Durante a apresentação do novo Lexus RZ 450e - o primeiro modelo 100% elétrico da marca japonesa - falámos com Spiros Fotinos, Diretor da Lexus Europa.
A conversa serviu para tentar “levantar o véu” sobre o próximo “porta estandarte” da Lexus, apontado como sucessor do mítico LFA, e também para perceber melhor o caminho que a marca quer seguir.
Numa fase em que a Lexus se prepara para aquilo que pode vir a ser a maior mudança da sua história, coloca-se a questão: ainda existe espaço para o luxo na era da eletrificação?
Eletrificação, a palavra de ordem
Tal como acontece no resto do sector, a eletrificação está no centro da estratégia da Lexus. “O nosso objetivo é ter em cada segmento um modelo exclusivamente elétrico ou pelo menos uma versão 100% elétrica”, afirmou Spiros Fotinos.
Na leitura do Diretor da Lexus Europa, a marca beneficia atualmente de uma posição particularmente favorável. Em larga medida, isso deve-se “à boa rede de distribuição e ao lançamento de novos modelos”, como o NX e, em breve, o RZ 450e.
O peso destes dois SUV é, aliás, determinante para a ambição de duplicar as vendas da Lexus na Europa até 2025. E Fotinos foi claro sobre essa meta: “Quando se duplicam vendas, todos os modelos têm de contribuir”.
Baterias de estado sólido. Para quando?
Sobre as baterias de estado sólido - uma das inovações mais aguardadas no mundo automóvel - o Diretor da Lexus Europa garantiu que os testes já arrancaram, mas evitou adiantar detalhes relativos a um calendário de produção.
Ao recordar o objetivo da Lexus de ser 100% elétrica - na Europa em 2030 e a nível global em 2035 - Fotinos não acredita que o plano passe por uma dependência total das baterias de estado sólido.
O ponto inegociável, para a marca, continua a ser a segurança, mesmo que isso signifique não “apressar” a chegada desta tecnologia ao mercado: “Queremos assegurar índices de referência no campo da segurança, fiabilidade e qualidade”, explicou Fotinos. “É crucial garantir que os clientes tiram real benefício destas tecnologias”.
Sem V10, mas talvez com quatro motores
Mudando de assunto - e entrando no território do LFA e do seu sucessor… “espiritual” - tudo indica que o desenvolvimento será igualmente demorado, com a revelação apontada para algures à volta de 2030.
Vale a pena lembrar que o próprio superdesportivo japonês levou anos a materializar-se, com quase uma década de trabalho antes de ser apresentado.
Quanto ao futuro modelo, Spiros Fotinos fez questão de sublinhar que a intenção não é criar “um novo LFA”. Afinal, será um automóvel totalmente elétrico e, por isso, assente numa lógica muito diferente da do original.
Ainda assim, o propósito segue a mesma filosofia do V10 na altura do seu lançamento: construir um modelo que funcione como vitrina daquilo que a Lexus consegue fazer ao mais alto nível.
Nesse contexto, é natural que venha a recorrer ao Direct4, o novo sistema de tração integral variável destinado aos eletrificados da Lexus.
Fotinos manteve reserva sobre a confirmação do sistema no futuro “porta estandarte”, mas deixou pistas sobre o que a tecnologia poderá vir a permitir.
Segundo o Diretor da Lexus Europa, a evolução máxima do Direct4 poderá recorrer a quatro motores independentes, embora com uma ressalva importante: “Se estarão nas rodas ou não, ainda não consigo adiantar, pois há questões técnicas que têm de ser consideradas como, por exemplo, as massas não suspensas por roda caso estas contem com um motor elétrico incorporado”.
Mesmo com essas incógnitas, Fotinos defende o potencial do conceito: “ter quatro motores permitirá ter um controlo total do veículo desde que este está parado; podemos até ajustar o raio de viragem através da entrega de binário a apenas três das quatro rodas”.
E, no plano mais amplo, a eletrificação surge como uma oportunidade para redefinir limites. Nas palavras de Spiros Fotinos: “a eletrificação permite-nos «esticar» os limites. Se olharmos para a história, certas marcas têm uma maior ligação com o prazer de condução do que outras, mas a eletrificação veio «colocar a zeros» o que significa o prazer de condução, e a nossa experiência com os híbridos pode ajudar-nos”.
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