o da Turquia: +21,9%, com 494,7 mil unidades produzidas.

Nos camiões, o padrão foi semelhante. A produção mundial aumentou 3,3%, porém desceu na Europa - 6,5% na região e 0,8% na UE -, sobretudo devido à forte quebra na Rússia (-35%). As Américas também apresentaram recuos, enquanto a Ásia cresceu 17,6% e o Médio Oriente e África 14,3%, com a China novamente em evidência (+26,1%).

Por fim, apesar de representarem o menor segmento, os autocarros foram os que mais cresceram: +6%, atingindo 389 mil unidades produzidas. A América do Sul (+4,5%), a Ásia (+12,2%) e o Médio Oriente e África (+12,8%) puxaram pela subida, com Índia (+33,5%) e Japão (+32,1%) em destaque. Em contraciclo, ficaram a Europa (-1%) e a América do Norte (-16,3%).

Quantos carros se venderam?

Produção e vendas tendem a acompanhar-se, embora raramente de forma totalmente sincronizada. Em 2025, as matrículas globais aumentaram 3,5%, para 77,6 milhões de unidades. A América do Sul liderou a subida (+11,3%), seguida da Ásia (+4,8%) e do Médio Oriente e África (+4,4%). Já a América do Norte registou um crescimento mais contido de 1%.

Na Europa, as matrículas na União Europeia avançaram 1,4%, mas o mercado permanece 2,2 milhões de unidades abaixo dos níveis de 2019 - uma diferença de 17% que se mantém seis anos após a pandemia.

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