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Nutri-Score obrigatório em França? O Senado votou e recusou.

Mulher jovem compara rótulos de produtos num supermercado entre prateleiras cheias de bebidas e alimentos embalados.

Os membros do Senado foram recentemente chamados a decidir sobre a generalização do Nutri-Score em França - e o veredicto foi definitivo.

Nos últimos dias, a discussão em torno do Nutri-Score voltou a intensificar-se. Considerado por muitos consumidores uma ferramenta essencial para interpretar rapidamente os produtos nas prateleiras, continua, no entanto, a dividir opiniões. Foi precisamente neste contexto que uma proposta para tornar este indicador obrigatório em todas as embalagens chegou a votação no Senado e, contra aquilo que alguns antecipavam, acabou por ser rejeitada por unanimidade.

Senado francês rejeita a generalização do Nutri-Score

O Nutri-Score é o sistema de rotulagem nutricional colocado na frente das embalagens, pensado para oferecer uma leitura simples e imediata da qualidade nutricional dos alimentos. Com um único olhar, através de uma escala gráfica de cinco cores e letras de A (“melhor qualidade nutricional”) a E (“pior qualidade nutricional”), pretende facilitar a comparação entre produtos e apoiar escolhas mais equilibradas no momento de encher o carrinho.

Na sexta-feira, 21 de novembro, os senadores votaram a proposta que defendia a obrigatoriedade do Nutri-Score. A medida tem sido combatida com firmeza por alguns gigantes da indústria alimentar, como a Ferrero, a Coca-Cola e a Kraft. Recorde-se que, desde o despacho interministerial de 31 de outubro de 2017, a colocação do logótipo do Nutri-Score na parte frontal das embalagens depende da adesão voluntária dos operadores económicos.

O projeto acabou por não avançar: registou 212 votos contra e apenas 117 a favor. Entre as consequências previstas, estava a criação de uma taxa de 5% sobre o volume de negócios das empresas que não apresentassem o Nutri-Score. Para alguns responsáveis políticos, o Nutri-Score é “uma verdadeira ferramenta de saúde pública”; para outros, seria “contrário às normas europeias”.

Do lado da associação francesa de defesa do consumidor UFC‑Que Escolher, a decisão foi recebida com evidente frustração: “Mais uma vez, o Senado preferiu defender interesses industriais em vez da saúde pública, e isso é um problema.” Com esta rejeição, o artigo é retirado do projeto de lei de financiamento da Segurança Social (PLFSS) para 2026.

Impactos na saúde pública e na alimentação em França

Apesar do desfecho no Senado, há quem considere que a presença do Nutri-Score em todos os produtos poderia ajudar a população em França a adotar uma alimentação mais equilibrada, melhorando a qualidade dos seus aportes nutricionais. A prazo, isto poderia também contribuir para diminuir o risco de doenças crónicas, como a diabetes tipo 2, as doenças cardiovasculares e alguns cancros.

Vale a pena notar que o Nutri-Score é concebido para simplificar uma realidade complexa: não substitui a leitura detalhada da lista de ingredientes nem da tabela nutricional. Ainda assim, para muitos consumidores, funciona como um atalho útil para reduzir a incerteza na comparação entre produtos semelhantes, sobretudo em categorias onde o marketing tende a dificultar a avaliação.

Em paralelo, o tema levanta uma questão mais ampla: a harmonização europeia. Quem contesta a obrigatoriedade do Nutri-Score aponta frequentemente o enquadramento regulamentar da União Europeia e a necessidade de um modelo comum; por outro lado, os defensores argumentam que a padronização de um rótulo simples pode ser determinante para políticas de prevenção e para incentivar reformulações por parte das marcas (por exemplo, reduzir sal, açúcar ou gordura saturada para melhorar a classificação).

Um “primo” do Nutri-Score para o têxtil

Entretanto, o Nutri-Score deverá em breve inspirar um “primo” mais distante no setor têxtil, com o objetivo de ajudar (entre outras coisas) os compradores a fazer escolhas mais informadas e a privilegiar produtos com menor impacto ambiental.

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