Num ano em que a comida de conforto dominou os congeladores, o maior sucesso da Picard em 2025 não foi aquilo que quase toda a gente imaginaria.
Enquanto muitos consumidores enchiam o cesto com batatas fritas congeladas e sobremesas de chocolate bem gulosas, a cadeia francesa de congelados destacou, de forma discreta, um campeão muito diferente - e esse resultado diz muito sobre a forma como as pessoas realmente comem durante a semana.
Picard, a obsessão francesa pelos congelados
Em muitas casas francesas, a Picard é menos um supermercado e mais um hábito semanal. A marca trabalha exclusivamente com produtos congelados, desde legumes simples a pastelaria elaborada e edições limitadas inspiradas em cozinhas do mundo.
Quando faltam ideias para o jantar e cozinhar de raiz parece demasiado cansativo, o congelador torna-se um plano B fiável. Em vez de cortar cebola e lavar tachos, muita gente opta por uma lasanha pronta, espinafres cremosos ou filetes de peixe panados. A Picard cresceu com base numa promessa clara: qualidade consistente, sabor previsível e uma variedade suficientemente ampla para transformar um frigorífico quase vazio numa refeição completa.
Face às secções de congelados de hipermercados e supermercados como Auchan, Aldi ou Intermarché, a Picard oferece uma experiência mais “curada”. Quem entra sabe que vai encontrar receitas próprias, novidades sazonais e ingredientes selecionados - um conjunto que incentiva visitas repetidas e uma fidelidade que muitos retalhistas tradicionais gostariam de ter.
Porque a oferta da Picard encaixa em vidas tão diferentes
Uma das forças da cadeia está na forma como consegue servir públicos muito distintos sem perder foco. Estudantes, famílias e consumidores mais velhos conseguem sair da loja com opções que parecem ajustadas ao seu ritmo e ao seu orçamento.
Estudantes sem tempo: a gama “Formule Express”
Para estudantes e jovens trabalhadores com pouco tempo - e, muitas vezes, pouco dinheiro - a Picard criou a “Formule Express”: refeições individuais pensadas para ir do congelador ao micro-ondas em poucos minutos.
- Porções individuais, para evitar desperdício
- Prontas em poucos minutos num micro-ondas normal
- Preços entre 2 € e 3,65 €, acessíveis mesmo com orçamento apertado
Estas refeições tanto servem para aquecer no escritório como no micro-ondas da universidade ou num estúdio pequeno. Não pretendem ser alta cozinha, mas tendem a ser mais variadas e, muitas vezes, mais equilibradas do que batatas fritas de take-away ou uma sandes “de última hora”.
Famílias à procura de conforto: os pratos “Esprit de Famille”
Já os pais procuram outra coisa: quantidade, comida reconfortante e aquele ar de refeição caseira - sem o investimento de tempo. Para esse público, a linha “Esprit de Famille” aposta em travessas generosas com receitas familiares: lasanha, nhoque, canelones e outros pratos de massa que agradam a quase toda a gente.
A lógica é simples: servir depressa numa noite de semana cheia, satisfazer crianças e adultos e resolver o jantar com o mínimo de esforço. Um prato grande, uma salada a acompanhar, e está feito.
As refeições prontas quase ficaram em primeiro lugar
A Picard indicou que, em 2025, as refeições prontas da gama “Formule Express” dominaram a lista de produtos mais vendidos. Dois dos três artigos no topo vieram precisamente dessa linha.
O caril de frango com leite de coco e arroz, e um prato cremoso de frango com massa e molho de cogumelos, ficaram no pódio de vendas em 2025.
Ambas as opções juntam sabores confortáveis a um preço razoável. Passam a sensação de “comida feita” e não apenas de produto industrial - e continuam práticas para comer entre aulas ou depois de uma deslocação longa.
Ainda assim, apesar do excelente desempenho das refeições prontas, nenhuma delas foi o produto número um da cadeia. O verdadeiro líder de vendas veio de uma categoria completamente diferente.
O vencedor inesperado da Picard: feijão-verde extra-fino
Em 2025, o artigo mais comprado na Picard não foi carne, nem sobremesa, nem prato principal. Foi um saco de feijão-verde extra-fino.
O feijão-verde francês extra-fino da Picard, vendido a 2,69 € por um saco de 1 kg, foi o produto mais adquirido do ano.
Este feijão-verde é cultivado em França e congelado rapidamente após a colheita, o que ajuda a manter sabor, cor e textura. Muitos clientes destacaram o facto de ser “sem fios”, ter uma mordida “tenra” e um sabor suave e agradável depois de cozinhado.
Também ganha pontos na preparação - algo decisivo em rotinas apertadas. Cozido a vapor, fica pronto em cerca de 11 minutos. Em água a ferver, bastam aproximadamente 5 minutos. É menos tempo do que descascar e aparar feijão-verde fresco; além disso, está disponível o ano inteiro, e não apenas durante a curta época de verão.
Algumas opiniões mencionam um inconveniente pequeno: ocasionalmente aparecem vagens com pedacinhos de caule, o que obriga a uma verificação rápida, sobretudo quando há comensais mais esquisitos. Mesmo assim, esse detalhe não impediu que o produto voltasse ao cesto, repetidas vezes.
O que isto revela sobre a forma como as pessoas realmente comem
A lista de 2025 da Picard expõe um ponto subtil sobre hábitos alimentares atuais. Sobremesas indulgentes e massas ricas chamam a atenção - mas, no dia a dia, o que se compra com regularidade são “bases” versáteis: ingredientes simples que dão para muitas refeições.
Os legumes congelados resolvem vários problemas de uma vez. Dá para dosear facilmente, não exigem lavar nem aparar, e ajudam a reduzir desperdício alimentar. Um saco de 1 kg de feijão-verde pode render vários jantares: numa noite como acompanhamento de frango assado, noutra em salteado, e ainda sobrar para uma salada ou sopa.
| Tipo de produto | Principal vantagem | Utilização típica |
|---|---|---|
| Refeições “Formule Express” | Rapidez e conveniência | Almoços a solo, jantares tardios |
| Travessas “Esprit de Famille” | Quantidade e conforto | Jantares em família, refeições de fim de semana |
| Feijão-verde extra-fino | Versatilidade e disponibilidade todo o ano | Acompanhamentos, saladas, receitas mistas |
Porque os legumes congelados continuam a conquistar espaço no congelador
Para lá da Picard, os legumes congelados têm vindo a ganhar terreno na Europa e na América do Norte há vários anos. Ajustam-se a estilos de vida em que se cozinha menos vezes, mas ainda se procura um mínimo de nutrição e uma sensação de frescura.
Em comparação com legumes enlatados, os congelados tendem a manter melhor textura e um sabor mais “limpo”. Como são congelados pouco depois de colhidos, a perda de vitaminas desacelera. No caso do feijão-verde, o congelamento ajuda também a preservar a cor viva e um ligeiro estaladiço.
Para quem faz contas ao fim do mês, há outra vantagem evidente: evita-se deitar dinheiro fora. Feijão-verde fresco comprado ao domingo pode estar mole na quinta-feira. O congelado aguarda semanas ou meses, pronto a usar quando for preciso.
Um ponto extra, muitas vezes esquecido, é a previsibilidade: os legumes congelados têm menos variação de calibre e de qualidade do que os frescos ao longo do ano. Isso facilita cozinhar “no piloto automático” sem surpresas desagradáveis no prato.
Como montar uma refeição com um saco de feijão-verde extra-fino
O feijão-verde extra-fino parece básico, mas consegue ser a âncora de várias refeições rápidas. Uma noite típica de semana pode funcionar assim:
- Cozer uma mão-cheia de feijão-verde congelado durante 5 minutos.
- Selar um peito de frango ou aquecer restos de assado.
- Temperar o feijão-verde com um fio de azeite, limão, sal e pimenta.
Em menos de 15 minutos, há um prato completo com proteína, legumes e sabor. As mesmas vagens também resultam bem numa salada fria com tomate-cereja, queijo feta e vinagrete de mostarda, ou misturadas em massa com alho e parmesão para um jantar simples, mas diferente.
Muitos pais usam-no ainda como “reforço” para equilibrar refeições prontas. Uma lasanha congelada fica mais completa quando chega à mesa com uma dose de feijão-verde a vapor. Essa flexibilidade ajuda a perceber como um legume discreto conseguiu ultrapassar pratos bem mais elaborados nas prateleiras da Picard.
Congelado vs. fresco: um teste rápido à realidade
O sucesso do feijão-verde também levanta uma questão prática: quando é que o congelado faz mais sentido do que o fresco? Para quem tem uma cozinha pequena ou horários irregulares, os congelados tiram pressão. Não há correria para cozinhar antes de estragar e as porções ajustam-se exatamente ao número de pessoas à mesa.
Há, claro, compromissos. O feijão-verde fresco, em plena época, pode ter um estaladiço ligeiramente mais vivo e um sabor mais marcado. Algumas receitas - sobretudo servidas frias - podem beneficiar de feijão fresco muito pouco cozinhado. Mas, para o uso quotidiano (acompanhamentos, salteados, misturado em arroz, cereais ou massa), a versão congelada fica suficientemente próxima para a conveniência ganhar.
O que os consumidores podem aprender com o ranking de 2025 da Picard
O facto de o feijão-verde ter batido bolos de chocolate e massas cremosas não significa que as pessoas tenham deixado as guloseimas. O que sugere é que, quando se somam compras ao longo de um ano inteiro, os produtos fiáveis do dia a dia aparecem muito mais vezes do que os “extras” indulgentes.
Uma forma prática de aplicar isto em casa é olhar para o congelador menos como uma gaveta de petiscos e mais como uma extensão da despensa. Ter alguns legumes congelados básicos - feijão-verde, ervilhas, espinafres - ao lado de duas ou três refeições prontas cria um kit flexível. Em vez de depender sempre de soluções “prato único”, passa a ser fácil combinar um principal rápido com um acompanhamento simples.
Para quem quer controlar o orçamento ou ajustar a alimentação, esta estratégia também ajuda a reduzir tentações. Se o congelador estiver ocupado sobretudo por legumes e componentes práticos, sobremesas e comidas muito pesadas tornam-se escolhas ocasionais, e não um automatismo.
A vitória silenciosa do feijão-verde extra-fino da Picard mostra que, mesmo num país famoso pela pastelaria, é a praticidade do quotidiano que acaba por determinar aquilo que as pessoas realmente compram.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário